Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 25 de Novembro de 2017
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Publicado em 13/11/17, às 11:01

‘Sem tato’

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Recentemente, durante entrevista a Betinho Albertassi, no programa Fato Popular da Rádio 88, o presidente da Câmara de Barra Mansa, Marcelo Cabeleireiro, foi curto e grosso ao responder ao radialista se a taxa de iluminação pública seria ou não votada na noite de segunda, 6. “Não vai não”, disparou o parlamentar, para logo acrescentar: “Mas este mês (de novembro) ela será, doa em que doer”.

A preocupação de Marcelo Cabeleireiro em não perder a pose faz sentido. É que, para muitos, os 19 vereadores de Barra Mansa estão ‘sentados em cima da taxa’ para que a mesma não seja votada ainda em 2017, o que inviabilizaria entrar em vigor a partir de janeiro de 2018. Pior. Estariam agindo assim por estarem com medo da opinião pública. Ou melhor, das redes sociais, onde boa parte dos internautas se posicionou contrária à Cosip (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública), sugerida pelo TCE-RJ e que já foi implantada em 91 dos 92 municípios fluminenses. Menos em Barra Mansa.

“Eles estão com medo da reação nas redes sociais”, simplifica uma fonte do aQui com trânsito no meio legis-lativo. “Muitos querem se candidatar a deputado e temem ser alvos de campanhas pela internet. Se fosse só nas ruas, eles não teriam”, compara. “A maioria reclama da falta de luz nos bairros; da falta de segurança por problemas de iluminação das ruas”, completa.

Não satisfeita, a fonte, que pede que seu nome não seja revelado, usa um dado engraçado, se não fosse sério. “A maioria dos vereadores, dos empresários e de quem tem posses já paga essa taxa de iluminação nos imóveis que possuem no Rio de Janeiro, nas praias da região dos Lagos. Até em Volta Redonda, onde muitos têm casa, apartamentos e lotes, eles vão pagar a partir do ano que vem”, ironiza, referindo-se ao fato da Cosip ter sido aprovada pelo Legislativo voltarredondense por ampla maioria dos votos. E que não rende nenhuma polêmica em termos práticos – apenas 15 pessoas foram protestar contra a taxa em evento marcado pela internet para ocorrer em frente ao Palácio 17 de Julho.

Procurado para falar a respeito da Cosip e da demora dos vereadores em apreciar a questão, o prefeito Rodrigo Drable preferiu não jogar lenha na fogueira. “O assunto está nas mãos dos vereadores”, disparou. “Quando eu me propus a ser prefeito, eu me propus a enfrentar as dificuldades para tirar Barra Mansa do buraco que ela estava. Temos que enfrentar isso de peito aberto. O estado do Rio tem 92 municípios e 91 municípios já cobram ou vão cobrar essa contribuição de energia. Isso não é bom em lugar nenhum. Ninguém quer pagar nada a mais, eu também não quero”, limitou-se a dizer ao aQui.

Na 88
Na entrevista a Betinho Albertassi, o prefeito disse mais. Muito mais. “Temos a questão da legalidade (da Cosip). O TCE nos diz que temos que implementar a taxa na conta de luz. Que não é uma obrigação, só que se você tem déficit nas contas (da prefeitura) e está usando dinheiro que seria da educação, da saúde pra pagar conta de luz, a taxa vira uma obrigação porque você não pode subtrair esses recursos da saúde, da educação”, pontuou, anunciando que o déficit nos dois setores pode chegar a R$ 50 milhões – R$ 26 milhões na Educação e R$ 24 milhões na Saúde.

Rodrigo garantiu na época que já tinha compartilhado esses números tanto com os vereadores quanto com a sociedade barramansense. “Eu também não quero pagar, mas eu preciso de uma solução. Eu preciso, pagar uma dívida, preciso iluminar as novas obras, creches, quadras, praças. Eu preciso melhorar a iluminação da cidade, que está escura, e o dinheiro que nós temos não é suficiente, por mais economias que a gente faça. E eu tenho que respeitar a determinação do TCE”, pontuou, mostrando estar em um beco sem saída. Se não contar com a determinação da Câmara, é claro, em não ter medo da pressão popular para fazer o que deve ser feito.

