Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 28 de Janeiro de 2020
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Publicado em 30/12/19, às 09:48

Insegurança total

Roberto Marinho

O governador Wilson Witzel voltou a ocupar as páginas dos jornais da capital para comemorar a queda de 21% nos índices de homicídios em território fluminense. Seria maior se não por fosse pelo fato de Volta Redonda bater um triste recorde. De janeiro a novembro deste ano, a cidade do registrou 80 assassinatos, de acordo com os dados oficiais do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro). O número é 17,6% maior que o registrado no mesmo período de 2018, quando ocorreram 68 assassinatos. Quer mais? É o maior índice de homicídios registrado desde 2014, quando o ISP começou a contabilizar os números oficiais registrados em todas as delegacias do estado. Ou seja, não temos nada a comemorar pelas bandas de cá.

E não foram só os homicídios dolosos que aumentaram entre os indicadores estratégicos de violência – crimes que são utilizados pelas autoridades para avaliar a sensação de segurança (ou insegurança) da população – entre os anos de 2018 e 2019. Os roubos de rua, por exemplo, cresceram 4,5%, passando de 374 para 391 ocorrências; os roubos de veículos registraram um aumento de 12,2%, passando de 49 para 55 ocorrências; e os roubos de carga apresentaram, vejam só, o crescimentode quase 100%, embora as ocorrências sejam poucas em números absolutos. Foram quatro registros entre janeiro e novembro de 2018, contra sete no mesmo período deste ano.   

Os índices de outros crimes foram ainda mais expressivos, como as tentativas de homicídio, que cresceram mais de 41% – passando de 98 para 139 ocorrências. O roubo a estabelecimentos comerciais também teve um crescimento espantoso, mais que dobrando (aumento de 126%), passando de 23 para 52 registros. O roubo de celulares aumentou 33% – 95 ocorrências até novembro de 2018, contra 127 no mesmo período deste ano – e os furtos de celulares (quando a vítima não percebe o roubo) também cresceram, com uma taxa de 46,7%. Foram 57 furtos a mais entre 2019 (179 casos) e 2018 (122 casos). Isso sem contar os casos em que não há registro. Crimes como estelionato e extorsão também sofreram aumentos, de 35% e 30%, respectivamente.

Entre os poucos índices que tiveram queda estão os estupros, com seis casos a menos (50 em 2018, contra 44 este ano), e furto a transeunte, com queda de 22,5% (151 casos no ano passado e 117 este ano). Todos estes dados são públicos e podem ser consultados facilmente no site do ISP-RJ. Com tudo isso, percebe-se que, em relação à violência e criminalidade, Volta Redonda não tem nada a comemorar. Muito pelo contrário.

Protesto contra feminicídio

Às vésperas dos festejos natalinos, familiares e amigos de Sirlene Ferreira Peixoto, assassinada há um mês, fizeram um ato de protesto contra o caso de feminicídio ocorrido na Avenida Ministro Salgado Filho, no Aero Clube, exatamente no local onde ocorreu o crime, em 21 de novembro.  Os dois criminosos – o ex-namorado e um amigo – foram presos no mesmo dia do crime pela Polícia Civil.

Com cartazes, faixas e vestidos de camisetas com a foto de Sirlene, pedindo um basta à violência, o protesto contou com a presença da mãe de Sirlene, dona Antônia Maria Lacerda, que, emocionada, chegou a desmaiar. Também estavam presentes os filhos da vítima, Lucas Lacerda Amado e Milena Lacerda Amado, amigos e vários moradores do Verde Vale, bairro onde a vítima morava. Os presentes fizeram uma oração e os filhos, muito abalados, soltaram uma pomba, pedindo paz e o fim dos casos de violência contra a mulher.

Ao lado do irmão, Lucas, a filha Milena deu um depoimento emocionada. “Ninguém é propriedade de ninguém. Minha mãe dizia não para ele e ele fazia que não entendia.  A minha mãe era tudo pra mim. E ela faz muita falta”, disse a jovem, com a voz embargada. 

João Paulo Peixoto, organizador e primo da vítima, contou que decidiu promover o ato para protestar contra o assassinato. “Viemos mostrar que nós precisamos dar um basta a esta violência. A sociedade tem que desmitificar aquela ideia de que em briga de marido e mulher não se mete a colher. A omissão mata tanto quanto o homicida. As mulheres que sofrem violência têm que se encorajar e denunciar os agressores”, disse João, lembrando que os assassinos de Sirlene estão presos.  

A vereadora Rosana Bergone, amiga de Sirlene, disse que a vítima era uma mulher batalhadora e não merecia ser assassinada. “Diante desse crime, a gente se sente impotente. A Sirlene foi minha colaboradora e era uma mulher linda. Fizemos recentemente uma audiência pública na Câmara para falar sobre feminicídio e alertar sobre isso. A gente se pergunta por que tanta violência. Por que os homens estão matando? Eu acredito que quem ama deve proteger e cuidar”, pontuou a parlamentar, que faz um apelo às mulheres para que denunciem qualquer tipo de violência. “Existe justiça e apoio, e elas precisam entender isso, e denunciar para que a violência pare”, completou.

Após o ato no Aero Clube, os manifestantes fizeram uma carreata passando pela Vila, e seguiram para o bairro Verde Vale. No evento, os manifestantes inauguraram um grafite no muro da Escola Othon Reis Fernandes, na Rua Chico Mendes, que fica ao lado da casa da vítima. A arte foi pintada pelo artista plástico Raphael Abbott. Como símbolo do basta, os populares puderam carimbar a mão em um quadro criado no espaço da arte.

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