Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Publicado em 22/10/18, às 10:05

Tiro certo

A vitória do juiz federal Wilson Witzel no primeiro turno foi uma grande surpresa para a maioria dos voltarredondenses, barramansenses e fluminenses. Afinal, Witzel saiu de 1% da intenção de votos para impressionantes 41,28% dos votos válidos, ficando à frente do favorito Eduardo Paes (DEM) com seus 19,56%. O que pouca gente sabe é que a campanha do ilustre desconhecido teve dedo de um jovem de Volta Redonda: Tiago Martins, que durante anos foi braço direito de Ubirajara Vaz na poderosa Associação dos Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda. “Era ele (Tiago) quem mandava”, alfineta um dos analistas da vida política local. 

 

Ao deixar a AAP-VR, assunto que nem gosta de comentar, Tiago foi convidado pelo prefeito de Resende, Diogo Balieiro, a assumir a secretaria de Administração da cidade, onde ficou até junho de 2017. Retornou à cidade do aço, onde passou a tocar seu próprio negócio e, principalmente, a fazer política, tendo assumido a direção do diretório municipal do PSC, o partido dos peixinhos. 

 

Outro detalhe importante: Tiago deveria ter sido lançado como candidato a deputado estadual pelo PSC do juiz federal Wilson Witzel. Desistiu da candidatura ao aceitar um convite para tocar um projeto que nem ele imaginava que fosse acontecer de forma tão avassaladora: ser o coordenador da campanha do partido dos peixinhos de Witzel em todo o Sul Fluminense. E deu no que deu.

 

Hoje, sem tempo para descansar, Tiago continua tocando o barco. Mas teve tempo para conversar com o aQui sobre a campanha do juiz Wilson e sobre os boatos de que, com a vitória, poderá ser chamado para ocupar um cargo no futuro governo Witzel. Situação que ele descarta desde já. “Ele não assumiu e não tem nenhum compromisso comigo e com ninguém da nossa região”, destaca Tiago.

Veja a seguir a íntegra da entrevista com Tiago Martins. 

aQui: A vitória do juiz Wilson Witzel no primeiro turno foi por conta da onda bolsonarista ou teve algo mais?

Tiago Martins: Acredito que o motivo maior que deu a vitória ao Wilson Witzel foi a vontade do povo. Sem dúvida estamos vivendo um novo momento. As urnas mostraram isso para a Alerj e para o Congresso Nacional. Mas com certeza o fato do senador eleito Flávio Bolsonaro ter caminhado com o Wilson, principalmente na Baixada, foi um ponto positivo para essa vitória no primeiro turno. Creio que os debates foram também de importância enorme para os eleitores conhecerem o Wilson, já que não tínhamos tempo de TV suficiente para que ele apresentasse as propostas e o eleitor o conhecesse.

 

aQui: Como coordenador da campanha do juiz Wilson no Sul Fluminense você já esperava vencer em todas as cidades da região? Qual mais lhe agradou? 

Tiago: Na verdade, a coordenação fica no Rio, e é composta com os assessores do Wilson e todo o staff do PSC, Pastor Everaldo e o Filipe Pereira, entre outros. Sou apenas um colaborador da campanha do Wilson. Não tínhamos e nem temos recursos, mas utilizamos as redes sociais e o diálogo com formadores de opiniões e a população num todo para alcançar essa vitória. A felicidade com a vitória em todo o Sul Fluminense é enorme. Ele ter alcançado 61.671 votos em Volta Redonda, minha cidade, o que representa 42,7% dos votos válidos, sem dúvida nos deixa mais felizes ainda.

 

aQui: Como analisa a campanha do Furtado e por que a Cristina Bolsonaro não teve a mesma aceitação junto aos eleitores?

Tiago: O tsunami Bolsonaro passou também em nossa região. O delegado Furtado vem desde o final da última campanha para prefeito, que ele disputou em 2016, trabalhando para obter essa vitória. As urnas mostraram que ele trabalhou muito bem e, com certeza, essa insegurança que o cidadão do Sul Fluminense tem passado contribuiu para que ele, sendo delegado, também tivesse impulsionada sua campanha. Desejo que Deus ilumine os passos dele na Câmara dos Deputados e possa ter um mandado com êxito. Entendo que o fato da família Bolsonaro ter deixado claro os seus candidatos no Estado e não aparecer a Cristina como uma das opções do clã Bolsonaro, mesmo usando o sobrenome, o efeito não alcançou o que ela esperava. 

 

aQui: O juiz terá tempo para visitar a região antes do dia 28? Que dia virá e por onde vai passar? 

Tiago: Serão de 4 a 5 debates, teremos as entrevistas para rádios e jornais em 20 dias. Muito pouco tempo para ele percorrer o estado no segundo turno. Mas ele frisou que quer visitar e intensificar no Sul Fluminense. Os assessores que estão cuidando da agenda dele estão trabalhando para uma visita a Volta Redonda. Estamos aguardando para fazer a recepção que ele merece.

 

aQui: É verdade que se o juiz vencer, você poderá assumir a pasta de secretário de Administração?

Tiago: Conheci o ex-juiz Wilson Witzel em março do ano passado na sede do PSC do Rio de Janeiro. Tive algumas reuniões com ele e participei de alguns eventos de pré-campanha e campanha. Em momento algum falamos de cargos. Não houve essa conversa nem mesmo com o pastor Everaldo, presidente Nacional do PSC e nem com o Filipe Pereira, presidente da executiva estadual e secretário Nacional do PSC. Todas as conversas foram em torno de propostas e ideias para que possamos reverter esse quadro que estamos vivendo no estado do Rio. Ele não assumiu e não tem nenhum compromisso comigo e com ninguém da nossa região.

 

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