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Segunda-Feira, 6 de Abril de 2020
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Publicado em 09/03/20, às 10:38

‘A população tem que entender’

A frase, que pode ser entendida mais como um ‘desabafo’, foi disparada pelo prefeito Samuca Silva, durante entrevista na manhã de terça, 3, no programa Fato Popular, de Betinho Albertassi, na Rádio 88. Tem tudo a ver. “Desde novembro que não para de chover”, completou Samuca, garantindo que tecnicamente, em Volta Redonda, o nível da chuva teria atingido 398 milímetros. “É a maior ocorrência dos últimos anos”, pondera. “O asfalto está horroroso”, definiu, provando que concorda com todos os motoristas que andam sofrendo horrores para escapar dos buracos nas ruas e avenidas do município. “Tá horroroso, sim, mas a população tem que entender”, reitera.
É claro que o pedido de Samuca não será atendido por todos enquanto a chuva não parar e o serviço de recapeamento puder ser feito. “Haja paciência”, escreveu um deles em uma mensagem nas redes sociais. Outro foi além. Queria saber como poderia receber o dinheiro que gastou para comprar dois pneus novos. “Perdi dois pneus ao cair em um buraco”, escreveu, irritado com a buraqueira e com a prefeitura de Volta Redonda.
Mas Samuca, teimoso como nunca, não desiste e durante a entrevista concedida a Betinho Albertassi anunciou uma ‘operação de guerra’ para eliminar a buraqueira generalizada existente na cidade do aço, que de aço não tem mais quase nada. “Eu estou criando uma coordenadoria de asfalto, que vai reunir todas as pessoas que cuidam disso (de obras por pasta, grifo nosso) em uma mesma coordenadoria para as respostas serem mais rápidas”, pontua.
O prefeito aproveitou para exemplificar o sistema bolado por ele. “A secretaria de Infraestrutura faz a operação tapa-buraco, e nós temos uma empresa terceirizada que faz o asfalto quente. Tem a secretaria de Transporte, que faz a sinalização viária, sinalização vertical e horizontal. Eu estou juntando todas elas em uma única coordenadoria para que o asfalto inicie e termine, que seja feito dentro de todas as previsões. Que não seja mais preciso ficar gerando várias ordens de serviços de diferentes pastas para dar uma resposta mais rápida ao cidadão”, aposta.
Samuca aproveitou ainda para informar que até mesmo a equipe de obras mantidas pelo SAAE, e que sempre deixa buracos abertos quando faz algum reparo na rede, vai ficar subordinada à ‘supercoorde-nadoria’. “Nós dividimos a cidade em cinco regiões, com uma equipe de asfalto frio para cada uma delas. Além disso, vamos ter uma sexta equipe, uma equipe coringa, para atuar nos casos mais rápidos e urgentes”, detalhou, indo além. “Também teremos uma equipe de asfalto quente para atender as intervenções maiores, onde o asfalto frio não aguenta”, completou, explicando a diferença entre os dois tipos de asfalto.
O asfalto frio, segundo Samuca, seria para pequenos e médios buracos. “O asfalto frio é para tapar buracos, não precisa de um tratamento melhor, e a durabilidade dele é menor, mas a resposta é mais rápida. Já o asfalto quente é aquele que você tem que fazer recortar o asfalto, preparar a base para depois asfaltar. A durabilidade é bem maior. Então, nós teremos 6 equipes: 5 equipes sendo uma para cada região, uma equipe coringa e ainda a 7ª equipe, a do asfalto quente, para atuar nos casos mais urgentes”.

Obra da rotatória
Na entrevista a Albertassi, o prefeito voltou a abordar a polêmica obra da rotatória da Rodovia dos Metalúrgicos, pauta de várias reportagens do aQui. No final do ano passado, por exemplo, o chefe do Executivo voltarredondense, depois de achincalhar o serviço feito, chegou a prometer que a prefeitura iria refazer o asfalto entre o trecho do Hospital da Unimed e o Shopping Park Sul, e mandar a conta para o grupo Campos Pereira pagar. Pena que ainda não o fez.
Mas isso não o impede de criticar ‘seu Mauro’, que foi um dos empresários que o ajudou na campanha eleitoral de 2016. “Tá horroroso aquele asfalto (perto da Unimed, grifo nosso), que foi colocado pelo empreendedor (seu Mauro). Não vamos esperar mais. Notificamos o empreendedor e, se ele não fizer, a prefeitura vai realizar”, disparou, reiterando a promessa feita. “Ali não é um erro de fiscalização, é um erro de projeto. Não fizeram a base adequada”, criticou.
Para Samuca, o erro foi grotesco. “No asfalto, você tem que fazer a base, aterrar, deixar ela (a terra) bem firme para que ela não ceda depois com a água. Não deixaram e foi isso que aconteceu”, explicou, voltando a bater na tecla de que o Palácio 17 de Julho acreditou na boa fé do grupo. “O empreendedor deveria nos dar uma contrapartida e a prefeitura pediu a obra de recuperação asfáltica (da rodovia). Não envolveu dinheiro público. Obviamente que o que nós estamos fazendo agora é fiscalizar, multar e pedir pra ele fazer de novo. Se ele não fizer, a prefeitura não vai esperar porque o cidadão que passa ali todo dia é quem sofre e é o prefeito que paga a conta daquela obra mal realizada. Muito mal realizada, por sinal”, sentenciou Samuca. “O processo de fiscalização, a prefeitura fez. Tanto que estamos emitindo multa ao empreendedor e pedindo para ele retomar e fazer a obra novamente. Mas estou afirmando aqui: se ele não fizer, a prefeitura vai fazer e cobrar”, prometeu.
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