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Terça-Feira, 28 de Janeiro de 2020
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Publicado em 23/12/19, às 09:47

Com caixa

Em entrevista a Dário de Paula, na manhã de quinta, 19, o prefeito Samuca Silva garantiu o pagamento do 13º para o dia seguinte, ontem, sexta, 20. Se não ocorresse, por conta do bloqueio das contas do Palácio 17 de Julho, o pagamento, segundo ele, seria feito na próxima segunda, 23. “O décimo terceiro está garantido”, disparou, dando a entender que a prefeitura de Volta Redonda teria dinheiro em caixa suficiente para pagar a folha e ainda o valor da dívida (contraída em 2011) referente à desapropriação da área onde foi construído o Hospital Regional, no Roma, que originou o bloqueio Judicial.
Segundo Samuca, em nenhum momento ele falou que o pagamento do 13º poderia ser comprometido. Poderia apenas sofrer um pequeno atraso, disse. “Quando o juiz determina o bloqueio de R$ 1 milhão e meio, ele vai em todas as contas da prefeitura e bloqueia R$ 1 milhão e meio. Se tiver 150 milhões reais na conta, os 150 milhões serão bloqueados”, exem-plificou. “Mais tarde, o juiz avalia o bloqueio feito e deixa bloqueado apenas o valor de R$ 1 milhão e meio. Só que o comando tanto do bloqueio quanto do desbloqueio demoram até três dias úteis para serem efetivados”, detalhou.
Samuca foi além. Contou que o bloqueio de 100% das contas da prefeitura de Volta Redonda tinha sido determinado pelo juiz Cláudio Gonçalves Alves, da 3ª Vara Cível, na noite de terça, 17. “Deixamos para ver o efeito da decisão na manhã de quarta (18)”, disse, referindo-se ao fato de a ação ter sido colocada em segredo de Justiça. “Não tínhamos acesso ao processo (na terça, grifo nosso)”, disse. “Quando o doutor Augusto, procurador Geral, efetuou a análise (da decisão), nós identificamos”, acrescentou, sem dizer o que achou.
Apesar disso, Samuca não deixou por menos. “O 13º está garantido”, disparou. “Se o desblo-queio das contas ocorrer, amanhã (sexta, grifo nosso) ele estará na conta. Se atrasar por conta do desbloqueio, nós efetuaremos (o pagamento) na segunda (dia 23)”, garantiu. “Volto a dizer: a decisão do juiz não nos contradiz. O ato dele vai ser efetuado (ocorrer) até o dia 19 (quinta), mas o desblo-queio efetivo no banco pode demorar até três dias. Tomara que ocorra amanhã (sexta). O arquivo (do 13º) já foi transmitido para a Caixa Econômica. Com o desbloqueio, vamos ace-ssar a conta e transferir o dinheiro (para os servidores, grifo nosso).
Nesse momento da entrevista a Dário de Paula, Samuca mostrou-se revoltado. “Em nenhum momento a prefeitura falou de décimo terceiro. Isso foi mencionado pela imprensa e por algumas pessoas que querem o passado de volta, o passado do PMDB, da crise, da crise moral, ética, política”, teorizou, politizando a situação.
Embora não tenha citado o nome de nenhum dos seus adversários, como o ex-prefeito Neto, Samuca aproveitou para cutucar seu principal desafeto. “Existe grande diferença entre os dois modelos de gestão, o nosso e o do passado, que é a responsabilidade com o dinheiro público. O décimo terceiro está garantido”, sentenciou, anunciando a seguir, com exclusividade ao programa Dário de Paula (como sempre) como deverá ser feito o pagamento do 13º a partir de 2020. “A partir do ano que vem, um doze avos do 13º será efetuado a partir de fevereiro, então será a antecipação do décimo terceiro. Geralmente nós deixamos para o último mês (dezembro), mas a partir do ano que vem um doze avos, que é permitido por lei, nós colocaremos nos contracheques. Um doze avos a partir de fevereiro, e a segunda parcela até o dia 20 de dezembro (de 2020)”, prometeu.
‘X’ da questão
Aproveitando a entrevista, Samuca explicou que a área do Hospital Regional, no Roma, foi desapropriada por R$ 200 mil. “Era uma prática da gestão municipal passada. Eles desapropriavam por um valor baixinho, e aí os interessados (donos do terreno) entravam na Justiça questionando o valor. A Justiça reconheceu que a desapropriação da prefeitura foi feita com um valor menor de mercado. E aí ocorreu o bloqueio para pagar a diferença”, detalhou. “Imagine só: você tem uma terra que vale mais de R$ 1 milhão e ela é desapropriada por R$ 200 mil. Um absurdo”, avaliou.

Uma obra por dia

Dizendo-se com consciência tranquila de estar trabalhando bem e em paz, Samuca anunciou ainda uma entrevista coletiva para a tarde do dia seguinte, sexta, 20. O evento foi transferido para a próxima sexta, 27, às 10 horas. O que é improdutivo, diga-se de passagem, para os jornais semanais, como o aQui. “Vamos anunciar um grande programa de investimentos para Volta Redonda, para o ano que vem”, disse, revelando apenas o nome do novo empreendimento político. “É o ‘Orgulho de Volta’”, completou.
Como nem sempre consegue manter segredo das coisas que gosta, Samuca acabou dando um pequeno grande detalhe. “A cada dia de 2020 vamos entregar uma obra para o cidadão”, prometeu. “O programa ‘Orgulho de Volta’ vai resgatar esse orgulho (do voltarredondenses, grifo nosso). Isso só é possível após a casa arrumada, a dívida controlada; e vamos avançar. Quem fica olhando o retrovisor não tem espaço comigo; eu olho pra frente, pra frente que se caminha”, teorizou, esquecendo que em boa parte das obras que pretende entregar não poderá estar presente, já que 2020 é ano de eleições e a legislação não permite as famosas inaugurações.

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