Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quinta-Feira, 14 de Novembro de 2019
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Publicado em 09/09/19, às 10:04

Sem surpresas

O prefeito Samuca Silva passou a semana contabilizando os louros de uma grande vitória política sobre seus adversários, representados pelos vereadores Jari, Neném, Carlinhos Santana e Bergone, que tentaram, sem sucesso, abortar a mensagem do Palácio 17 de Julho solicitando autorização para contrair um empréstimo de R$ 80 milhões, a ser pago a perder de vista. Mais precisamente até o ano de 2031, em suaves prestações.
Vencer a oposição, mesmo que formada por quatro parlamentares, entretanto, não foi fácil. É que entre os governistas nem todos estavam convictos de que entregar um cheque em branco a Samuca seria um bom negócio, especialmente pela proximidade das eleições municipais. Granato, que vira e mexe faz papel de oposição, foi um deles e chegou a pedir vistas do projeto para melhor analisar a situação. A postura de Granato foi analisada por um dos colegas. “O Samuca quer transformar a cidade em um canteiro de obras”, explicou, pedindo anonimato. “Como o Granato não deve apoiar a reeleição de Samuca, ele deve estar temendo que a maioria das obras seja concluída em 2020, bem perto das eleições”, destaca.
Samuca discorda. Em entrevista exclusiva, por WattsApp, o prefeito diz que o empréstimo de R$ 80 milhões aprovado pelos vereadores da bancada governista não será usado com fins eleitoreiros, como seus adversários apregoam. “Não existe isso de obra eleitoreira”, destacou em sua resposta, certo de que, como frisou em outro ponto da entrevista, “os vereadores que votaram a favor (do empréstimo) vão entrar para a história da cidade por terem confiado nos projetos”, aposta.
Ele foi além. Indagado pelo aQui se o pagamento do empréstimo não poderia se transformar em um abacaxi para o seu sucessor (caso ele não tente se reeleger ou perca a eleição), Samuca garantiu que tudo está ‘nos conformes’. “O pagamento está ‘planilhado’ e dentro da avaliação de capacidade de crédito, inclusive, feita pela própria Caixa Econômica Federal, com juros baixos e dois anos de carência”, anunciou, sem confirmar ou desmentir uma informação já publicada pelo aQui de que o empréstimo começará a ser pago daqui a dois anos, em 2021, e quitado, se tudo der certo, dez anos depois, em 2031.
Na entrevista, Samuca aproveitou para dar uma alfinetada no editor do aQui por usar um linguajar chulo (que não é digno) ao se referir aos vereadores de Volta Redonda que iriam julgar o seu pedido de empréstimo. Para o prefeito, a expressão popular ‘dar nome aos bois’, título da capa da edição passada, seria pejorativa. “Em momento algum usei este termo”, disparou, referindo-se à entrevista, gravada, ao programa Dário de Paula onde prometeu anunciar, aos ouvintes da rádio, os nomes dos parlamentares que votassem a favor e contra a sua polêmica mensagem.
Samuca chegou até a destacar que ao usar a expressão ‘dar nome aos bois’, que é muito comum, por sinal, o aQui teria tentado jogar os vereadores contra ele, prefeito. O que não é verdade. “Tenho um imenso carinho e respeito pelos vereadores. Um parlamentar, que me chama de aprendiz de prefeito, fez um alarde dizendo que chamei os vereadores de boi tentando jogar a Casa contra mim. Como sempre, não conseguiu”, pontuou, sem citar o nome do vereador Carlinhos San-tana, seu opositor.
Carlinhos Santana para quem não sabe na noite de segunda, 2, subiu à tribuna da Casa com um exemplar do aQui nas mãos, esbravejando contra Samuca. “Para ele (prefeito), nós somos bois”, berrava como um bom cabrito (sem ser pejorativo, tá vereador?). À ira do ex-metalúrgico da CSN, Samuca deu a seguinte resposta por e-mail: “Um parlamentar, que me chama de aprendiz de prefeito, fez um alarde dizendo que chamei os vereadores de boi tentando jogar a Casa contra mim. Como sempre, não conseguiu”, crê.
Embora tenha prometido dar nome aos bois (ops, relacionar os vereadores), Samuca não quis dizer, na entrevista ao aQui, os nomes dos que votaram a seu favor. Nem contra. “A maioria da população sabe”, argumentou. Como a maioria da população não sabe quem é quem na Câmara, a relação de quem ficou favorável ao empréstimo de R$ 80 milhões para Samuca investir em obras etc. e de quem votou contra segue abaixo:

Favorável ao empréstimo

Quem votou a favor?

Conrado, Novaes, Maurício Pessôa, Dinho, Granato, Vair Duré, Rodrigo Furtado, Pastor Washington, Bochecha, Mineirinho, Laydson, Edson Quinto, Isaque, Fernando Martins, Tigrão e José Augusto.

 

Contra o empréstimo

Quem votou contra?

Neném, Carlinhos Santana, Jari e Rosana Bergone. Paulinho do Raio-X – que é do grupo de oposição curiosamente, não participou da sessão.

