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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Publicado em 18/12/17, às 08:39

Sem transtorno!

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Com menos de uma semana de funcionamento, a Rodovia do Contorno já deu pano pra manga. Mesmo com os visíveis reflexos positivos no trânsito em vários pontos da via e da cidade, as reclamações pipocaram, principalmente sobre a sinalização, que estava confundindo os motoristas que iam em direção à BR-393 ou à Via Dutra, agora ligadas pela nova estrada.

 

Segundo a Acciona, empresa que deve operar o trecho de 13 kms inaugurado na semana passada, a sinalização segue projeto do DER-RJ (Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro), que se faz de morto. Só para lembrar, um detalhe: a obra foi feita com recursos federais e estaria sob a tutela do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) – já que liga duas rodovias federais – BR-116 e BR-393.   

 

Cansado de esperar os órgãos decidirem quem é a madastra da sinalização, e para evitar mais ‘transtornos’, o governo Samuca resolveu agir. Na manhã de quarta, 13, equipes da secretaria de Mobilidade Urbana fizeram mais de 20 modificações nos sinais de trânsito ao longo da Contorno. As mudanças devem acabar com a confusão que se criou na entrada do bairro Parque do Contorno, onde os moradores estavam convivendo diariamente com engarrafamentos de carretas perdidas por causa da sinalização caótica da Acciona (seguindo as orientações do DER-RJ, grifo nosso).

 

As placas indicavam somente ‘bairros de Volta Redonda’ e o acesso às cidades vizinhas, sem especificar qual seria o melhor caminho para se chegar à Via Dutra. No local teve até um pequeno acidente entre um carro e uma carreta. Perdido com a sinalização, o motorista do caminhão tentava dar marcha ré para voltar ao seu itinerário quando atingiu o automóvel.

 

A rodovia já contabiliza outros acidentes, inclusive um capotamento. Aliás, o ‘placar de acidentes’ no local também deixou o prefeito chateado, tanto que ele afirmou, em entrevista ao programa Dário de Paula, que “tem um monte de urubus em cima da carniça” quando o assunto é Rodovia do Contorno. Sobrou até para a TV Rio Sul. 

 

“Nós temos um monte de urubus em cima da carniça. A gente tem que respeitar a população, que quer mobilidade e qualidade de vida. Uma grande emissora de TV (Rio Sul) fez uma reportagem no dia seguinte à abertura, para falar de buracos, para falar que a rodovia não funcionou. Não é isso que a população quer, é o interesse público”, disparou Samuca na rádio, completando: “As concessões de TV são para ajudar e informar a população de Volta Redonda. Por que ela (Rio Sul) não contatou a Nova Dutra e perguntou quando vai alterar a sinalização na Dutra? Porque ela não questionou o Dnit? Não, ela vem novamente agredir a população de Volta Redonda”, atirou Samuca.

 

Foi por essas e outras que o prefeito oficiou as concessionárias Nova Dutra e Acciona – que operam as duas BRs – para que colocassem nos painéis eletrônicos o nome da  Rodovia do Contorno como opção para os motoristas e agora está à espera… Da boa vontade das operadoras. 

 

O aQui foi atrás do Dnit e também do DER-RJ para esclarecer a questão. Apesar da boa vontade da assessoria, em Brasília o e-mail enviado pela reportagem não foi nem localizado. Na superintendência do órgão no Rio de Janeiro – para onde o repórter foi direcionado –, os dois números de telefone tocaram até cair na manhã de ontem, sexta, 15. O DER-RJ chegou a responder. Disse que já  “reposicionou e alterou algumas placas na rodovia” e que solicitou ao Dnit e às concessionárias a colocação de placas nas vias federais. O prazo? Nem Deus sabe, mas tomara que não seja o mesmo que demorou a construção da Contorno.

Velocidade

Outro ponto que está preocupando os usuários da nova rodovia é o excesso de velocidade de alguns motoristas, o que foi a causa mais provável dos acidentes registrados durante a semana. Como é uma rodovia federal, a prefeitura pouco (ou nada) pode fazer em relação a isso. Instalar quebra-molas ou radares, como alguns internautas estão pedindo, seria realmente uma solução, mas isso só pode ser feito pelo Dnit.

 

Responsável pela fiscalização da velocidade nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária informou, em nota ao aQui, que ainda não foi comunicada oficialmente pelo Dnit sobre o PNV (Plano Viário) da Contorno, e que assim que for oficiada pelo departamento, irá assumir o policiamento no local.

 

A PRF também afirma que, a partir daí, poderá usar radares móveis na fiscalização. “A PRF opera radares portáteis em todas as rodovias federais. A instalação de radares fixos é competência do Dnit”, disse, na nota enviada ao jornal.

 

Em relação ao atendimento dos acidentes, a PRF informa que “até o momento, o atendimento das ocorrências é feito pela Guarda Municipal/Polícia Militar e os socorros médicos pelo Corpo de Bombeiros”.

Santo Agostinho

Se não bastasse a sinalização – onde já mexeu – e o excesso de velocidade, contra o que nada pode fazer, Samuca está se preocupando também com o fechamento do acesso ao Santo Agostinho. Pior. Está levando a culpa por algo que não fez:  “No Santo Agostinho não foi a prefeitura que fechou (o acesso), foi a concessionária Acciona”, disse Samuca, lembrando que na quarta, 13, a PRF entregou um parecer técnico à Acciona, indicando a reabertura do acesso ao bairro. “Acho que nos próximos dias teremos o retorno do acesso ao Santo Agostinho”, afirmou.

 

A manutenção da Rodovia do Contorno também está na pauta do prefeito. Samuca disse que em janeiro haverá uma nova reunião com a Acciona e os órgãos estaduais e federais, para tentar decidir quem vai fazer a manutenção da estrada. “Já entrei em contato com o Rodrigo Maia, para que seja incluída no orçamento de 2018 (a manutenção da Rodovia do Contorno, grifo nosso), porque ninguém esperava que essa rodovia fosse inaugurada agora”, disse o prefeito, que também confirmou que, assim que o trecho urbano da BR-393 for municipalizado, o trânsito de carretas pesadas em Volta Redonda será proibido.

Quadrúpedes na pista

Mais um problema que merece a atenção do Poder Público, se quiser evitar consequências trágicas, é a presença de animais na pista da Contorno. Cercada por fazendas, a rodovia é propensa a ter este tipo de problema. Tanto é que na manhã de quarta, 13, um ouvinte denunciou no programa de Betinho Albertassi (88 FM) que havia uma vaca passeando pela estrada.

 

Pode parecer engraçado, mas atropelar um animal deste porte pode ter resultados apavorantes, mesmo a baixas velocidades. Samuca havia prometido que a prefeitura faria um levantamento sobre os locais onde o problema poderia ocorrer ao longo da rodovia, e providenciaria as cercas para deter os animais. Elas seriam fornecidas, até prova em contrário, pela administração de um condomínio de luxo vizinho à rodovia. 

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