Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quarta-Feira, 1 de Abril de 2020
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Publicado em 09/03/20, às 11:01

Bons sinais

Por Roberto Marinho

O ano de 2019 deve ser esquecido pela população de Volta Redonda. Não é para menos. Ele foi o mais violento dos últimos cinco anos, tendo registrado 89 homicídios. Sorte é que a violência começa a dar uma trégua. E que continue assim. De acordo com dados do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro), o número de assassinatos na cidade do aço caiu, quando comparados os dois primeiros meses de 2020 com os do ano passado. Em janeiro, por exemplo, houve apenas dois assassinatos, sete a menos que em janeiro de 2019. Tem mais. Em fevereiro, foram regis-trados 8 homicídios, dez a menos (de um total de 18) que ocorreram no mesmo período do ano anterior.
Em entrevista exclusiva ao aQui, a comandante do 28o Batalhão da Polícia Militar, a tenente-coronel Andréia Ferreira da Silva Campos, que assumiu o comando da corporação no dia 31 de janeiro, comentou a queda nos índices da violência. “Acreditamos que alcançadmos esses números por um trabalho conjunto entre a Polícia Militar, Polícia Civil, guardas municipais e prefeituras dos nossos respectivos municípios (Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral e Rio Claro). Acreditamos também no trabalho dos policiais militares do 28o Batalhão, que não medem esforços para prestar um bom serviço à população”, afirmou a policial, indo além. “Outro fator que julgamos de suma importância é o dinamismo do nosso policiamento, que a todo momento é estudado, de acordo com os números, para que a gente possa prestar um bom serviço”, pontuou.
A tenente-coronel Andréia assumiu o Batalhão do Aço em um momento espinhoso, já que os números da criminalidade em janeiro, embora mostrassem a queda dos homicídios, registravam um aumento de roubos e furtos em geral, comparando com o mesmo período do ano passado. Hoje, a tendência é outra. Em fevereiro, por exemplo, houve queda na violência em todas as modalidades de crimes em comparação com o ano anterior.
Além dos assassinatos, o número de roubos de rua também foi reduzido: foram 30 em 2020, contra 38 em 2019. O roubo de veículos despencou, de 13 em 2019 para três em 2020. O roubo de celulares registrou uma pequena queda: seis em 2020 contra oito do ano passado. Já os roubos de cargas e a residências, vejam só, estão zerados em 2020, contra três e quatro ocorrências em 2019, respectivamente.
Até mesmo o período do Carnaval, que costuma ser repleto de ocorrências, este ano não foi igual àquele que passou. “Com relação ao Carnaval, tivemos uma redução de 50% nos homicídios e 87,5% em relação aos roubos de rua, na comparação entre 2019 e 2020”, afirmou a comandante Andréia. Segundo ela, para dar conta do recado, foi preciso colocar mais policiais em escalas extras para aumentar as áreas monitoradas. “São números bastante exi-tosos, tendo em vista que tivemos vários blocos (de Carnaval), muitos deles com a afluência de mais de 20 mil pessoas na área do 28o BPM. Isso tudo demandou muito trabalho, com policiais militares em escalas extras para que pudéssemos proporcionar um Carnaval com segurança para a população assistida na área do batalhão”, frisou a comandante do Batalhão do Aço.
A tenente-coronel também ressaltou a participação da população que é, segundo ela, muito importante para a Polícia Militar. “As informações do Disque-Denúncia (0800 0260 667) foram fundamentais para a apreensão de armas, drogas e a prisão de marginais na cidade”, destacou, indo além. “Essas ligações para o Disque-Denúncia são muito importantes. Graças a elas, chegamos à prisão de quase 100 marginais no mês de fevereiro e à apreensão de quase 30 armas. Acreditamos muito neste trabalho com a população, e a população está acreditando no trabalho da Polícia Militar”, avaliou na entrevista exclusiva ao aQui.

Ameaças na Água Limpa

Na edição 1185, de 1o de fevereiro, um dia depois da posse da nova comandante do 28º Batalhão, o aQui noticiou que bandidos de Angra dos Reis estariam agindo em Volta Redonda. Seriam integrantes de uma facção criminosa carioca e estariam dominando a parte alta do Retiro, na região da Vila Brasília. Exibindo armas e fazendo festas ao ar livre a qualquer hora do dia, os milicianos estariam, literalmente, ameaçando os moradores. “Estão tocando o terror”, definiu uma fonte do jornal, pedindo anonimato.
Logo depois da sua posse, a tenente-coronel Andréia Ferreira da Silva Campos, afirmou, também em entrevista exclusiva ao aQui, que a P2 (Serviço Reservado da Polícia Militar) já estaria investigando a situação denunciada pelo jornal. Junto a isso, e ainda por conta de uma investigação da Polícia Civil sobre a morte de um jovem da comunidade – que estaria em dívida com os traficantes e teria sido morto por isso -, os bandidos forasteiros deram um tempo e retornaram às praias da Costa Verde. Mas, segundo algumas fontes, eles já estariam ensaiando um retorno triunfal à cidade do aço.
Coincidência ou não, moradores da Água Limpa estariam sendo ameaçados por bandidos. Mas de forma inversa: segundo reportagem do jornal ‘A Voz da Cidade’, em mensagens postadas nas redes sociais, os bandidos estariam ameaçando os moradores caso prestem qualquer tipo de ajuda a bandidos de outras comunidades ou facções. Nem mesmo frequentar bailes em outras comunidades.
“Você que é morador do Morro do Cabrito e está fechando e ajudando esses caras aí, melhor parar enquanto há tempo, porque a cobrança vai chegar sem leme pra qualquer um que esteja acolhendo esses caras”, diz a suposta mensagem dos bandidos, divulgada na íntegra pelo jornal. A mensagem afirma ainda que a Água Limpa “sempre foi e sempre será do Comando Vermelho”, referindo-se à facção de traficantes cariocas.
O Comando Vermelho (CV) sempre foi dominante no Rio de Janeiro, mas, nos últimos anos, por causa da associação do Terceiro Comando Puro (TCP) com o Primeiro Comando da Capital (PPC), a facção estaria tendo seus territórios invadidos em todo o estado do Rio, como pode ser o caso de Volta Redonda. A situação se tornou ainda pior por conta da associação, no Rio de Janeiro, entre o TCP e as milícias, organizações formadas por ex-policiais e bombeiros. Anteriormente, as milícias evitavam entrar no “negócio” do tráfico de drogas. Perderam o pudor e agora se associaram ao TCP para tomar os territórios do CV.
É o que pode estar acontecendo em Volta Redonda, tanto na Água Limpa, onde os bandidos “locais” tentam reagir à invasão, quanto na região da Vila Brasília, onde os forasteiros chegaram a montar acampamento. O delegado titular da 93a DP, Wellington Vieira, ao ser procurado pela reportagem do ‘A Voz da Cidade’, pediu ajuda da população para ajudar a localizar os bandidos, por meio do telefone 197 – o Teia Invisível, disque-denúncia da Polícia Civil.

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