Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 17 de Outubro de 2017
0
Publicado em 17/04/17, às 10:05

Só no ano que vem

samuca (3)

Mateus Gusmão

Eleito para ser um gestor eficiente. Foi por essas e outras que o prefeito Samuca Silva (PV) venceu as eleições de 2016, devendo ficar comandando o Palácio 17 de Julho até o final de 2020. Na terça, 11, Samuca completou seus primeiros 100 dias de mandato. Só que o verde ainda não conseguiu convencer os voltarredondenses de que é um grande gestor. O que ele mesmo admite, tanto que espera alcançar a meta em 2018. “No segundo ano de mandato a população vai me ver de forma mais completa”, prometeu, durante entrevista exclusiva concedida ao aQui.

 

Muito gripado, o chefe do Executivo compareceu ao seu gabinete apenas para atender a reportagem. E, na entrevista, voltou a reclamar da dívida que encontrou. Detalhe: garante não se arrepender de ter dito, durante a campanha, que o problema da cidade do aço não era a falta de dinheiro. “Era de gestão”, simplificou, aproveitando para destacar que, por conta da crise financeira, não sabe se conseguirá dar reajuste salarial aos servidores públicos. “A prioridade é pagar os salários em dia”, completou, usando a mesma tática da gestão Neto.

 

Por falar em Neto, Samuca não deixou por menos. Por ele, as contas do ex-prefeito Neto (PMDB) devem ser rejeitadas pelos vereadores. Mas ele jura não ter nada contra o antecessor. “Respeito o que ele fez pela cidade”, completou.

 

Confira a íntegra da entrevista exclusiva de Samuca ao aQui.

aQui: Que avaliação o senhor faz dos seus primeiros 100 dias de mandato? O que fez de concreto até agora?

Samuca Silva: Olha, considerando todas as dificuldades financeiras, que trocamos todo o secretariado, foi uma grande mudança na cidade. Mas a cidade não sentiu essa mudança, a população não sentiu os efeitos. Acho que o maior mérito, além das nossas prioridades que são a geração do emprego e saúde, é a gestão pública eficiente. Venho acompanhando outras prefeituras e há alguns locais que estão com lixo espalhado, serviços parados… Apesar de toda mudança que fizemos, com crise financeira, dívida de R$ 1 bilhão, os serviços não foram paralisados. O melhor desses 100 dias foi a gestão pública, com diálogo e eficiência. Foram 100 dias de muito trabalho e de gestão. Essa foi nossa marca.

Além, é claro, do esforço que fizemos na área da saúde, com o mutirão na saúde. Tínhamos uma demanda reprimida de 11 mil atendimentos e conseguimos atender 6,4 mil pessoas – uma marca impressionante. Também criamos a interligação e o diálogo entre os dois hospitais, a continuidade da obra do Hospital Materno infantil (da Criança), a continuação das obras dos 75 novos leitos do Hospital do Retiro. E na área de emprego, estamos dialogando com grandes empresas, criamos o Alvará Fácil, o Regim e o incentivo ao Micro Empreendedor Individual

 

aQui: Nesses 100 dias, o que sua gestão conseguiu melhorar em comparação com a gestão passada?

Samuca: Em primeiro lugar, pagar em dia os fornecedores. Nós estamos pagando nossas despesas de 2017 em dia. Acho que essa é a principal diferença. O passado estamos discutindo porque não tem dinheiro. Já depositamos R$ 20 milhões para pagar o 13º dos servidores desse ano. E na saúde, atendendo essa demanda reprimida. Já atendemos mais de duas mil pessoas no setor de Ortopedia, que era uma demanda reprimida. Ando na rua e as pessoas me falam isso. Também estamos buscando grandes empresas para Volta Redonda, estamos visitando outras cidades. E a gestão também tem diferença. Estamos estruturando a casa, mudando os processos administrativos, arrumando a casa. E isso são coisas que a população não vê.

 

aQui: Essas ações da sua gestão não chegam à população. Como fazer isso aparecer para os voltarredondenses?

