Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Publicado em 03/12/18, às 08:37

Vôôôô!!!

Com a crise econômica ainda afetando o bolso dos consumidores e o aumento do desemprego entre a população jovem, em muitos lares os idosos acabam sendo a principal fonte de renda das famílias. Um levantamento realizado em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que deve se repetir nas cidades do interior, como em Volta Redonda e Barra Mansa, revela que 43% dos brasileiros acima de 60 anos são os principais responsáveis pelo pagamento das contas e despesas da casa – o percentual é ainda maior (53%) entre os homens.

 

De modo geral, 91% dos idosos contribuem com o orçamento da residência, sendo que em 25% dos casos colaboram com a mesma quantia que os demais membros da família. Somente 9% não ajudam com as despesas.

 

O levantamento mostra que na hora do aperto os filhos usam o tradicional pedido de socorro aos pais e avôs. “Perdi o emprego e investi o que recebi ao sair da CSN em um negócio que não deu certo. Quebrei e hoje vivo da ajuda do meu pai. ÀS vezes peço ajuda até ao meu avô”, relata Edmilson, que se recusou a fornecer o sobrenome.  

 

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, não é só a crise econômica que explica esses números, mas também uma mudança demográfica e comportamental da população. “Há muitos casos em que a renda do aposentado é a única maneira para sustentar o lar de uma família que perdeu emprego, mas o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e suas atitudes nesta fase da vida também são fatores importantes. Hoje, os idosos são mais ativos, têm mais autonomia financeira e trabalham por mais tempo, seja por necessidade ou porque se sentem dispostos”, explica a economista.

 

Outro dado que reforça a independência financeira de boa parte dos idosos é que 66% não recebem ajuda financeira de parentes, amigos, pensão ou programa social. Há 34% de idosos que contam com algum tipo de ajuda, mesmo que a pensão paga pelo governo Federal não seja lá essas coisas. “Meu pai pagou acima do teto a vida toda e, na hora de aposentar, descobriu que jogou dinheiro fora. “Se aposentou com R$ 2.500, uma merreca”, contou outro voltarredondense. “Bem que ele tenta nos ajudar, mas como?”, indaga.     

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Com a importância dos idosos para o orçamento da casa, muitos acabam emprestando o nome para outros realizarem com-pras. De acordo com o levantamento, pouco mais de um quarto (26%) dos idosos brasileiros já fez empréstimo pessoal consignado em seu nome para emprestar o dinheiro a terceiros. Na maior parte dos casos (17%), o empréstimo foi um pedido de filhos, cônjuges ou outros parentes, enquanto em 9% dos casos o idoso se ofereceu para ajudar a pessoa.

 

Se por um lado o estudo mostra que os idosos são de grande importância para o sustento de seus lares, por outro se observa também que muitos deles apenas conseguem pagar suas contas, sem que haja sobras de dinheiro para realizar um sonho de consumo ou investir. De modo geral, 39% dos idosos brasileiros até conseguem pagar suas contas sem atrasos, mas fecham o mês sem recursos excedentes. Outros 14% nem sempre conseguem pagar as contas e algumas vezes precisam fazer esforço para administrar o dinheiro que recebem e 4% nunca ou quase nunca conseguem honrar os compromissos financeiros. Os idosos em situação financeira confortável, ou seja, pagam as contas e ainda sobra dinheiro, são 42% da amostra.

 

Para manobrar o orçamento, recorrer ao crédito acaba sendo uma saída prática, apesar de arriscada. Mais da metade (51%) dos idosos costuma fazer empréstimos, utilizar cartão de crédito ou cheque especial para pagar as contas e conseguir cumprir compromissos mensais. Recorrer a uma reserva financeira seria a solução mais indicada, mas apenas 39% dos idosos possuem dinheiro guardado.

 

“A reserva financeira é a garantia de que a pessoa terá independência para se reinventar na terceira idade, ampliar suas oportunidades de ser feliz, cuidar da saúde e viver bem. Além disso, se houver imprevisto, será muito menos penoso arcar com o aspecto financeiro se a pessoa tiver um montante guardado. Deve-se tomar cuidado com o crédito fácil oferecido, muitas vezes acompanhado de altas taxas, que favorecem uma compra além da capacidade de pagamento ao longo do tempo”, afirma o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

 

Ao refletirem sobre o padrão de vida que possuem hoje, comparado ao que tinham aos 40 anos de idade, a maior parte (37%) dos idosos considera que piorou, ao passo que 33% avaliam levar uma vida melhor hoje do que no passado. Para 28% a situação permanece a mesma. Em uma escala de um a dez, a nota média que os idosos atribuem para a satisfação com a vida financeira atual é de 6,7 pontos.

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