Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Publicado em 05/02/18, às 08:36

Um bom negócio

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Vinicius de Oliveira

Pode até parecer exagero, mas a impressão que se tem é que existe uma farmácia em cada esquina de Volta Redonda e que a população está mais doente do que nunca. Não é bem assim. “É o único comércio que cresce na cidade do aço”, dispara um dos empresários do setor. Ele tem razão. Nos bairros periféricos e nos grandes centros como Vila, Amaral Peixoto e Retiro, elas estão por toda parte. Só na Avenida Amaral Peixoto, por exemplo, existem mais de 10 farmácias, quase uma em frente à outra. No Aterrado, três grandes unidades foram inauguradas no ano passado.

 

E agora em fevereiro, logo depois do Carnaval, a Rede Economize promete inaugurar mais uma loja de grande porte no coração de Volta Redonda, mais precisamente na Rua 33, que se destaca por concentrar hospitais, clínicas e consultórios médicos. Segundo o empresário Hugo Tavares, a nova farmácia, situada quase em frente à filial de outra grande rede (ver foto), recentemente inaugurada, tem capacidade para atender cerca de 10 mil pessoas por mês. “O cliente contará com quatro vagas para estacionar, estoque variado de medicamentos e perfumaria e pessoal capacitado para atendimento personalizado”, contou Hugo, empolgado, avisando que a nova unidade abrirá as portas (19 de fevereiro) com um grande atrativo para o público. “Todos os remédios estarão com 25% de desconto, no mínimo”, anuncia. 

 

A empolgação de Hugo tem razão de ser. Segundo ele, o mercado farmacêutico apresentou até 2016 um crescimento constante. “A população, nos últimos anos, teve acesso facilitado a tratamentos e as pessoas começaram a buscar uma forma de vida mais saudável. Estão mais cientes da importância de cuidar da própria saúde”, comentou o empresário, salientando que programas do governo Federal contribuíram para a estabilidade do setor farmacêutico. “Subsídios do tipo ‘Farmácia Popular’ garantem oferta de medicamentos de graça ou bem mais baratos para a população, facilitando sua ida às farmácias. Desde que a Drogaria Economize, por exemplo, aderiu ao programa, o número de atendimentos aumentou em praticamente 100%. Tudo isso fez com que o ritmo de crescimento do setor se mantivesse estável”, explicou.

 

Frente a este cenário de bonanças, pode-se dizer que a indústria farmacêutica tem sido, nos últimos anos, um ponto fora da curva em relação ao conjunto da indústria brasileira, que vem apresentando dados negativos desde 2014. Mas não quer dizer que a crise não ameace as vendas de remédios. Segundo Hugo, mesmo sem o registro de prejuízos, 2017 foi um ano difícil até para os empresários do setor. “É claro que a gente sente a crise também, mas nas farmácias ela chega por último. Acontece que remédios são artigos de primeira necessidade. Em tempos de crise, o cidadão corta, a princípio, gastos com carro, casa, vestuário etc, mas as pessoas não podem deixar de se medicar nem de praticar sua higiene. Podemos dizer que no ano passado houve uma estagnação. Não crescemos, mas também não retroagimos”, analisou o dono da Economize.

 

Ainda de acordo com Hugo, as previsões para 2018 são positivas, mas tudo vai depender do governador Luiz Fernando Pezão conseguir tirar o Rio de Janeiro do buraco e se os prefeitos manterão os municípios estáveis. “Falta de pagamento dos aposentados ou atrasos de salários, além do aumento de desemprego, prejudicam o setor farmacêutico como outro qualquer. Caso a situação calamitosa do Rio não se resolva, talvez este ano não registremos crescimento alto. Mas a perspectiva é de estabilidade das contas públicas”, projetou.

 

Quem também faz projeções positivas acerca do setor de medicamentos é Jerônimo dos Santos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Volta Redonda (Sicomércio-VR). Segundo o empresário, a tendência é de crescimento, já que a população brasileira está mais velha e com maior expectativa de vida. “As pessoas estão buscando qualidade de vida e se conscientizando da necessidade de buscar tratamentos para diversas doenças, principalmente, com a prevenção. Com certeza, estamos otimistas. Acreditamos que o setor vai continuar crescendo nessa média entre 3% e 4%”, avaliou.

 

Jerônimo frisou ainda que o número infindável de farmácias espalhadas por Volta Redonda e Barra Mansa só tende a favorecer a vida do consumidor. “Embora a crise econômica seja um fator que inspire cuidados por parte de todos, remédios são itens essenciais, quando a pessoa adoece ou quando ela quer se prevenir. Hoje, entretanto, as pessoas pesquisam mais e, com um mercado mais diversificado, essa concorrência com várias empresas atuantes, elas acabam se beneficiando de descontos e conseguindo um preço melhor”, pontua Jerônimo.

 

De acordo com os dados de cadastro de associados da Ascoferj (Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro), o estado do Rio de Janeiro conta com 5.500 farmácias e drogarias. Já o Sul Fluminense conta com 400 estabelecimentos. Desses, cerca de 120 pertencem às grandes redes, 50 são de médio porte e o restante, cerca de 230, são “independentes”.

Negócio milionário

Em novembro de 2017, segundo a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), entidade que reúne 146 empresas distribuidoras de medicamentos e produtos de higiene pessoal e cosméticos, houve crescimento de 10,8% nas vendas de medicamentos e não medicamentos (HPC) em comparação com o mesmo período de 2016. As vendas totalizaram R$ 440,3 milhões, contra R$ 397,5 milhões do ano passado. Em unidades, o aumento foi de 6%, totalizando 82,2 milhões. Os dados foram apurados pela IQVIA, empresa que é fruto da fusão entre IMS Health e Quintiles, a pedido da Abradilan.

 

De janeiro a novembro de 2017, no canal de distribuição, os associados da Abradilan totalizaram R$ 4,8 bilhões em vendas, 9,2% mais do que os R$ 4,4 bilhões registrados anteriormente em 2016. Foram comercializadas pela Abradilan 926,4 milhões de unidades de medicamentos e não medicamentos no período, um aumento de 5,5% em relação a 2016, quando foram distribuídas 878 milhões de unidades pelo mercado.

 

Segundo o presidente da Abradilan, Juliano Vinhal, esses resultados mostram o crescimento do setor e a importância dos distribuidores da Abradilan, presentes em 95% dos municípios brasileiros, em 23 Estados. No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas Abradilan chegaram a 1 bilhão de unidades comercializadas em todo o país, totalizando um aumento de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2016, que teve a marca de 955 milhões de unidades. Já em valores, as vendas atingiram a marca de R$ 5,2 bilhões, um aumento de 9,4% em relação a 2016, quando chegou a R$ 4,7 bilhões.

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