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Quarta-Feira, 1 de Abril de 2020
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Publicado em 03/03/20, às 14:44

Haja!

No dia 15 de janeiro, há quase dois meses, o prefeito Samuca Silva, como se fosse um simples cidadão, soltou as cobras em cima de um dos maiores latifundiários da cidade do aço, o empresário Mauro Campos Pereira. Tudo por conta da malfadada rotatória da Rodovia dos Metalúrgicos, que deveria ter sido feita pelo dono do Portal da Saudade para facilitar o acesso ao cemitério e, por tabela, às terras da família CP (Campos Pereira), estrategicamente situadas bem em frente à rodovia. O que valorizou – e muito – os terrenos. “Até uma multina-cional está interessada em investir ali”, gabou-se ‘seu Mauro’ ao falar com o aQui sobre as polêmicas obras feitas por ele.
Desde a entrevista (publicada em 19 de janeiro de 2019 – edição 1136), muita coisa mudou. A ‘rotatória’, se é que se pode chamar assim a modificação feita no trânsito da Rodovia dos Metalúrgicos, ficou ‘pronta’. Ia figurar até nas festividades do aniversário de emancipação da cidade do aço (em 17 de Julho), mas quis a sorte do prefeito que a mesma fosse retirada do programa.
O asfalto da via também foi entregue, beneficiando o trecho do Hospital da Unimed ao Shopping Park Sul, cujo vice-prefeito, Maycon Abrantes, é um dos sócios. O novo acesso aos bairros da região, que seria feito pelo grupo CP, como compensação pelos benefícios concedidos pelo Palácio 17 de Julho, entretanto, não passa de uma estória. É apenas um caminho, devidamente cercado por arames. Ninguém entra, ninguém sai.
Com as chuvas, surgiram os primeiros problemas. Houve homéricos alagamentos na rodovia e a fina camada de asfalto começou a quebrar, provocando o surgimento de grandes buracos na via, especialmente nas proximidades da garagem da Viação Agulhas Negras. Há quem garanta, por maldade ou não, que o asfalto era para ser de 10 cm de espessura – apropriado para o trânsito de carga pesada da CSN. “Por economia, o asfalto não passa de 3cm de espessura”, denuncia um engenheiro, que pede anonimato.
Ele pode ter razão. Para checar a autenticidade da denúncia, um repórter do aQui esteve no local para fazer algumas fotografias. No trecho entre o Hospital da Unimed e a garagem da Agulhas Negras a situação é caótica. Mais à frente, quase chegando na nova entrada do Portal da Saudade, dois imensos buracos resistem ao ‘jeitinho brasileiro’ de tapar o sol com a peneira.
No domingo de Carnaval, por exemplo, caminhões da prefeitura de Volta Redonda foram até a rotatória, na curva de acesso ao cemitério. Quando todos pensaram que os operários iriam remendar os buracos, limitaram-se a quebrar tudo antes de ir embora. Foram e até ontem, sexta, 28, não tinham retornado para concluir o serviço. A não ser que lá estivessem para fazer isso mesmo.
Pena do prefeito Samuca que poucos do seu staff falam a língua dele. Se falassem, saberiam que a obra na Rodovia dos Metalúrgicos é, como diz o prefeito, horrorosa. “Eu teria vergonha…”, sentenciou ao abordar o assunto em recente entrevista a Betinho Albertassi, da Rádio 88 FM. “A base foi mal efetuada. Quando você faz um asfalto, você tem que deixar o tempo de ‘cura’ suficiente para o terreno não ceder. Eles não fizeram isso. Aterraram. Não deixaram o tempo (da cura), não socaram. Sem ela (a cura) você coloca o asfalto e ele cede”, justificou o prefeito, referindo-se à vergonha que teria se fosse o empreendedor (seu Mauro). Ele tem razão.

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