Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quarta-Feira, 19 de Fevereiro de 2020
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Publicado em 10/02/20, às 09:38

Curto e grosso

Na tarde de terça, 4, o prefeito Rodrigo Drable esteve em Volta Redonda para participar da audiência pública sobre a nova concessão das rodovias Presidente Dutra e Rio/Santos. O evento atraiu muita gente, de empresários e políticos a curiosos. Só o prefeito Samuca Silva não apareceu, sendo representado pelo ex-deputado estadual Nelson Gonçalves, hoje seu assessor político.
O engraçado é que Maycon Abrantes, vice-prefeito de Samuca, também esteve presente e foi um dos que usaram a palavra. Mais engraçado ainda é que Neném, presidente da Câmara de Volta Redonda, que anunciou que iria apresentar uma proposta para modificar a distribuição do ISSQN para as cidades que serão cortadas no futuro trecho da Via Dutra, nem foi visto circulando pelos salões da casa de festas. “Não ouvi”, limitou-se a responder Rodrigo ao ser indagado sobre a tese do parlamentar voltarre-dondense que pode prejudicar a arrecadação do imposto caso a mudança seja adotada como prevê Neném.
A audiência pública serviu ainda para mostrar que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) engoliu a decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro depois de ouvir as reclamações de Rodrigo Drable, de impedir a mudança do posto de pedágio de Itatiaia para Barra Mansa. “Com relação a acreditar se vai ter ou não um posto de pedágio em Barra Mansa… quem falou (que não vai ter, grifo nosso) foi o presidente da República. A ANTT reproduziu a decisão dele”, avaliou Rodrigo Drable ao ser perguntado pelo aQui se ele confiaria na postura e, principalmente, na promessa da agência, reforçada durante a Audiência Pública na cidade do aço.
Apesar de curto e grosso, Rodrigo anunciou ao aQui que vai a Brasília para agradecer a Bolso-naro. “Só estou aguardando a confirmação do dia (para viajar)”, disse, para logo alfinetar a própria ANTT ao ser indagado se ele, como prefeito, apostaria que, diante da pressão, as obras da nova pista da Serra das Araras seriam iniciadas mesmo a partir de 2024.
“Eu não sei, prometeram (a duplicação) em 98, né? A concessão (da Nova Dutra) começou em 96, a promessa era iniciar em 98. Até hoje não aconteceu. Eu não sei se vai começar em 2024. Eu sei que a ANTT não tem crédito como uma agência reguladora séria para fiscalizar os contratos, porque ela teve 19 anos fiscalizando esse contrato de concessão. A concessão é de 96, a ANTT foi criada em 2001 e ela não conseguiu fazer (a obra)”, avaliou Rodrigo.
O prefeito de Barra Mansa foi além. Disse que, apesar da questão de o pedágio aparentemente ter sido resolvida, ele e vários prefeitos da região não vão aceitar outras mudanças previstas pela ANTT. “Eu não concordo com a retirada da Baixada Fluminense do modelo de pedágio. A gente paga pedágio para ir para o Rio. Eu vou pagar pedágio agora para ir até Seropédica? Não faz muito sentido isso. A Dutra liga São Paulo ao Rio e agora o pedágio vai ligar Seropédica a São Paulo e pegar parte da BR-101? Eu acho que isso é um equívoco”, ponderou.
Em relação à duplicação da Serra das Araras e ao valor alto que é cobrado pelo pedágio, Drable foi enfático. “Nós já pagamos pela (obra de) duplicação da Serra. Vamos ter que pagar pela segunda vez aquilo que nós já acertamos? E isso é algo que tem que ser analisado”, pondera, aproveitando para abordar a questão do ISS que, segundo ele, não gera cerca de R$ 2 milhões mensais como já foi dito. “Barra Mansa recebe cerca de R$ 7 milhões ao ano. No novo modelo, a previsão é de que o quantitativo seja reduzido consideravelmente, já que o valor seria repartido entre os municípios cortados pela Dutra e pela Rio/Santos”, detalhou.
Na atual distribuição, segundo Rodrigo, Barra Mansa recebe por conta de 38 km de faixas marginais. Já Angra dos Reis, na Rio/Santos, tem mais de 100 km. “Se nós dividirmos o nosso ISS com as cidades com contribuições menores, a partir da proposta da nova concessão, vamos perder em Barra Mansa a capacidade de investimento, como, por exemplo, no atendimento médico de urgência e emergência, proveniente dos acidentes que acontecem na Dutra”, prevê.
Por último, na entrevista ao aQui, Rodrigo Drable desfez um mistério, o da propalada redução do valor do pedágio, anunciada na Audiência Pública de Volta Redonda, por Delmo Pinho, secretário estadual do governo Witzel. Mais uma vez foi curto e grosso. “Delmo Pinho é secretário de Transporte do Estado. Essa concessão é federal. O Delmo Pinho está fazendo pleitos como nós estamos. Ele é só mais um pleiteante… Ele não é um player da ANTT e nem do Dnit”. Entenderam?

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