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Segunda-Feira, 6 de Abril de 2020
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Publicado em 10/02/20, às 09:47

Rota de conflito

Por Vinicius de Oliveira

Desde que o presidente Jair Bolsonaro abandonou o PSL, o futuro do partido – nanico que virou gigante no Congresso – corre sérios riscos de desaparecer, já que seu principal expoente bateu em retirada, levando consigo os escudeiros mais fiéis. Para evitar o desastre total, os poucos caciques que ficaram para trás, tais como o deputado Antônio Furtado, por exemplo, tentam, a todo custo, consolidar suas bases nos municípios onde são conhecidos a fim de eleger o maior número possível de vereadores e prefeitos nem que para isso tragam alguém de fora.
É o que está acontecendo em Porto Real, uma das cidades mais importantes do Sul Fluminense, principalmente no que diz respeito à economia. No final do mês passado, um certo deputado federal, também do PSL, esteve no município tratando justamente das eleições municipais com militantes locais. Mas, pasmem, o político em questão não era Antônio Furtado, mas, sim, outro policial, também delegado: Felício Laterça.
O ilustre desconhecido foi convidado de honra do diretório local do PSL para dirigir o primeiro de uma série de encontros estratégicos para as eleições de outubro. Ao jornal aQui, Furtado esclareceu que sua ausência na referida reunião não significa enfraquecimento do seu nome na região. O político explica que Laterça e ele são amigos e que trabalham em equipe. “Assim como eu, o deputado Felício Laterça pertence à executiva estadual do PSL. Como não existe fogueira de vaidades em nossa executiva, estamos fazendo um trabalho em conjunto pela ampliação dos quadros do partido. Felício é meu amigo e atuamos em equipe”, garante Furtado.
Só que existem controvérsias. A presença de Laterça em Porto Real vai além da tese de que a legenda tenta ampliar os tentáculos do PSL no Sul Fluminense. Isso porque o atual prefeito, Ailton Marques, que ganhou o cargo com a morte de Jorge Serfiotis, está sem padrinho político desde que rompeu os laços com a família Serfiotis. O rompimento ficou evidente com a denúncia de extorsão apresentada por Ailton contra Adriano Serfiotis, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e irmão do deputado federal Alexandre Serfiotis, ambos filhos do ex-prefeito Jorge Serfiotis.
Outro parlamentar que estaria se preparando para desembarcar na colônia italiana mais famosa do estado do Rio é o deputado federal Luiz Lima, também do PSL. Ou seja, Serfiotis que se prepare para o pior. Não poderá, por exemplo, usar a máquina da prefeitura como fazia, e terá o prefeito Ailton Marques abrindo as portas de Porto Real para deputados federais mais alinhados com ele.
A pergunta que não quer calar é: sem apoio da família Serfiotis, Ailton estaria dando corda a Laterça para minar a influência de Alexandre Serfiotis, também deputado federal? Pelo sim e pelo não, é bom que o porto-realense fique de olhos bem abertos. Uma fonte do jornal, que pede anonimato, garante que Laterça, ao se aproximar do político, estaria com planos mais ousados. Sair como candidato a prefeito. “Ailton era apenas um vice que teve a ‘sorte’ de assumir o cargo após a morte do prefeito. Ele está em busca de alianças fortes para se reeleger, mas a intenção do deputado parece não ser a de apoiá-lo, mas, sim, de tomar seu lugar”, garantiu a fonte, desconfiada.
O aQui tentou conversar com Laterça por duas semanas consecutivas, mas o deputado federal não se pronunciou e nem respondeu os contatos do jornal. Já Antônio Furtado, ao ser questionado se seria estratégia do PSL desbancar o atual prefeito, explicou que o partido ainda não conseguiu definir um rumo certo e admitiu que outro político, até mesmo de fora do eixo que compreende o Sul Fluminense (caso de Felício Laterça, que é de Campos dos Goytacazes, grifo nosso) pode, sim, ser o candidato da sigla. “Os encontros políticos nos municípios estão acontecendo e fazem parte dos preparativos das eleições de 2020. Temos como objetivo fazer vereadores e prefeitos na maioria das cidades e, para isso, algumas conversas com pré-candidatos acontecem, em via de regra, privadas e simples tratativas. Todo partido se esforça por uma nomi-nata forte e o PSL não é diferente. Nossas estratégias ainda estão em construção. Não somos fechados para opinião, por isso todos podem trabalhar e sugerir nomes e possíveis pré-candidatos”, pontuou.
Mesmo complacente com os colegas de partido, Furtado deixou um recado. “As lideranças que disputarão a eleição deste ano dependem da atuação histórica que tiveram e da confiança que despertam no eleitor”, avisou o deputado que quase viu sua popularidade descam-bar ladeira abaixo depois de ter votado a favor da reforma da previdência, que desagradou boa parte do eleitorado mais carente, uma das bases políticas de Furtado.
Furtado vai além. Deixou claro que ainda não perdeu de vista a possibilidade de se candidatar a prefeito pela cidade do aço, só que adotou o velho discurso de que vai esperar a hora certa para se pronunciar efetivamente. “Sobre eu ser candidato à prefeitura de Volta Redonda, vou esperar o prazo legal para me manifestar. Não tenho pressa para tomar uma decisão. Estou muito focado no meu mandato como deputado federal”, desconversou.
Por fim, o aQui quis saber se o discurso antipetista e as promessas de mão de ferro na gestão da segurança, bem como a guerra contra a corrupção, que são as bandeiras que alçaram o PSL, e também Bolsonaro, ao patamar que se encontram atualmente, seria suficiente para manter a atual hegemonia do PSL ou se mudaria o tom na próxima campanha. Furtado afirmou que nada será diferente. “Nosso partido tem uma convicção e não vai mudar de discurso. Respeitamos a decisão de sair, tomada pelo presidente da República, e continuaremos ao seu lado pela governabilidade do país. Nosso apoio segue na luta contra a corrupção, pela geração de empregos, de redução de gastos públicos e por uma segurança pública que defenda o cidadão e puna os bandidos”, concluiu.

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