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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Publicado em 12/03/18, às 09:39

‘Sopa pro azar’

Roberto Marinho

A febre amarela não é brincadeira. Desde o início do ano já matou 51 fluminenses dos 112 casos que foram registrados até agora. Ou seja, quase a metade dos doentes morre, o que mostra o alto grau de letalidade da doença. Mas parece que muita gente não está nem aí pra ela. Tanto que no último ‘Dia D’ de vacinação, realizado pela secretaria estadual de Saúde, das 500 mil pessoas que deveriam se vacinar, apenas 250 mil atenderam ao chamamento. Estão dando sopa para o azar.

 

Em Volta Redonda a situação, embora as autoridades teimem em dizer que está sob controle, também é preocupante. Oficialmente sabe-se que até a última terça, 6, a prefeitura já tinha vacinado 192.010 pessoas, desde o ano passado. Como a meta da secretaria de Saúde é vacinar 225 mil pessoas, pode-se dizer que 32.990 moradores estão correndo o risco de contrair febre amarela.

 

E é bom que os cerca de 33 mil “sem vacina” procurem logo um posto de saúde. Os números da Vigilância Epidemiológica de Volta Redonda mostram que existem 21 casos de pacientes que estão sob suspeita de terem contraído a febre amarela. Outros três casos foram confirmados, mas não há o registro de nenhuma morte.    

 

A preocupação é ainda maior porque nas últimas semanas foram encontrados quatro macacos mortos pela doença dentro de Volta Redonda, nos bairros Siderlândia, Santa Cruz, Voldac e Siderópolis. Isso comprova que o vírus da febre amarela já está circulando nos limites urbanos da cidade do aço, e deixou de ser doença para se pegar “no meio do mato”.

 

Para entrar no chamado “ciclo urbano” da febre amarela – maior temor das autoridades de Saúde – basta que uma pessoa infectada com o vírus seja picada pelo Aedes aegypti. O polivalente mosquito, que já transmite dengue, zika e chikungunya, passa também a transmitir a febre amarela. Como o vírus passa para os ovos da mosquito fêmea, todos os novos mosquitinhos nascem já infectados com a febre amarela.

 

Basicamente foi isso o que disse – em entrevista aos telejornais – o subsecretário estadual em Vigilância e Saúde do Rio, Alexandre Chieppe. Ele alerta que a região que mais preocupa é justamente o Médio Paraíba, citando Volta Redonda e Itatiaia, além da Ilha Grande.  “Existe o risco de urbanização da doença, que a gente consegue evitar vacinando a população. Hoje a região mais crítica é a Ilha Grande e a região do Médio Paraíba, com Volta Redonda e Resende, até por conta do surto em Minas Gerais”, disse Chieppe, que completou: “A gente viu claramente a descida do vírus (para o Médio Paraíba, grifo nosso) ao longo das últimas semanas”.

 

E a ausência da população nas campanhas de vacinação aumenta os riscos. Pelas contas da secretaria de Saúde do Estado do Rio, ainda faltam 3,5 milhões de pessoas para atingir a meta de 14 milhões de imunizados em todo o estado. O secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr., disse que as campanhas irão continuar até que todo o público alvo seja imunizado. 

“O movimento deste Dia D foi menor do que o da ação realizada em janeiro, mas é fundamental para manter o alerta sobre a importância da vacinação. A campanha continua nos postos municipais, e vamos trabalhar de forma incansável até que todo o público alvo esteja vacinado”, afirmou.

Volta Redonda

Em Volta Redonda, que participou do Dia D no sábado passado, 3, o comparecimento aos postos de Saúde também foi baixo e apenas 480 pessoas foram vacinadas. No entanto, o secretário de Saúde, Alfredo Peixoto, minimiza os riscos, afirmando que a meta de vacinar 225 mil pessoas deve ser atingida, cedo ou mais tarde. “Acredito que vamos atingir essa meta. É importante que as pessoas que ainda não se vacinaram procurem as unidades de saúde e se imunizem. As pessoas podem procurar as unidades básicas de saúde mais próxima. Nós temos vacina suficiente para atender nossa meta”, pontuou.

 

Sobre os 21 casos em investigação, a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Volta Redonda, Milene Paula de Souza, explicou que são seguidas as orientações do Ministério da Saúde e da secretaria de estado de Saúde para solicitar exames para um determinado paciente: febre alta por até sete dias, com início súbito; dores de cabeça, musculares e nas articulações; icterícia (pele amarelada); ou manifestações hemorrágicas (sangramentos).

 

A coordenadora lembrou ainda que a vacina contra febre amarela está disponível em todas as 44 unidades da Atenção Básica do município, das 8 às 17 horas, de segunda a sexta. Corra que ainda dá tempo! Ou dê sopa pro azar!

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