Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 25 de Fevereiro de 2020
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Publicado em 13/01/20, às 10:21

Teste de paciência

Sempre que um projeto novo é implantado, algumas falhas ocorrem. É normal. E a partir daí ocorre o processo de identificação e correção dos problemas para que o sistema possa funcionar a contento. É o que está acontecendo com o novo estacionamento rotativo de Volta Redonda – batizado de VR Parking –, que o prefeito Samuca Silva considera coisa de outro mundo. Ou primeiro mundo, para ser mais modesto. “Antes de trazer o sistema (do rotativo), que é inovador no Brasil inteiro, nós importamos isso do exterior através de uma licitação amplamente debatida e disputada”, justificou. “É o fim da moe-dinha”, sentenciou, referindo-se ao sistema anterior, dos parquímetros. “E a vez da tecnologia, do aplicativo do VR Parking”, comparou.
Apesar de a cidade estar um pouco vazia por conta das férias escolares, a implantação do novo rotativo foi confusa, bem confusa. Muito por conta da falta de educação dos motoristas, que não respeitavam a demarcação das vagas, ocupando até o lugar de dois carros. Houve casos até – como mostra a foto – que os folgadões ocuparam as vagas demarcadas para motocicletas, mesmo com lugares para carros estando vagos um quarteirão à frente.
Mas nenhum dos motoristas em flagrante delito se sentiu ameaçado, até porque a prefeitura de Volta Redonda já havia dito que nos primeiros 20 dias – até o final do mês – não aplicará multas em ninguém. Nem mesmo irá advertir os faltosos. O fato é que, por enquanto, a fiscalização é inexistente, e mesmo os monitores designados para orientar os motoristas estavam meio perdidos, sem saber o que fazer.
Na terça, 7, no começo da tarde, quatro deles trocavam vários dedos de prosa no início da Rua 33, na Vila, enquanto no restante da extensa rua, a mais importante e valorizada de Volta Redonda, os motoristas só podiam contar com a própria sorte para saber o que fazer.
Na quinta, 9, a situação melhorou um pouco. Os monitores, apelidados de ‘amarelinhos’ pela cor da camisa que usam a serviço, estavam mais espertos. Já os motoristas, mostrando que ainda desconhecem o ‘modus operandi’ do VR Parking, insistiam em adquirir o tíquete usando as famosas moedinhas, como nos velhos tempos. A estes, os orientadores mostravam como poderiam fazer para ‘baixar’ o Digipare, aplicativo do sistema. Ainda assim, os monitores recebiam o dinheiro (e vão continuar recebendo), fazendo eles mesmos o registro da ocupação das vagas, facilitando o trabalho dos motoristas.
Além dos folgados, os primeiros usuários do VR Parking também tiveram que lidar com os espertalhões. Como uma senhora, que reservou uma vaga pelo aplicativo nas imediações da Biblioteca Municipal Raul De Leoni, na Vila, e encontrou o lugar ocupado por outra motorista. O fato foi narrado pelo radialista Dário de Paula na quinta, 9, durante a entrevista semanal do prefeito Samuca Silva. Segundo Dário, as duas quase saíram no tapa. “Tudo que está no começo é sujeito a esse tipo de confusão. É preciso uma mudança cultural”, analisou Samu-ca, destacando que quando terminar o período de testes de 20 dias, os espertalhões – como a moça que roubou a vaga reservada – serão multados. “A multa fica em torno de R$ 130. Não é barato, não”, destacou.
Na verdade, o que pode estar ocorrendo é que a sinalização e a fiscalização ainda não estão ‘nos conformes’. Faltam mo-nitores em muitos pontos, como nas proximidades do Centro Médico, ao lado do Hospital das Clínicas, onde nem as faixas das vagas foram totalmente pintadas. Outro ponto é que a fiscalização, segundo informações do próprio prefeito Samuca Silva, ficará a cargo da Guarda Municipal, baseando-se em informações e provas documentais dos moni-tores da empresa que explora o VR Parking. Vale lembrar que desde a década de 70, quando o rotativo era administrado pela Fundação Beatriz Gama, nunca nada funcionou direito justamente porque os integrantes da GM não tinham e, até prova em contrário, não têm interesse em fazer com que o sistema funcionasse. Será que agora a GM vai ajudar? Essa é a questão. Sem apoio dos guardas, os monitores – jovens na maioria – não terão coragem de enfrentar os espertalhões, os folgadões, e todos aqueles que estacionam em locais proibidos, como em frente de garagens, em vagas de deficientes, idosos, calçadas etc.

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