Samuca: Na verdade, isso vai chegar à população. Nós já criamos a Central Única de Compras, centralizando tudo e proibindo a prorrogação de todos os contratos. Estamos fazendo uma revisão de todos os contratos. Quando tudo estiver funcionando, vamos economizar. E isso vai gerar mais recursos para a saúde, educação, e aí isso tudo vai aparecer. Eu, quando tinha 0,8% dos votos, já tinha protocolado meu Plano de Governo em cartório. Nesse plano não tem grandes obras. Falávamos em mudança de gestão. Tenho um compromisso muito grande com meu Plano de Governo e já começamos a cumprir, ou cumprimos, 44% do plano. Eu tenho esse compromisso. Óbvio que quando sobrar dinheiro vamos investir na cidade, mas tudo com responsabilidade.

 

aQui: Qual a expectativa do senhor para que a população veja o resultado disso tudo, dessa gestão?

Samuca: Já está vendo. Quando vemos o mutirão da saúde, com mais de seis mil pessoas sendo atendidas, eles veem a gestão, é o reflexo da gestão. Mas tudo isso (processos de gestão), de forma mais completa, talvez no segundo ano de mandato (2018). Mas a população já vê um reflexo disso agora.

 

aQui: Então o senhor acha que terá a prefeitura do jeito que quer só em 2018?

Samuca: A partir do ano que vem é que eu vou colocar assim: esse é o nosso governo.

 

aQui: O senhor acha que a população já o vê como o ‘grande gestor’ que o senhor vendeu na campanha?

Samuca: Eu acho que a rua nos fala muito; não sumi da rua. Estou sempre fazendo visita surpresa, tomo café… Eu escuto muito a população. E a população vê essa nossa vontade de mudar. Vê nossas dificuldades, mas também vê nossa gestão. Eu monitoro as redes sociais, e vejo alguns comentários dizendo que ‘até que enfim temos um prefeito que não fala só de buraco, de mato, fala de gestão, de economia’. E é para isso que fomos eleitos.

 

aQui: Já que o senhor falou de redes sociais, durante a campanha seu Facebook era só elogios. Hoje se vê muitos comentários reclamando de serviços, de buraco na rua ou criticando alguma coisa. O senhor sente que sua popularidade caiu um pouco?

Samuca: Acho que não. Acho até que cresceu. É… nós fomos eleitos com 54% dos votos, e agora sou prefeito de todos. Antes, na campanha, tinham pessoas que entravam no meu Facebook ou no do outro candidato. E agora todos entram no meu. A rede social mostra transparência e acho isso muito legal. Temos canais de comunicação para ouvir todo mundo. Agora nós damos a oportunidade para as pessoas falarem, para reclamarem. Isso é importante.

 

aQui: O senhor citou o problema financeiro do município. Mas durante a campanha eleitoral o senhor disse que o problema de Volta Redonda não era dinheiro, era gestão. O senhor se arrepende do que disse?

Samuca: O problema da prefeitura era gestão. Quando a gente está pagando rigorosamente em dia nossos fornecedores, mostramos que o problema era gestão. É óbvio que dificulta quando temos – e isso não é achismo, é documento contábil e comprobatório –  uma dívida de R$ 840 milhões, precatórios judiciais, teremos que pagar R$ 8 milhões por ano de precatórios – entre outras dívidas. Estão aparecendo dívidas que fazem passar de R$ 1 bilhão o déficit. Nossa receita é volumosa, mas quando temos dívida grande temos que ir negociando com quem a gente deve, parcelando com diálogo. Dinheiro não faltava, faltava gestão. Agora temos dívida grande porque gastaram demais no passado.

 

aQui: Foi essa dívida que o fez partir para o confronto com o ex-prefeito Neto?

Samuca: Não há confronto. Eu nem falo do ex-prefeito, tenho respeito por tudo que ele fez pela cidade. Mas aqui não tem achismo, tem técnica. Abrimos a prefeitura para a população ver… Essa é a grande diferença da minha gestão, eu abro as contas. Eu tenho responsabilidade de mostrar isso. Como ele foi prefeito por muito tempo, até ele se coloca nessa situação de que eu estou atrás dele. Mas ele foi prefeito, e não tem como eu desvincular isso. Quando o fornecedor da merenda escolar chega aqui na prefeitura, sem receber por três meses na gestão passada e com mais de R$ 3 milhões a receber, quem era o gestor anterior? Eu nem falo do ex-prefeito, eu falo da dívida. O ex-prefeito confunde isso, ele coloca no lado pessoal. Não estou atrás do lado pessoal. Eu quero que a população tenha uma saúde de qualidade…

 

aQui: Mas o senhor ter chamado sua base parlamentar para assinar aquele requerimento de Urgência e Preferência para votar as contas do Neto, não demonstra que o senhor deseja que as contas dele sejam reprovadas?

