Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 02/05/17, às 16:51

Subindo a serra

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Na quarta, 26, os voltarredondenses estavam sendo chamados, pelas redes sociais e por outdoors espalhados pela cidade do aço, a participar no dia seguinte (quinta, 27) da 1ª Conferência da Mobilidade Urbana Sustentável. Tudo muito verde. Só que, a milhares de quilômetros, três prefeitos da região, mais o deputado federal Deley de Oliveira, que não são filiados ao PV e nem devem ser simpatizantes da legenda, tratavam de algo do gênero. Que se sair do papel – e pode sair, é bom que se diga – vai deixar Samuca Silva morrendo de inveja. Nada mais, nada menos, que a construção de uma ciclovia ambiental de 120 kms de extensão, ligando Barra Mansa, Rio Claro e Angra Reis. 

 

“Essa área poderá receber a maior ciclovia ambiental e turística do Brasil”, pontuou Rodrigo Drable, de Brasília, onde estava acompanhado do vereador Daniel Maciel. Ele estava se referindo à área da antiga linha férrea da FCA que ligava Barra Mansa a Angra dos Reis, passando por Rio Claro, e que hoje está abandonada. “Nós nos associamos para negociarmos com o Dnit a concessão da área da ferrovia que liga Barra Mansa a Angra, passando por Rio Claro”, explicou o prefeito de Barra Mansa. 

 

Rodrigo Drable, Fernando Jordão (prefeito de Angra) e Zé Osmar (prefeito de Rio Claro) estiveram na sede do Dnit na tarde de quarta, 26, acompanhados de Daniel Maciel e ainda Vinícius Corrêa, secretário de governo de Angra dos Reis. Foram levados pelo deputado federal Deley de Oliveira (ver foto), e saíram animados da reunião que mantiveram com Charles Magno Beniz, que é diretor de ferrovias do Dnit, e Dinarte Vaz, diretor da secretaria de Patrimônio da União (SPU). “A ferrovia foi abandonada pela VLI (antiga FCA) e esta empresa já manifestou interesse em devolver à União o trecho de Barra Mansa a Angra dos Reis. Como existe a MP 572 (ver box) nós estamos pleiteando essa área para o consórcio que criamos”, justificou Rodrigo.      

 

O prefeito de Barra Mansa vai além: lembra que no trecho da antiga ferrovia existem quatro estações em estado de abandono, sendo duas em seu próprio domínio. As outras estão em Rio Claro. Já as de Angra dos Reis, segundo Rodrigo, estão em uso, sendo mantidas e conservadas pela prefeitura local já há vários anos. “Esse trecho poderá receber a maior ciclovia ambiental e turística do Brasil”, diz, sem falsa modéstia. “São aproximadamente 120 km com inclinação mínima, passando pela maior reserva preservada de Mata Atlântica”, acrescenta.

 

Ele tem razão. “A expectativa é que a ciclovia gere mais de 500 empregos diretos e indiretos nas três cidades e movimente o comércio, com a instalação de lojas e restaurantes, além da rede hoteleira, que certamente terá interesse em se instalar no trecho da ciclovia”, pontua. “A pista será de uso compartilhado”, acrescenta, garantindo ainda, de forma exclusiva, que, além da ciclovia ambiental, o consórcio formado pelos três municípios poderá incluir no projeto áreas para caminhadas. “Só não vamos permitir o uso de veículos a combustão. Teremos áreas de caminhadas, corridas, etc.”, pontua, concordando que até mesmo torneios rurais terão espaço na área. “Serão alvo de projeto de captação de recursos através de leis de incentivos para que as áreas sejam retomadas”, explicou, referindo-se à MP 752. 

 

Como o projeto ainda é embrionário, os três prefeitos  não fazem ideia do volume de recursos que serão necessários para tocar um projeto tão ambicioso como o da construção da maior ciclovia ambiental do mundo. “Na verdade, ainda não há estimativa de custos, pois o primeiro passo é conseguirmos a área”, disse. “Nós contamos com o apoio do Deley para nos ajudar a realizar esse sonho”, disparou. Que assim seja!

 

MP 572

A Medida Provisória 752/16 autoriza a prorrogação e a relicitação de contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário. As regras são restritas aos empreendimentos federais que fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pela Lei 13.334/16. O objetivo da MP, segundo o governo, é viabilizar a realização de novos investimentos em concessões existentes no setor de transporte. A prorrogação será usada nas concessões que estão funcionando. Já a relicitação será aplicada quando houver problemas na execução dos contratos de parceria.

 

Ciclovia gigante  

No final do ano passado, a Alemanha liberou para uso um trecho de quase cinco quilômetros de uma nova rodovia gigante e exclusiva para bicicletas, a Radschnellweg. Quando finalizada, a ciclovia terá 100 quilômetros e conectará 10 cidades e quatro universidades localizadas no distrito de Ruhr, no noroeste da Alemanha. Com isso, o governo espera tirar 50 mil carros das vias da região diariamente e incentivar ainda mais pessoas a adotarem a bicicleta como meio de transporte.

Segundo estudos, cerca de dois milhões de alemães vivem até 1,5 km distantes da nova ciclovia. E para finalizar a construção da rodovia para bicicleta, serão necessários cerca de R$ 780 milhões.

