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Quarta-Feira, 25 de Abril de 2018
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Publicado em 26/03/18, às 10:03

Tosse que mata

tosse

O sábado de hoje, 24 de março, será marcado por ser o Dia Mundial da Tuberculose, data escolhida para alertar a população mundial sobre a doença e seus sintomas. Para o Brasil, a tuberculose é um grave problema de saúde pública. Segundo números do Ministério da Saúde, são notificados anualmente 70 mil novos casos e mais de 4 mil mortes em decorrência da doença.

 No cenário global, são mais de 10 milhões de novos casos e 1 milhão de mortes todos os anos. De acordo com o Ministério da Saúde, o surgimento da Aids e o aparecimento de focos de tuberculose resistente aos medicamentos agravaram ainda mais o cenário. O médico e coordenador da equipe médica do Docway, Dr. Aier Adriano Costa, explica que o principal sintoma da doença é a tosse seca ou produtiva.

“O principal sintoma da tuberculose é a tosse seca ou produtiva. É recomendado que as pessoas que estejam com tosse há três semanas ou mais procurem um médico para que o caso possa ser investigado e a suspeita da doença afastada. Em casos positivos, a doença pode ser tratada corretamente”, comenta. Existem ainda outros sintomas que podem aparecer além da tosse, como a febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço/fadiga.

A tuberculose é transmitida por vias aéreas, a partir da inalação de aerossóis. Ao falar, espirrar e tossir, pessoas contaminadas lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos. Calcula-se que, em um ano, um indivíduo que tenha baciloscopia positiva possa infectar, em média, de 10 a 15 pessoas. Esses bacilos podem se depositar em roupas, lençóis, copos e outros objetos.

O médico explica ainda que a transmissão só ocorre de forma plena enquanto o indivíduo estiver eliminando bacilos. Com o início do tratamento adequado, a transmissão tende a diminuir gradativamente, e após 15 dias de tratamento, chega a níveis baixíssimos, quase insignificantes. Quanto à prevenção, no caso das crianças, existe uma vacina chamada BCG (Bacillus Calmette-Guérin), ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Outra maneira de prevenção é identificar o que chamamos de ‘infecção latente de tuberculose’, que geralmente acontece quando uma pessoa convive com alguém que tem a doença. Se esse for o caso, o recomentado é procurar um médico para que ele possa prescrever o tratamento e prevenir que a pessoa adoeça”, finaliza Dr. Aier Adriano Costa.

 

Desafio nas prisões 

Apesar de ter registrado 14 mil novos casos em 2017, a tuberculose ainda é vista por muitos como uma doença do passado.  Atualmente a taxa de mortalidade da doença é de 4 para cada 100 mil habitantes, e ela atinge principalmente homens, que representam 67% dos casos notificados. O abandono do tratamento ainda é o maior desafio enfrentado pelos profissionais de saúde para conter o avanço da doença.
Com o objetivo de auxiliar os municípios no combate ao abandono do tratamento da doença, a secretaria de Estado de Saúde realizou na terça, 20, o seminário “Tuberculose em Foco: um desafio para o estado do Rio de Janeiro”.

O evento, que marcou o Dia mundial de luta contra a tuberculose (24/03), reuniu representantes das secretarias municipais de saúde no auditório do Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (LACEN), e também firmou uma parceria com a secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), para identificar os pacientes contaminados antes da entrada no sistema prisional.

“A população carcerária ainda é um grande desafio no combate à doença. Os ambientes possuem pouca ventilação e muitos dos pacientes já entram infectados no sistema. Junto com a SEAP vamos trabalhar para que o diagnóstico da tuberculose seja feito antes da inserção do indivíduo no sistema. Assim o tratamento é iniciado, reduzindo as chances de contaminação”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior.
A transmissão da doença ocorre quando uma pessoa com tuberculose pulmonar, que esteja em fase de transmissão, permanece por tempo prolongado em ambiente com pouca ventilação e sem entrada de sol, em contato com pessoas que não estão doentes. Toda tosse que durar mais de três semanas deve ser avaliada. É importante que o paciente procure o posto de saúde mais próximo de sua casa para passar por uma consulta. O tratamento é feito na rede pública de saúde e é composto por quatro medicamentos diferentes, que são ingeridos juntos, uma vez por dia.

“O tratamento da tuberculose é longo, com duração mínima de seis meses, e é muito importante que não seja interrompido. É preciso conscientizar a população, pois o abandono da medicação pode levar ao retorno da doença, com uma forma mais resistente. A tuberculose tem cura e o diagnóstico precoce é fundamental, tanto para o melhor tratamento para o paciente, quanto para reduzir a possibilidade de que mais pessoas sejam contaminadas”, reforçou o secretário.

O Rio de Janeiro tem um histórico recorrente de altos números de casos de tuberculose devido às características demográficas, a alta densidade populacional e baixa condição socioeconômica das localidades. “A situação da tuberculose no estado do Rio pode ser explicada pela alta densidade demográfica, já que a convivência muito próxima por tempo prolongado facilita a infecção. Mais de 86% dos casos está concentrada na região metropolitana”, explicou o subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe.

 A doença
 A tuberculose é uma doença infectocontagiosa, causada pelo Mycobacterium tuberculosis – Bacilo de Koch -, e afeta principalmente os pulmões, sendo também possível acometer outros órgãos e sistemas do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). A forma pulmonar é a mais frequente (cerca de 89 % dos casos) e a responsável pela transmissão da doença. Ao final do tratamento, a pessoa está curada, mas já ao final da segunda semana, com poucas exceções, ela deixa de transmitir a doença. Para prevenir as formas graves da doença, é necessário imunizar as crianças no primeiro ano de vida com a vacina BCG. É importante também evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar por tempo prolongado. A tuberculose não é transmitida por objetos compartilhados, como copos, talheres e pratos.

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