Samuca: Olha, isso já está superado. Está bem claro que aquilo (o requerimento) não surgiu aqui. Eu não chamei ninguém. Cada vereador assina o que quer. O que eu te falo é que, tecnicamente falando, quando você gasta mais do que arrecada… Quando um cidadão deixa de pagar a conta de luz, a Light corta a luz. Se não pagar IPTU, a prefeitura vai lá e cobra… Então, tecnicamente falando, se é a Maria, o João, o Neto, quem quer que seja, eu não posso concordar com as contas. É isso que exponho. Tecnicamente falando, existem falhas nas contas que o corpo técnico do TCE detectou.

 

aQui: Então para o senhor as contas devem ser reprovadas?

Samuca: É isso que o relatório indica. É o que está no relatório.

 

aQui: E essa é a opinião do senhor?

Samuca: Não é questão de opinião. Aqui é questão de técnica, está num relatório técnico. Eu não estou preocupado se as contas dele serão aprovadas ou reprovadas. Para mim, isso é indiferente.

 

aQui: O senhor se preocupa em o ex-prefeito ficar inelegível?

Samuca: Não tenho essa preocupação. Nenhuma preocupação em relação a isso. Estou preocupado com a prefeitura.

 

aQui: Mas o senhor é candidato à reeleição?

Samuca: Eu tenho o compromisso de fazer um mandato de quatro anos.

 

aQui: No que o decreto de calamidade financeira ajudou a cidade e no que atrapalhou?

Samuca: Não atrapalhou em nada. Eu recebi uma auditoria do Tribunal de Contas… Não usei o decreto para contratar nada emergencialmente, ou agilizar compras, serviços. Eu só utilizei para deixar bem claro para a cidade, de forma transparente, a situação financeira do município. Esse foi o objetivo do decreto, mostrar que a situação é difícil.

 

aQui: O senhor disse que iria extinguir a secretaria de Governo. Mas essa semana nomeou como secretário Eli Alves da Silva. Por que mudou de ideia?

Samuca: É temporariamente, é até bom que se diga isso. Até que eu mande a reforma administrativa para a Câmara de Vereadores, eu preciso nomear alguém para o cargo. Até para descontinuar a secretaria de Governo, terminar com a estrutura, eu preciso disso. Então ele é o presidente da Comissão de Licitação e está ocupando esse cargo temporariamente.

 

aQui: Outra polêmica é a implantação da Faixa Exclusiva para ônibus na Avenida Amaral Peixoto. A gente vê muitas mudanças ainda sendo feitas, parece que a Suser ainda não definiu de vez o projeto. Já está do jeito que o senhor quer?

Samuca: Quando eu tinha 0,8% de intenções de voto, as mudanças que a gente queria fazer já estavam autenticadas em cartório. Nossa cidade tem que largar o passado de cidade pequena e entender que somos cidade grande. Essa mudança na Amaral Peixoto visa fomentar o comércio legal, integrando os nossos centros comerciais. É notório que a gente tinha que dar celeridade ao transporte coletivo. No meu primeiro dia de mandato, eu vim trabalhar de ônibus, mandando um sinal claro que minha prioridade era o transporte coletivo, o pedestre, o ciclista.

É notório agora que os ônibus estão transitando com mais velocidade. E só perdemos 18 vagas de estacionamento na Amaral Peixoto. Mas estamos totalmente abertos para ouvir outras sugestões. Os comerciantes não estão contra nosso projeto, eles estão até nos ajudando dando sugestões e a Suser está estudando essas sugestões.

 

aQui: O senhor vai fazer o estacionamento vertical como os comerciantes sugeriram?

Samuca: Vamos fazer um estudo técnico sobre isso. Se for viável e bom, vamos fazer.

 

aQui: Como fazer essa faixa exclusiva de ônibus, por exemplo, no Retiro, já que lá é apenas uma mão para ir e outra para voltar e com estacionamento dos dois lados?

Samuca: A gente já tem um projeto pensado, mas ainda não foi discutido. Então é incoerente eu falar sobre esse projeto antes de debater com todo mundo, os comerciantes, a população.

 

aQui: E quando a Tarifa Zero será implantada na cidade?

