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Quarta-Feira, 1 de Abril de 2020
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Publicado em 16/03/20, às 11:52

Será que decola?

Por Roberto Marinho

Furtado diz que CPI não vai terminar em pizza

Em uma sessão tensa e barulhenta, graças aos ‘pitis’ de assessores e cabos eleitorais ligados aos suspeitos, os vereadores de Volta Redonda aprovaram a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as denúncias da suposta extorsão ao prefeito Samuca Silva, que culminou com a prisão em flagrante de Paulinho do Raio-X. O pedido de instalação da CPI foi protocolado por Rodrigo Furtado, que é advogado, e acabou sendo aprovado por unanimidade – dos presentes, apenas dois (Edson Quinto e José Augusto) não participaram da histórica sessão:
“Espero apurar a veracidade dos fatos, garantir o direito ao contraditório e ampla defesa, respeitando o devido processo legal para garantir a lisura do procedimento. E caso seja apurado que houve infração política ou administrativa, ou que o vereador (Paulinho do Raio-X) tenha incorrido em quebra de decoro, será proposta a cassação do mandato do vereador, ou dos vereadores, ou a abertura de procedimento para qualquer um que tenha cometido qualquer ato que possa vir a ser enquadrado no Decreto-Lei 201/67 (apropriação de bens públicos e desvio de verba por prefeitos, grifo nosso)”, justificou Furtado, que será o presidente da CPI por ter sido o autor do pedido da mesma.
Em entrevista ao aQui, Furtado afirmou estar certo de que a CPI não vai acabar em pizza. “Pode ter certeza que essa CPI vai apurar os fatos, e vamos direcionar de acordo com a decisão dos pares e da Casa. Se apurar que houve desvio do vereador ou vereadores, do chefe do Executivo ou secretários, que se enquadrem no Decreto-Lei 201/67, será apresentada a denúncia e proposta a cassação (do envolvido)”, teorizou.
Furtado também anunciou que a CPI vai convidar os envolvidos, e que se eles não aceitarem o “convite”, serão convocados no dia seguinte. “A CPI tem 60 dias, o trabalho tem que ser célere. A população pede uma resposta urgente dessa Casa. E a gente tem que responder à altura. Não podemos deixar que a nossa imagem seja maculada pela atitude isolada de qualquer vereador ou qualquer outra pessoa”, sentenciou.

Clima tenso
Apesar do clima tenso, afinal todos os vereadores estiveram sob suspeição até que o aQui liberou o nome dos parlamentares que estariam envolvidos na extorsão, não houve brigas durante a sessão. Apenas gritos histéricos de um ou outro assessor ligado aos envolvidos contra Samuca Silva. A cada vez que o nome do prefeito era citado, a plateia vaiava e o xingava. Aliás, Samuca era chamado a toda hora por Neném de “doente, que vive ameaçando os outros”. Carlinhos Santana não deixou por menos. Só se referia ao ex-aliado como “verme” e “bandido”. O jornal aQui – que divulgou com exclusividade a informação de que os nomes de Neném e Santana teriam sido citados por Samuca no depoimento à Polícia e ao MP – também foi alvo dos assessores dos políticos, que questionavam os motivos de o jornal ter divulgado o envolvimento dos seus líderes, que seriam de oposição ao prefeito. Esquecem apenas que, assim como os vereadores têm imunidade parlamentar para dizer qualquer abobrinha no Plenário da Casa – como taxar o prefeito de bandido –, o jornal também tem a Constituição Federal para lhe garantir a liberdade de expressão e o direito ao sigilo da fonte.

Voluntários
Além de Furtado – que propôs a CPI e por isso vai comandar a mesma -, outros dois parlamentares (e mais dois suplentes) irão integrar a comissão de inquérito. Neném, como presidente da Câmara, depois de ter dito ao aQui que iria ele mesmo escolher os nomes dos vereadores, pediu que os interessados em participar da comissão – que terá poderes para convocar até o prefeito Samuca Silva, menos Paulinho do Raio-X, por determinação judicial – apresentem seus nomes até a próxima segunda, 16.
Furtado discorda de Neném. “Eu entendo que essa escolha deveria ser feita na forma de sorteio, para garantir a imparcialidade (da CPI). Se algum vereador se colocar como voluntário, acredito que ele não terá imparcialidade. Caso o parlamentar seja escolhido, ele vai ter que se preparar para participar do procedimento, o que dará maior imparcialidade”, pontuou, completando ainda que “todos os vereadores estão aptos a participar”. Exceto Paulinho, é claro, que está suspenso de suas funções como parlamentar por decisão da Justiça.

Apoio ao aQui

Na manhã de quinta, 12, dois dos maiores comunicadores do rádio na região – Dário de Paula e Betinho Albertassi – se posicionaram contra a postura de Carlinhos Santana por tentar desmerecer o aQui por ter citado o seu nome como um dos suspeitos no caso de extorsão contra Samuca. No programa ‘Fato Popular’, que comanda na Rádio 88, Betinho abordou a matéria exclusiva que o aQui postou nas redes sociais, e leu boa parte da matéria, assim como fez questão de ler na íntegra a Nota Oficial de Neném e colocar o áudio-desabafo de Santana contra Samuca e contra o aQui.
“É lamentável a atitude do vereador Carlinhos Santana em atacar o Jornal aQui. Vale lembrar que a imprensa não tem a obrigação de divulgar as suas fontes. Aliás, o direito ao sigilo da fonte é Constitucional. O artigo 5º em seu inciso XIV diz: ‘É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional’”, destacou.
Betinho Albertassi foi além. “O aQui tem 20 anos de serviços prestados à região e, principalmente, à comunidade de Volta Redonda. É o meio de comunicação que mais informa à população da cidade sobre o que acontece na política. O vereador Carlinhos Santana se equivocou sobre classificar um jornal sério como um ‘jornaleco’”, disparou, para completar. “Um ataque desse tipo não contribui para a democracia e nem para a transparência. Um ataque desses é um ataque a todos nós que exercemos o dever de informar à sociedade. Volto a dizer: lamentável a atitude do vereador Carlinhos Santana em classificar o jornal aQui, tradicional jornal da cidade, como um ‘jornaleco’”, sentenciou.
Dário de Paula, que é um dos mais influentes comunicadores da região, também leu a matéria exclusiva do aQui com a divulgação dos nomes de Neném, presidente da Câmara, e Carlinhos Santana, contestando o ex-metalúrgico da CSN por ter tentado desmerecer o aQui comparando o jornal a um ‘jornaleco’.
“O Carlinhos Santana, que fez a sua defesa através de um vídeo que ele publicou nas suas redes sociais, perdeu uma grande oportunidade (de ficar de boca fechada, grifo nosso) e não deveria, de maneira nenhuma, ter atacado o jornal aQui. Afinal de contas, o jornal, através da sua rede social, deu um furo de reportagem publicando uma coisa para esclarecer tudo sobre a Câmara de Volta Redonda, porque estavam todos sob suspeita”, comentou, indo além.
“A partir do momento que o Luiz Alfredo (editor) e a equipe do aQui publicaram a informação, ficou claro que os dois suspeitos eram o Neném e o vereador Carlinhos Santana. E o vereador foi infeliz ao atacar o jornal. O aQui precisa ser respeitado porque é um jornal de tradição em Volta Redonda”, pontuou.

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