Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 21/11/17, às 10:03

Vem aí…

Roberto Marinho
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Uma série de medidas e propostas aventadas pelo governo Samuca tem deixado o setor público em polvorosa. Uma delas, uma bomba como o aQui previu, é a elaboração de um PDV (Plano de Demissão Voluntária), que deverá ser oferecido à classe ainda no final de 2017. A intenção, dizem, é reduzir o número de servidores em até 10%. Caindo dos atuais 10 mil – o Palácio 17 de Julho é o maior empregador na cidade do aço – para algo em torno de 8 mil, gerando uma economia ainda não contabilizada. “Será considerável”, avalia Carlos Baía, secretário de Administração do governo Samuca.

Além do PDV, a ideia do governo, relata Baía, é reduzir a carga horária dos servidores que não aderirem ao Plano de Demissão Voluntária. “O prefeito pretende reduzir a carga horária de todos. Vamos trabalhar em meio expediente”, diz o secretario de Administração. “Vamos poder reduzir o consumo do ar condicionado, da energia elétrica, água, café, etc. A princípio pode parecer excesso, mas não é. A economia será grande”, ressalta, informando ao aQui que está concluindo os trabalhos tanto do PDV quanto da redução da carga horária. “A ideia é que o prefeito Samuca Silva possa anunciá-los ainda este ano. No máximo, no início de 2018”, dispara Carlos Baía.

Ele vai além. Diz que os dois planos vão atingir todos os setores da prefeitura de Volta Redonda. “A princípio é para todo mundo”, ressalta, lembrando que os critérios estão sendo avaliados. “Vai depender do tempo de casa (do servidor), da idade, do tempo que falta para ele se aposentar”, enumerou, voltando a frisar que dos atuais 9.700 servidores, a ideia é entrar em 2018 com 10% a menos. “Vamos oferecer um valor (indenização) por tempo de casa”, frisa, dando a entender que o pagamento será parcelado. “O PDV poderá ser interessante para quem tem muito tempo de casa e já pode se aposentar, para quem pensa em abrir um negócio próprio”, explica. Ou seja, Samuca espera que algo em torno de 1000 pessoas se interessem em deixar o Palácio 17 de Julho.

Outra novidade revelada por Carlos Baía é que o recadastramento feito recentemente conseguiu flagrar 800 casos irregulares. O salário dos mesmos foi bloqueado – já não receberam os salários de novembro – enquanto não aparecerem para trabalhar. “Todos estão com o salário suspenso”, disparou.
Auxílio-alimentação

Apesar da pressão, no momento, os servidores esperam com ansiedade o desenrolar da novela que virou o reajuste do Auxílio-alimentação (antiga Cesta Básica). A proposta de Samuca é que o reajuste passe dos atuais R$ 115 para agradáveis R$ 250, valor que deverá constar do contracheque já deste mês, a ser pago entre os dias 27 e 30. Por ele, o benefício deveria ter sido pago já em outubro, para comemorar o mês do servidor público. Não conseguiu, pois não obteve parecer favorável do Sepe (Sindicato dos Profissionais da Educação).

Conforme o aQui publicou na edição passada, a resposta do Sepe foi enviada, mas com ressalvas importantes. Os professores queriam o aumento, mas não concordaram com o fato de os aposentados ficarem de fora do reajuste. “Obviamente queremos um reajuste, mas que seja para todos, sem as mudanças no nome. Se o prefeito não quiser fazer dessa forma, o problema é dele”, disparou um dos diretores.

De fato, está nas mãos de Samuca. Segundo explicou uma fonte de dentro da prefeitura, o próximo passo do prefeito é enviar mensagem à Câmara comunicando as mudanças provo-cadas com a criação do Auxílio-alimentação. “Mesmo com as ressalvas do Sepe, o prefeito pretende manter as propostas apresentadas aos três sindicatos (Sinpro, Funcionalismo e Sepe). Só precisa passar pela Câmara”, explicou a fonte, frisando: “A mudança no contracheque está prevista para este mês”.
PDV
A iniciativa do Palácio 17 de Julho de lançar um PDV para reduzir as despesas com a folha de pagamento e ainda os custos para manter a máquina divide opiniões. Para o vice-presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos, Luiz Fernando Pereira, a ideia da demissão voluntária pode não ser tão ruim. “É sempre a categoria que decide. Eu não posso falar por ela, mas existem pessoas na prefeitura que gostariam de se desligarem, mas não saem por medo de perderem dinheiro. Com o PDV, o empregado ganharia seus 40%”, opinou.

Luiz Fernando faz questão de frisar que o PDV da prefeitura se estende apenas a funcionários que já se aposentaram, mas continuam na ativa. “O medo de ‘aposentar de novo’ que bate nesses funcionários é a perda dos 40%. Caso peçam demissão, sairão sem nada, pois quando aposentaram receberam seu Fundo de Garantia. Como sabemos que há servidores que gostariam de parar de trabalhar, a ideia pode não ser tão ruim. Mas o sindicato é terminantemente contra um PDV para todos, inclusive quem ainda está na ativa”, argumenta.

Para o sindicalista, a intenção da prefeitura de Volta Redonda não é ajudar o servidor, mas, sim, evitar dores de cabeça, além de economizar. “O governo acaba ganhando em economia com uma folha de pagamento menor, um quadro de funcionários mais enxuto e a redução nas reclamações trabalhistas e pagamentos de indenizações. Como essas pessoas são mais idosas, acabam adoecendo com mais facilidade, prejudicando o local de trabalho”, avalia.

Quando questionada sobre o assunto, uma das diretoras do Sepe, Maria da Conceição, afirmou que o sindicato ainda não foi comunicado sobre o PDV e que, por isso, não poderia comentar o assunto, mas lembrou que o ex-prefeito Neto já havia adotado um PDV. E que o resultado não teria sido bom para o servidor. “Um monte de gente pediu demissão da prefeitura, mas depois se arrependeu amargamente. É preciso ter cuidado com esses planos”, comentou, prometendo se inteirar sobre o assunto.

Embora não tenha assumido oficialmente, a prefeitura já andou notificando aposentados que continuam trabalhando a fim de verificar se eles realmente existem. Aconteceu, por exemplo, com a servidora Lucíola S. Ela conta que foi convocada a comparecer na sede dos Recursos Humanos para provar que continua viva e trabalhando. “Foi logo depois do recadastramento. Todos os aposentados estão sendo chamados para comprovar seu vínculo com a prefeitura. Eles dizem que tem gente que abandonou o serviço”, explica.
Também com o objetivo de economizar, a ideia da prefeitura, como o aQui revelou, é reduzir a carga horária. “Eu já trabalhei assim. Sem o horário de almoço. Era tudo mais corrido, só que me sobrava um tempo para resolver coisas particulares”, contou Luiz Fernando. “Mas essa questão não foi comunicada ao sindicato do funcionalismo. Não existe nada oficial”, avisou.

A diretora do Sepe deu a mesma resposta, mas aproveitou a deixa para criticar a negativa do prefeito quando este se recusou a diminuir a carga horária das auxiliares de Educação. “Quando essa reivindicação foi feita ao prefeito Samuca, ele negou, pois significaria contratar mais profissionais, já que a maioria trabalha em creches e salas ficariam desfalcadas. Ele não pode diminuir a carga horária dos demais funcionários, deixando de fora as auxiliares da Educação”, criticou Sãozinha.

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