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Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019
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Publicado em 07/01/19, às 08:39

Terra sem lei

Wilson Witzel entre o coronel Rogério Figueredo de Lacerda e o delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga

Por Roberto Marinho

O ISP (Instituto de Segurança Pública), órgão ligado à secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, que faz o monitoramento dos dados da violência em todo o território fluminense, acaba de divulgar o seu relatório sobre os crimes e as ocorrências policiais de janeiro a novembro de 2018. Só não teve o tratamento que merecia pela posse tanto do presidente Jair Bolsonaro quanto do governador Wilson Witzel. Mas deveria. Por um pequeno grande detalhe: no Sul Fluminense, em especial em Volta Redonda, os números não são nada animadores. Muito pelo contrário. Os homicídios, por exemplo, aumentaram 21,4% em relação ao mesmo período de 2017. Foram 12 assassinatos a mais, passando de 56 para 68 vítimas. 

 

Mas não foram apenas os homicídios que aumentaram. Todos os chamados indicadores estratégicos – letalidade violenta (homicídios dolosos, lesões corporais seguida de morte, latrocínio e auto de resistência), além de roubo de rua e roubo de veículos – apresentaram aumento em Volta Redonda. No caso da letalidade violenta, o aumento foi significativo: de 36,2%, o que representou 21 mortes a mais em 2018.

 

Um dado que chama atenção é o aumento astronômico das mortes por intervenção de agente do Estado – ou seja, pessoas mortas por policiais –, que aumentou 700%. Em 2017, até novembro, só uma pessoa teria sido morta por policiais na cidade do aço. No mesmo período de 2018, foram oito. Há que se registrar ainda que nos dois anos – 2017 e 2018 – nenhum policial civil ou militar morreu em serviço.

 

Entre os outros crimes, que compõem a letalidade violenta, o aumento não foi tão expressivo assim: em 2018 houve uma vítima de lesão corporal seguida de morte, e nenhuma vítima no ano anterior. Neste caso, o aumento percentual foi de 100%, mas em números absolutos, o dado não causa espanto. Em relação ao latrocínio, a situação é a mesma: houve uma vítima em 2017, e duas em 2018, também com aumento de 100%, mas que, em números absolutos, não chama tanta atenção.

 

No caso do roubo de veículos, houve aumento: foram 45 até novembro de 2017 contra 49 em 2018, com um aumento de 8,9%. Já os furtos de veículos, quando o carro é levado sem a presença da vítima, eles passaram de 193 para 232, o que corresponde a um aumento de 20%. Ou seja, não se pode dar bobeira em nenhum canto da cidade do aço. Completando os indicadores estratégicos, os roubos de rua (roubo a pedestre) passaram de 361 em 2017 para 374 até novembro de 2018. E pode aumentar, considerando as festas de fim de ano, quando os larápios ficam bem espertos.  

Roubo a residências aumentou 233%

O ISP mostrou também que outros tipos de crimes, que não compõem os indicadores estratégicos, mas que repercutem muito junto à população, também registraram aumentos alarmantes. É o caso das tentativas de homicídio, que passaram de 86 em 2017 (até novembro) para 98 no mesmo período de 2018, um crescimento de 14%. O número de roubos a residência também foi expressivo, passando de três para 10, no mesmo período, o que equivale a um aumento de 233,3%. O percentual vai aumentar, pois na última semana, bandidos entraram em uma casa no Laranjal, bairro de classe média alta, e fizeram uma família de refém.    

 

O roubo em coletivos saltou de três em 2017 para 11 em 2018 (até novembro), ou seja, com um aumento de 266,7%. A sensação de insegurança nas ruas pode ser explicada, por exemplo, pelo número de furtos a transeuntes – quando a vítima não percebe que foi roubada, pelos conhecidos ‘batedores de carteira’ – que passaram de 113 para 151 (aumento de 33%) e de furtos de bicicleta, que passaram de seis para 11 em 2018 (aumento de 83,3%). A pessoa estaciona a bicicleta e, quando retorna, descobre que vai ter que voltar para casa a pé. Também é saudável e barato, mas o prejuízo dói no bolso e na cabeça.

 

Os crimes de ameaça (570 para 751 – 31% a mais), lesão corporal dolosa (532 para 783 – aumento de 47,2%) e estelionato (378 para 417 – crescimento de 10,3%) também aumentaram expressivamente.

 

A impressão que se tem – e que é recorrente, lembrando outros períodos da segurança pública no Estado do Rio – é que quando a repressão aumenta na capital, o que faz com os números de lá diminuam (fato comemorado pelas autoridades), os bandidos fogem para o interior, buscando principalmente locais com maior circulação de dinheiro, como é o caso de Volta Redonda. O resultado é sentido na pele pela população, que passa a ter medo de fazer coisas corriqueiras, como andar a pé ou relaxar em casa, sem medo de dar de cara com os bandidos.    

