Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018
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Publicado em 11/12/17, às 09:19

Vá entender!

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Desde que surgiu, o Uber tem causado reboliço. Não é para menos. Com preços bem mais baratos do que os praticados pelos táxis, durante muito tempo os ‘motoristas dos carros pretos’ se tornaram uma alternativa bem mais acessível para os que não dirigem ou querem deixar seus veículos na garagem. Mas, o que antes era uma opção mais aprazível, já que a economia para o usuário girava em até 50%, virou um peso no bolso. E quem não ficar atento corre o risco de pagar mais caro do que uma viagem convencional de táxi.

 

Para o leitor ter uma ideia, um usuário voltarredondense manteve os olhos bem abertos enquanto manuseava o aplicativo em seu smartphone e viu que uma corrida para a capital na manhã de segunda, 4, sairia muito mais em conta se usasse o ‘velho e bom táxi’. Pelo App, informou que iria de Volta Redonda para o Aeroporto Santos Dumont. E, pasmem, descobriu que teria que desembolsar R$ 726,34, enquanto pela Cooperaço a viagem não passaria de R$ 400. “A Uber está cobrando quase o dobro do táxi”, esbravejou, decidindo pesquisar quanto custaria uma corrida até a Barra da Tijuca. Teria que gastar R$ 605,41. Um táxi local o levaria por bem menos: R$ 450.

 

Mas se alguém pensa que só fica mais caro se a viagem for para lugares distantes, se engana. No caso de uma ida a Pinheiral, por exemplo, ir de táxi também ficaria mais vantajoso. Enquanto indo de Uber pagaria R$ 66,27, contratando a Cooperaço ele gastaria R$ 50. O mesmo aconteceu para a Califórnia, em Barra do Piraí. Acionando o motorista pelo aplicativo, ele gastaria R$ 48,88. Pelo modo convencional, o valor cairia para R$ 39.

 

Na tarde de quarta, 6, por volta das 18 horas, uma simples corrida da sede do Clube dos Funcionários para a Rua 156, ambas na Vila, distantes cerca de 600 metros, a ‘corrida de um Uber’ estava saindo por R$ 18. “Um absurdo, fui a pé mesmo”, desabafou a mãe de uma atleta do clube. “Nem quis ver quanto custaria de táxi”, pontuou.    

 

A discrepância de valores passou a acontecer pouco depois de o aplicativo ser atualizado, em novembro de 2017. Desde então, passou a mostrar de saída o valor fechado da corrida, e não mais uma estimativa, além de substituir o alerta de preço dinâmico por um sutil comunicado: “Os valores estão mais altos do que o normal”. Para o leitor entender, vale explicar o que é preço dinâmico. Segundo a própria empresa, a modalidade significa um acréscimo na tarifa em determinados horários quando a demanda por veículos aumenta e a oferta é reduzida.

 

Antes da atualização, ao selecionar o local de saída e o destino, o App mostrava a estimativa do preço da corrida e o multiplicador da tarifa dinâmica, deixando claro quando e quanto o passageiro pagaria mais caro. Com as mudanças, as tarifas estão mais altas em diversos horários do dia e, em alguns percursos, chegam a ser o dobro, segundo passageiros. “A Uber está metendo a mão na saída das boates e salões de festas”, dispara um dos ex-clientes do Uber. “Vou no meu carro mesmo”, ironiza.

 

Na época da atualização, a empresa se defendeu. Explicou em seu site oficial no Brasil que “quando a demanda por viagens aumenta, os preços variam para incentivar que mais motoristas parceiros se conectem ao aplicativo e assim terá um carro sempre que precisar. Se a oferta de motoristas parceiros subir suficientemente (por conta dos maiores ganhos que os parceiros podem ter fazendo viagens nesses locais e horários) e o número de solicitações cair por conta dos preços elevados, os preços voltam ao normal”.

 

Ainda de acordo com a Uber, o mecanismo do Preço Dinâmico ajuda a equilibrar a oferta e a demanda na plataforma. “De um lado, incentiva os motoristas parceiros a estarem disponíveis em uma determinada região e, de outro, ‘desincentiva’ o aumento da demanda momentaneamente com o aumento dos preços, por exemplo, após o fechamento de bares no sábado à noite ou durante uma tarde chuvosa. Assim, nossos usuários podem confiar que não ficarão na mão”, explicou.

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