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Quarta-Feira, 1 de Abril de 2020
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Publicado em 03/03/20, às 14:55

Fim da folia

A decisão da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que determinou a saída do Hospital das Clínicas do imóvel da CSN, foi publicada no Diário Oficial de quinta, 27. Isto significa que a empresa CFV Serviços Médicos tem 90 dias, a contar desta data, para deixar o prédio do antigo Hospital Vita, ou, se tiver coragem, entrar com um recurso em instância superior para tentar reformar a decisão do TJ-RJ. “O custo (de um recurso em Brasília) é altíssimo”, dispara uma fonte do aQui, defensora da tese de que seria preferível propor um acordo para pôr fim ao imbróglio.
Tem mais. Ela lembra que o problema, caso a CFV decida recorrer da decisão, é que o processo também pode custar caro a Leonardo Annechino Marques – o engenheiro que administra o Hospital das Clínicas (nome-fantasia adotado pelos médicos da CFV). O ‘custar caro’ aqui tem sentido totalmente literal. Não só Leonardo, mas também todos os 150 médicos que fazem parte da sociedade podem ter que desembolsar uma fortuna para sustentar a ação na Justiça contra a CSN, ou, na pior das hipóteses, perder tudo o que já investiram para a criação da empresa.
A explicação é simples: quando a CFV Serviços Médicos foi criada – por decisão judicial – para gerir o antigo Hospital Vita, os médicos investiram, cada um, no mínimo R$ 10 mil na compra de cotas para financiar a nova empresa. Apostavam que tudo daria certo e que poderiam ficar tocando a unidade dali em diante. Ledo engano. Agora, com o acordo da CSN com o ICC (Instituto do Câncer do Ceará,) boa parte dos médicos não estaria mais concordando com a forma de Leonardo gerir o imbróglio. Muito menos com a sua decisão de brigar com a CSN na Justiça.
A insatisfação teria começado a partir do momento que a CSN anunciou a assinatura do acordo com o ICC envolvendo o aluguel do imóvel do hospital. Desde então, a CFV deveria ter iniciado a transição da gestão da unidade para o ICC, mediante um acordo administrativo, sem a necessidade de interferência da Justiça. Mas não foi isso o que aconteceu. O caso foi parar na 4ª Vara Cível, levado pela própria CSN
Em primeira instância, o juiz Roberto Henrique dos Reis – o mesmo que autorizou a criação da empresa (CFV) para assumir o lugar do Vita – indeferiu o pedido da CSN para a desocupação do prédio. Já em segunda instância, os desembargadores do TJ-RJ aceitaram o pedido da CSN e determinaram um prazo de 90 dias para que a empresa CFV Serviços Médicos (e não o Centro Médico) liberasse o imóvel. Até o fechamento desta edição, não havia informações de que o Hospital das Clínicas tivesse recorrido da decisão.

Acordo
Para a maioria dos médicos do Hospital das Clínicas, um novo litígio com a CSN pode causar não apenas um desgaste emocional no corpo clínico mas, principalmente, um prejuízo financeiro para os envolvidos. É que quando a CFV foi criada com a finalidade de assumir a gestão do antigo Hospital Vita, os médicos se cotizaram para a criação da empresa. Alguns investiram valores altíssimos (só um médico teria investido R$ 1 milhão em cotas), outros nem tanto, mas é unânime a preocupação de que um possível litígio resulte num prejuízo financeiro para os cotistas, principalmente para quem comprou poucas cotas.
Para evitar que isto aconteça, os médicos – segundo apurou o aQui – estariam se organizando para marcar uma assem-bleia para destituir Leonardo Annechino da função de administrador do Hospital das Clínicas. A ideia é chegar a um acordo com a CSN, de forma administrativa, para que ninguém – nem os médicos e nem a própria CSN – saia no prejuízo. “A empresa (CFV) não anda bem das pernas, deve a fornecedores, deve salários e ninguém está disposto a se sacrificar ainda mais para enfrentar a CSN em Brasília”, pondera, referindo-se à ação Judicial em instâncias superiores.
Para os médicos, há duas saídas para o problema. A primeira seria obedecer a acatar a decisão da justiça e promover a transição da gestão do hospital, liberando o imóvel no prazo de até 90 dias. O que já teria sido defendido, segundo a fonte do aQui, que pede anonimato, em reunião recente do Conselho de Administração da CFV, formado por cinco médicos-cotistas. “Pelo conselho, o acordo sai”, dispara, aproveitando para esclarecer que apenas os grandes cotistas, no sentido deles, e Leonardo estariam contrários à tese. “Quem investiu muito em cotas da CFV corre o risco de perder muito”, compara.
A segunda saída, que a fonte colocou na mesa, seria a destituição do administrador, o que abriria caminho para que os próprios médicos fizessem um acordo com a CSN ou com o ICC para evitar o prejuízo financeiro. “Tudo ficaria mais fácil e transparente”, sentencia, referindo-se aos boatos que a empresa dos médicos estaria enfrentando problemas.
Outra informação apurada pelo aQui diz respeito à aproximação do ICC junto ao corpo clínico do Hospital. Segundo a assessoria de imprensa do ICC, a diretora administrativa do Instituto do Câncer, Júlia Vieira (ver foto), está em Volta Redonda, como o aQui já noticiou desde o início da pen-denga, para trabalhar na transição do hospital. Em nota, a executiva reiterou o que disse ao aQui (ver edição 1184), que segue aberta ao diálogo com todos os médicos e também com a equipe do HC.
“Já estamos conversando com vários médicos, fornecedores e outras partes interessadas para estabelecer essa transição da forma mais tranquila possível. Todas as conversas que já tivemos têm sido muito produtivas e temos recebido um feedback positivo desses profissionais porque estamos esclarecendo todas as dúvidas e dando a tranquilidade que os profissionais precisam para trabalhar”, disse Júlia Vieira.
Ela voltou a destacar o que Pedro Meneleu, executivo do ICC, disse em entrevista exclusiva ao aQui em janeiro deste ano: que pretende manter a equipe que trabalha atualmente no Hospital das Clínicas, incluindo médicos, enfermeiros, equipe de apoio e outros. “O ICC vai investir na melhor qualidade de trabalho para todos os médicos e profissionais e vai trazer para Volta Redonda tecnologias avançadas para oferecer aos usuários do Hospital o que há de mais avançado na ciência médica, como por exemplo o uso da Inteligência Artificial e parcerias com a gigante americana de tecnologia IBM e com a Universidade de Harvard. Outro objetivo é ampliar o seu campo de pesquisas e residências. Queremos dar aos profissionais de saúde os melhores recursos para que ofereçam um atendimento de qualidade para todos que usam o hospital”, finalizou.

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