Se a taxa for aprovada pelos vereadores de Barra Mansa, o valor da mesma não deverá pesar tanto assim no bolso de quem é assalariado. “Sete mil e quatrocentas pessoas, que têm conta de até R$70 pagariam um real de taxa”, anunciou Rodrigo na Rádio 88. “Outras 24 mil pessoas pagariam R$ 2,50 e 13 mil pagariam R$ 5. Quem tem de R$ 70 a R$ 120, pagaria só R$ 2,50”, enumera. “Quem tem conta de luz de R$ 120 a R$ 200, pagaria só R$ 5 e acima disso vai de acordo com o consumo. Pode aumentar um pouco, mas o máximo para quem gasta mil reais é R$ 17, isso é absurdo?”, alfineta, mandando uma espécie de recado aos empresários de Barra Mansa.

“Eu quero botar Led (lâmpadas) na cidade inteira, e eu posso assumir o que eu prometi. Se a contribuição for aprovada, em 25 meses – e eu estou falando de dois anos e um mês –, eu consigo botar Led na cidade toda. Eu consigo reduzir o consumo de luz em 80% e depois disso reduzir a taxa. É uma questão de sobrevivência”, dispara, aproveitando para dizer que a cobrança da taxa não é uma imposição dele, prefeito. “Não é uma imposição minha, eu não sou ditador. Eu discuti isso com todo mundo”, lembrou, deixando um recado para finalizar.

“Se entenderem que é melhor que se faça, tudo bem. Se entenderem que não, que cobrar um real, dois reais, dois e cinquenta, é sacrificar muito a população, a gente não faz. Mas a gente também não vai ter dinheiro para fazer as inaugurações, para colocar luz nas quadras. Eu tenho a preocupação de fazer a cidade funcionar e, sinceramente, do coração, eu não acho que um real, dois e cinquenta, cinco reais vão sacrificar ninguém. Não vai mudar para pior a vida de ninguém, mas pode mudar a realidade de Barra Mansa”, avaliou.
Custos
Ao ser questionado por Betinho Albertassi a respeito dos custos de troca de lâmpadas, Rodrigo Drable apresentou dados concretos sobre o problema: “Custa quase mil reais para se trocar cada poste. Como Barra Mansa tem 14 mil postes, estamos falando de R$ 14 milhões. Isso se fizermos economia, diminuindo mês a mês o consumo da luz graças às substituições das lâmpadas que vão demorar cerca de 25 meses para a prefeitura realizar. Isso (a taxa), de coração, será bom pra cidade. Não é bom ter que pagar nem um real que seja, mas eu acho que é um sacrifício que nesse momento é necessário para enfrentar a dificuldade”, crê o prefeito.

Ele lembra até que já foi tido como louco por apresentar a Cosip. “Muita gente falou assim: Rodrigo, você é maluco. Você vai prejudicar sua carreira política”, revelou. “Gente, meu compromisso é de fazer pela cidade o melhor que tem que ser feito. Não é só ficar recebendo aplausos e tapa nas costas. Tem hora que alguém tem que enfrentar o que é difícil. Eu cortei, Betinho, só esse ano, todo mês, mais de R$ 500 mil de pagamentos irregulares que eram feitos na prefeitura, de benefícios indevidos. Você acha que isso agradou a quem perdeu? Não. Mas alguém tinha que fazer. A nossa UPA hoje é uma das melhores do estado, com 82% de aprovação dos usuários. Nós já conseguimos economizar cerca de R$ 800 mil por mês, mas não é suficiente”, comparou, mostrando a importância de poder trabalhar com a taxa de iluminação a partir de 2018.

Antes de encerrar, Rodrigo disse a Betinho Albertassi que a população deve encarar a taxa como uma solução viável. “É claro que ninguém quer pagar nada, eu entendo. Também não quero, repito isso, reforço isso, mas alguém tem que discutir isso, gente. A gente não pode viver no mundo do faz de conta. Eu não queria isso, mas é uma questão de responsabilidade”, finalizou.

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