Queda de alguns índices

Mas nem tudo são más notícias, já que alguns índices apresentaram queda, como é o caso dos roubos a estabelecimentos comerciais, que caíram de 59 em 2017 para 23 em 2018, com queda de 61%. Os estupros também registraram uma (pequena) queda, de 58 para 50 ocorrências, no período analisado, o que representa uma diminuição de 13,8%. As ocorrências de extorsão caíram de 15 para oito (queda de 46%) e os roubos de carga foram reduzidos de nove para quatro, com uma diminuição de 55%. Até os furtos de celular caíram: de 147 em 2017 para 122 em 2018, o que representa uma diminuição de 17%.    

 

O engraçado é que no período divulgado pelo ISP não houve nenhum roubo a caixa eletrônico em Volta Redonda. O privilégio ficou para cidades vizinhas, como Itatiaia, Barra do Piraí e Resende, terra da Aman, da família Bolsonaro. 

Em Barra Mansa, tudo manso

Se em Volta Redonda a situação da segurança pública é alarmante, em Barra Mansa a situação é, acreditem se quiserem, muito mais tranquila. Com pouquíssimas exceções, todos os índices apontaram a criminalidade em queda. Entre janeiro e novembro de 2017 e o mesmo período de 2018, o número de homicídios caiu 23,8%, com 42 e 32 mortes em cada ano, respectivamente.

 

Os chamados índices estratégicos – letalidade violenta (homicídios dolosos, lesões corporais seguida de morte, latrocínio e auto de resistência), roubo de rua e roubo de veículos – também apresentaram queda, em uma média de 25% para os últimos dois, e de 18% para a letalidade violenta. Nesse último quesito, o único número que subiu foi o de mortos por intervenção de agente do estado (mortos por policiais, o antigo auto de resistência, grifo nosso), que teve quatro ocorrências em 2018, e nenhuma em 2017. Assim como em Volta Redonda, não houve registro da morte de policiais civis ou militares em confronto com bandidos em Barra Mansa nos últimos dois anos.      

 

Outro dado que chama atenção na cidade é a queda brusca (55%) de vítimas fatais no trânsito: foram nove vítimas entre janeiro e novembro de 2018, contra 20 no mesmo período de 2017. Os estupros também tiveram uma queda de 27%, com 48 vítimas em 2017, contra 35 em 2018.  

 

Entre os índices que tiveram crescimento, no topo da lista está o roubo de cargas, com aumento de 150% (aumento de 4 para 10 registros), roubo a residência, que teve 40% ocorrências a mais em 2018 (5 para 77 ocorrências no período analisado), e roubo a estabelecimentos comerciais, com crescimento de 26,7% (30 para 38 casos).

 

Volta Redonda poderá ganhar delegacia de homicídios

O governador Wilson Witzel participou na quinta, 3, das cerimônias de posse dos secretários da Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda, e da Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga. No evento, ele anunciou o aumento do patrulhamento no Rio de Janeiro para reduzir os índices criminais e a nomeação de mais 180 profissionais para a Polícia Civil. “A ideia é melhor dimensionar as políticas públicas na área de Segurança, integrando todas as instituições. Para aumentar ainda mais a nossa capacidade de trabalho, vamos nomear 180 novos integrantes para a Polícia Civil. Também criaremos mais escolas militares e um programa habitacional para facilitar e melhorar a vida de nossos PMs”, afirmou.

 

Para o secretário da Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo, a nova pasta ampliará as possibilidades de ações e poderá gerar mais autonomia à corporação. A primeira ação da pasta será aumentar o policiamento ostensivo do Rio de Janeiro (na capital, grifo nosso).

 

“Esta mudança nos oferece um protagonismo maior, tanto na formulação de políticas públicas de segurança quanto na condução dos rumos de nossa corporação. Somos responsáveis por gerir os recursos públicos destinados à recém-criada secretaria estadual. Caberá a nós a atribuição técnica e política de fazer gestões das mais diferentes esferas. Vamos combater o roubo de veículos, de rua e de carga. Esse é o nosso primeiro comprometimento com a sociedade fluminense”, ressaltou.

 

 Já o secretário da Polícia Civil, Marcus Vinicius Braga, aproveitou para anunciar algumas ações, como a criação do Departamento de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro. A Divisão de Homicídios terá status de departamento. O Departamento Geral de Homicídios e Proteção a Pessoa criará ainda duas delegacias, uma no Norte Fluminense e outra no Sul Fluminense, que deve ficar sediada em Volta Redonda.

 

“Este departamento contará com 10 delegados e 80 policiais civis e funcionará no prédio da Secretaria da Polícia Civil. O espaço terá todo o aparato e recursos técnicos e tecnológicos para tirar de vez de circulação os corruptos do estado do Rio”, disse.

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