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Quinta-Feira, 23 de Janeiro de 2020
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Publicado em 13/01/20, às 11:30

Triste realidade

Principal praça do Jardim Belvedere está entregue às traças

Roberto Marinho

Ano Novo, férias escolares, crianças em casa, energia de sobra. O que fazer com as crianças que não podem passar o dia todo no clube? A saída mais óbvia para todos os pais que enfrentam o problema é a velha e boa pracinha do bairro, perto de casa. Mas a solução não é para todos. Para os moradores do Jardim Belvedere é uma tremenda dor de cabeça. Motivo: a Praça Esportiva e Área de Lazer Walter Santoro, a maior do bairro, está abandonada, com brinquedos inadequados, sem proteção contra sol e chuva e, pior, as grades estão caídas, dani-ficadas, etc. À noite, a iluminação é precária e pode-se dizer, sem medo de errar, que o local se tornou um risco para os frequentadores.

Há cerca de quatro meses, a direção da Associação de Moradores chegou a divulgar em um grupo de mensagens que reúne os residentes que seria feita uma reforma na praça, que sofre há tempos de problemas estruturais. A informação teria sido repassada pelo próprio secretário de Infraestrutura, Toninho Oreste, quando esteve visitando o bairro. Ele até chegou ordenar uma capina e a limpeza da quadra – que estava imunda, a ponto de se tornar inutilizável. Mas escafedeu-se logo a seguir e, depois disso, nada mais foi feito.

Diante do abandono, os moradores que usam a praça – a maioria pais com crianças e adolescentes – têm que driblar os problemas do local para poder se divertir e evitar se machucar. Os adolescentes, por exemplo, têm que desviar dos buracos no campo de grama sintética e evitar cair perto das grades dani-ficadas, com pontas que podem furar bolas e pernas. “Meu filho ganhou uma bola e foi para a praça jogar. Chutou sem querer na direção da grade e a bola furou. Ele já rasgou a perna na grade também”, disse o pai de um jovem de 14 anos,  que pediu para não ser identificado.

Na praça, o risco maior atualmente não são nem as grades com pontas e os rasgos na grama sintética, mas uma das traves que está corroída a ponto de cair, literalmente. Um dos lados da peça está quase tombando. Do outro lado, a corrosão permite ver através do tubo de aço que sustenta a trave. Além disso, um pedaço considerável da grade do campo está faltando, desde que foi derrubado pela queda de uma árvore, durante uma forte tempestade, há cerca de dois anos. Alguns meses depois, o pedaço de grade foi retirado pela prefeitura, mas nunca mais foi reposto.

Este não é o único problema longevo da praça: as telhas de proteção lateral contra a chuva da quadra coberta foram quebradas há mais ou menos seis anos, e não foram trocadas até hoje. O único brinquedo para crianças – um escorregador, com gangorra e balanço – é considerado inadequado pelos pais, porque é muito alto e desprotegido. Segundo alguns moradores ouvidos, o fato foi comunicado inúmeras vezes à prefeitura, desde quando a praça foi reformada, em 2011. Nenhuma atitude foi tomada pelos responsáveis até hoje, mesmo com risco para as crianças. 

“Meu filho tinha uns 9 anos – hoje tem 12 – e não conseguiu parar no escorregador, que é muito alto e inclinado. Acabou indo de cara no chão e machucou a boca”, disse a mãe de duas crianças, que completou: “A praça está totalmente abandonada. Meu filho mais novo, de 9 anos, quase não tem opção, porque ele não gosta de brincar no escorregador, fica com medo. Eu mesma já rasguei o pé na grade do parque das crianças, tive que tomar até antitetânica”, disse a mulher, que pediu para não se identificar.

Com o péssimo estado das grades e do campo de grama sintética, além dos brinquedos inadequados, sobraria para as crianças brincar de pique ou andar de bicicleta no piso superior da praça (que tem quatro níveis – piso superior, parque infantil, quadra coberta e campo de grama sintética). Mas isso só é possível enquanto está claro, já que a iluminação dessa parte da praça está queimada há pelo menos quatro meses. Resta para as crianças pequenas brincar nos aparelhos da academia de ginástica ao ar livre, que não é nem a opção mais divertida, nem a mais segura.

Se nada for feito agora, resta aos pais se conformarem com mais um período de férias levando os filhos a uma praça cheia de riscos, mas com pouca diversão.

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