Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 6 de Abril de 2020
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Publicado em 09/03/20, às 10:05

Por enquanto…

Por Roberto Marinho

O governador Wilson Witzel esteve, no final de fevereiro, visitando o Complexo de Detenção de Manhattan, em Nova Iorque, para conhecer o modelo americano de presídio vertical, que pretende implantar no estado do Rio. Na conversa que manteve com a comissária do Departamento de Correções da cidade americana, Cynthia Brann, Witzel propôs um acordo de cooperação técnica entre o governo do Rio e o complexo nova-iorquino. Quer promover uma troca de informações e, se possível, aprimorar o projeto.
Se depender apenas de Witzel, o governo do estado, por meio da secretaria de Administração Penitenciária (Seap), deverá construir cinco presídios verticais: três no Complexo de Gericinó (Bangu), um em local ainda a ser definido (pode até ser na região), e um em Volta Redonda. O complexo de prédios abrigaria presos de baixa periculosidade, e cada um deles receberia de 3,5 mil a 5 mil detentos.
O anúncio não caiu muito bem na cidade do aço, e várias autoridades lembraram que o município já tinha sido penalizado com a construção da Cadeia Pública Franz de Castro Holzwrth, mais conhecida como Casa de Custódia – além de uma unidade do Degase (Departamento de Ações Socioeducativas) – o Centro de Socioe-ducação Irmã Asunción de La Gándara Ustara. As duas unidades vivem super-lotadas, e, às vezes, registram casos de fuga, principalmente de menores abrigados.
Só que a ideia de se construir um novo presídio, mesmo que seja vertical, coisa de primeiro mundo, pode ser abortada. Primeiro pela aproximação de Witzel com Samuca, agora no mesmo partido (ver matéria na página 15). Segundo pela proximidade das eleições municipais, quando o prefeito Samuca Silva deverá buscar sua reeleição. “O tema da construção do presídio vertical não caiu bem entre os eleitores”, pontua uma fonte municipal. “O prefeito deve ter pedido para o governador desistir da empreitada”, diz, pedindo anonimato.
Tentando desvendar o mistério, o aQui entrou em contato com a secretaria de Infraes-trutura (Seinfra), responsável pelo projeto, para verificar se a instalação de uma unidade em Volta Redonda estaria ou não mantida. “O projeto do conjunto penal vertical está em desenvolvimento pela Seinfra. Não há confirmação se a primeira a unidade será instalada em Volta Redonda”, informou a assessoria do órgão, que sugeriu ainda que a reportagem consultasse “a prefeitura local”. Foi o que fizemos, mas os assessores de Samuca, até o fechamento desta edição, não tinham se pronunciado a respeito.
Extraoficialmente, fontes do governo do Estado afirmam que o presídio vertical em Volta Redonda só deverá sair se a prefeitura ceder um terreno para a construção do mesmo, que pode ser até bem próximo da Casa de Custódia, no Roma. “Só sai (projeto) se derem um terreno. Caso contrário, não sai nada”, disse a fonte, contestando, entretanto, a localização do mesmo. “Não seria próximo da Casa de Custódia, não”, disparou.

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