A maior do mundo

Prestes a completar o seu 150º aniversário, o Canadá pretende inaugurar ainda este ano uma ciclovia que corta o país de ponta a ponta. A construção começou em 1992 e já conta com 12.905 milhas de comprimento (20.768 quilômetros, aproximadamente), ou seja, 208 vezes mais do que a ciclovia alemã, a Radschnellweg. Na verdade, é a mais longa/maior rede de trilhas recreativas do mundo. Até agora, mais de 87% da trilha está completa, e já se conecta às principais cidades do Canadá. Embora não seja uma ciclovia no sentido tradicional, é exclusivamente designada para fins recreativos e só permite bicicletas e pedestres no verão, sendo que no inverno é usada para cross country skiing e snowmobile. É mole?

Ciclovia aérea

No início de 2017, o governo chinês inaugurou na cidade de Xiamen, no sudeste da China, a primeira ciclovia aérea do país e a maior do mundo em extensão. A via é composta por quatro pistas de 4,8 metros de largura, que se estendem por 7,6 quilômetros, cobrindo as principais áreas residenciais da cidade e três grandes zonas comerciais. Para facilitar os deslocamentos, a ciclovia é conectada a 11 estações de ônibus e outras duas dão acesso ao metrô.

Para quem não tem uma bicicleta, o sistema dispõe de 355 magrelas para alugar e 253 vagas para estacionamento, em sete plataformas. E grande parte do caminho passa por baixo da via elevada usada pela linha de ônibus de transporte rápido da cidade (semelhante ao famoso fura-fila de São Paulo), o que garante proteção nos dias chuvosos. A ciclovia, que ainda está em fase de testes, deverá comportar até 2 mil viagens de bicicleta por hora.

 

Ferrovia Barra Mansa – Angra dos Reis

A linha férrea entre Barra Mansa e Angra dos Reis foi inaugurada no final da década de 1920, para levar produtos até o porto de Angra, e já foi uma das mais movimentadas do país. Era também a via utilizada pela CSN, em Volta Redonda, para escoar os seus produtos através do porto de Angra dos Reis.  

Em 2015, as prefeituras de Barra Mansa, Rio Claro e Angra dos Reis pediram à ANTT o fim da concessão para a FCA (Ferrovia Centro Atlântica). O trecho está desativado desde 2009 e a proposta era integrar a linha férrea – hoje deteriorada, com trilhos arrancados e estações abandonadas – à malha urbana, já que a ferrovia corta alguns bairros de Barra Mansa e Rio Claro, e o fim da estrada de ferro poderia melhorar as condições da mobilidade urbana.     

No total, o trecho entre Angra e Barra Mansa tem 108 quilômetros. As estações são: Angra dos Reis, Jussaral, Lídice, Rio Claro, Getulândia, Antônio Rocha e Barra Mansa.

Histórico

A estação de Angra dos Reis foi inaugurada em abril de 1928, como parte da Estrada de Ferro Oeste de Minas (Efom). O prédio original era um barracão de zinco, na Praia do Anil. O atual – em alvenaria – foi inaugurado em 1956. O tráfego de passageiros até Angra foi extinto em 1980, mas alguns trens turísticos  (Trem da Mata Atlântica)  continuaram operando entre Angra e Lídice de 1992 a 1996, quando a linha foi privatizada, passando a transportar só cargas.

Em dezembro de 2002, fortes chuvas causaram um deslizamento de terras e a via foi interrompida. Os trens de carga pararam de circular até 2005, quando a linha foi reparada e voltou a funcionar até 2009. Atualmente é inoperante.

 

Jussaral (Angra dos Reis) – A estação de Jussaral foi inaugurada em 1925, tendo sido ponta de linha até a inauguração da estação de Angra dos Reis, três anos depois. A estação está hoje em ruínas. Na época, era a única estação com linha dupla para cruzamento dos trens.

 

Lídice (Rio Claro) – A estação de Capivary foi inaugurada em 1910, tendo sido “ponta de linha” até a inauguração da estação de Alto da Serra, onze anos depois. Antes do nome Capivary teve o nome de Vila Parado e nos anos 1940 passou a se chamar Lídice. Atualmente a estação está abandonada.

 

Getulândia – A estação de Capelinha foi inaugurada em 1924, e teve o nome alterado para Getulândia nos anos 1930. O prédio da estação vem sendo utilizado como moradia.

 

Alto da Serra (Rio Claro) – A estação de Alto da Serra foi inaugurada em 1921. Funcionou inicialmente em um vagão e depois foi construído um prédio em alvenaria. Atualmente está abandonada e foi depredada, perdendo o madeiramento das portas e janelas.

 

Rio Claro – A estação de Rio Claro foi inaugurada em 1897, tendo sido “ponta de linha” até a inauguração da estação de Lídice, 13 anos depois. Chamou-se, por um tempo, Itaverá. O local – o prédio não é o original de 1897 – está abandonado.

 

 

Antônio Rocha – A estação de Antônio Rocha foi inaugurada em 1897. Atualmente está abandonada.

 

Barra Mansa – A estação de Barra Mansa foi aberta em 1897. O prédio atual da estação foi construído em 1975. Foi uma estação de grande movimento de passageiros e cargas e dali parte um ramal para a CSN, em Volta Redonda.

 

 

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