Samuca: Vamos nos preparar para isso. Vamos lançar o edital do transporte zero em breve. E vai vir uma empresa para testar essa ideia, já em funcionamento. Nossa expectativa é que seja o mais rápido possível, já que foi uma promessa de campanha.

 

aQui: E como fazer a população entender que o moderno é tirar os veículos particulares para incentivar a população a usar o transporte coletivo e outros modais?

Samuca: A cultura fica num campo subjetivo. A nossa estratégia é essa, fazer essa mudança. Estamos cumprindo o Plano de Governo e vai ser bom para todo mundo. Quando as pessoas perceberem que é bom, vai mudar a cultura. Isso é normal. Faz parte do processo. Não me tira o sono.

 

aQui: Quando o Wellington Silva vai ser nomeado presidente da Suser?

Samuca: Ele é servidor público. Nós pedimos a cessão dele e o processo dele está tramitando. Depende do trâmite interno do Ministério da Educação.

 

aQui: Prefeito, o senhor considera um grande mico aquele encontro com o falso ‘chanceler do Qatar’?

Samuca: Não.

 

aQui: Por quê?

Samuca: Tanta coisa boa acontecendo na cidade, na área da saúde, de emprego, curso de capacitações, fim da taxa MEI, programa de Alvará Fácil. Tanta coisa boa acontecendo. Eu estive uma vez com aquela pessoa (o chanceler falso). Eu divulgo minha agenda para todo mundo, ela é aberta. Aquela foi uma reunião normal, onde não houve compromisso financeiro assinado. Se chegar alguém aqui querendo investir na cidade eu vou receber. Seria mico se eu assinasse um documento, alguma coisa.

 

aQui: Mas só um servidor foi exonerado por isso, o Sérgio Donda.

Samuca: Não. Ele estava lotado na Smac, é uma questão pontual do Maycon Abrantes.

 

aQui: Falando em servidor público, o senhor prometeu um reajuste salarial em duas vezes. É isso?

Samuca: Não prometi. Nós temos que ver a questão do recadastramento de servidores primeiro, ver quantos existem, quantos são. Definitivamente entender a folha de servidores. A proposta que eu levei era da possibilidade de fazer um estudo para ver se dava para fazer o aumento em duas vezes. Até fiz essa proposta no comitê de diálogo que criamos com os servidores. Dentro dessa possibilidade… estamos fazendo esse estudo. Mas a situação do município não é fácil.

 

aQui: Vai ter reajuste para o funcionalismo esse ano?

Samuca: Vamos dialogar. Primeiro preciso acabar com esse recadastramento para responder essa pergunta. Nosso grande desafio é manter os salários em dia. Sobre reajuste, vai depender de outras coisas.

 

aQui: Em 2018 o Maycon Abrantes será o seu candidato a deputado estadual?

Samuca: Não sei se ele é candidato a deputado. O Maycon é vice-prefeito e secretário de Ação Comunitária. É uma pessoa que nos ajuda muito no governo. É uma decisão dele. Se ele quiser ser candidato, terá nosso apoio. Mas hoje ele não é candidato, é secretário e está trabalhando muito. Mas é fato que precisamos construir um grupo político e estamos fazendo isso. Construindo um grupo de pessoas preocupadas com Volta Redonda.

 

aQui: Esse grupo político passa pelo Alexandre Serfiotis, deputado federal?

Samuca: O Alexandre Serfiotis é um grande amigo de Volta Redonda. Liberou agora R$ 1,3 milhão para a Saúde. E tem se mostrado um grande amigo. Mas ele já era o Alexandre antes do Samuca. Então não depende só de mim responder essa pergunta. Mas é fato que precisamos construir um grupo político.

 

aQui: O senhor e o deputado Deley de Oliveira têm alguma desavença? Até porque como o aQui revelou, o senhor foi até o gabinete dele e nenhum dos dois registrou em foto esse encontro.

Samuca: Rapaz, eu sou chefe do Poder Executivo e recebo quem quiser vir aqui. As portas estão abertas para o deputado Deley de Oliveira. Eu, em Brasília, o visitei. Fui ao gabinete dele.

 

aQui: Onde o Samuca quer chegar na política? Senado Federal, governo do Estado, Presidência?

Samuca: Quero fazer o melhor governo da história de Volta Redonda. Só isso.

 

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.