Veja abaixo, na íntegra, as perguntas que Samuca respondeu a pedido do editor do aQui.

aQui: De uma só vez, o senhor matou dois coelhos na Câmara. Uma foi a questão do empréstimo de R$ 80 milhões; outra, a do RPA. Como se sente a respeito?
Samuca Silva: Com a obrigação do dever cumprido. Agradeço aos vereadores que votaram a favor da gestão pública e que ficaram ao lado da população. As obras e benefícios que serão realizados com os recursos do convênio com a Caixa vão solucionar problemas históricos de Volta Redonda, como de iluminação pública, asfalto em várias localidades, alagamentos no Açude e Voldac, acesso ao Santo Agostinho e diversas intervenções na cidade. Sobre o RPA quero parabenizar a atitude dos vereadores. O fim do RPA representa o fim das arbitrariedades contra o trabalhador e a tão sonhada realização de concursos públicos para o preenchimento de vagas na administração. Lembro que, em dois anos e meio, convocamos mais de 1,6 mil novos servidores que conquistaram uma vaga por mérito próprio e não por indicação política. Estamos reconstruindo a cidade e a realização de concursos é uma das etapas para colocar Volta Redonda no caminho da modernidade em gestão.

aQui: Chegou a temer pela postura da bancada do governo? É verdade que alguns ameaçaram se insurgir? Quem? Quais motivos?
Samuca: Não. Mas cada um tem o direito de escolher de que lado quer ficar. Eu escolhi ficar ao lado da população e da gestão pública. A base na Câmara foi informada sobre os benefícios que os projetos trariam para Volta Redonda a longo e médio prazo. Os vereadores que votaram a favor vão entrar para a história da cidade por terem confiado nos projetos que trarão inúmeros benefícios aos moradores e a administração pública. Não tenho problema com nenhum vereador, respeito cada um deles, mas volto a afirmar: cada um escolhe o lado que quer ficar e eu escolhi ficar ao lado da população, lembro que foi assim quando decretei a licitação das linhas da Viação Sul Fluminense.

aQui: O senhor prometeu dar ‘nome aos bois’…
Samuca: Em momento algum usei este termo, disse que iria falar os nomes dos parlamentares que votaram a favor e contra. Aliás, é muito pejorativo para uma classe que tem por dever e obrigação fiscalizar os atos da administração pública, criar e votar leis. Tenho um imenso carinho e respeito pelos vereadores. Um parlamentar, que me chama de aprendiz de prefeito, fez um alarde dizendo que chamei os vereadores de boi tentando jogar a Casa contra mim. Como sempre, não conseguiu.
Os nomes de quem votou a favor ou contra é público e maioria da população sabe.

aQui: Da oposição, quem mais o aborreceu?
Samuca: Volto a repetir que cada vereador tem o direito de escolher de que lado quer estar. Ser oposição inteligente, respeitosa, construtiva é louvável para qualquer administração. Agora, baixar o nível, fazer ataques pessoais e inoportunos é um desrespeito à população que elegeu cada um dos vereadores. Mas meu papel é enaltecer a base, formada por vereadores que de fato pensam na cidade é no futuro do município.

aQui: Da situação, quem mais o agradou?
Samuca: Os vereadores que votaram a favor do projeto merecem meu respeito e admiração, mas não por terem feito pelo prefeito ou pelo governo, mas sim, por estarem em sintonia com as necessidades da população e da administração pública. Todos que votaram a favor agradaram a população de Volta Redonda. A base recebeu os dados, analisou e viu que as mensagens eram positivas para a cidade.

aQui: O empréstimo de R$ 80 milhões vai transformar a cidade em um canteiro de obras em 2020, não é mesmo? Pura coincidência com o ano eleitoral ou foi pura estratégia para alavancar seu governo?
Samuca: Não me preocupo com a reeleição hoje. Fui eleito pelo povo e assumi o mandato em janeiro de 2017 com término em dezembro de 2020. Não existe isso de obra eleitoreira, existe é trabalho para cumprir os 4 anos da forma mais transparente possível. Quero terminar meu mandato de 4 anos da mesma maneira que entrei, trabalhando muito e promovendo transformações para modernizar e deixar um legado de futuro para Volta Redonda.
A demora pra conseguir esse convênio foi porque a prefeitura estava com o ‘nome sujo’, a gente não conseguia captar recursos no mercado. Com gestão eficiente, conseguimos equilibrar as contas e voltar a ter crédito.
A cidade estava abandonada e com uma dívida de 1,7 bilhão de reais. O asfalto da cidade não suporta mais tapa buracos, a iluminação pública é velha e diariamente dezenas de lâmpadas queimam. Não tínhamos praticamente nada, nem carros, máquinas, ônibus e muito menos papel para imprimir documentos. As escolas estavam há mais de 15, 20 anos sem reforma, os postos de saúde com infiltrações, com mobiliário sucateado. O que estamos fazendo é cumprir nossas obrigações para atender as necessidades imediatas dos moradores.

aQui: Algumas obras previstas no pacote dos R$ 80 milhões já foram até iniciadas, como a reforma do Zoo, e a compra de um novo ônibus. O senhor tinha tanta certeza assim que a Câmara iria aprovar a sua mensagem? Justifique.
Samuca: Sim. O zoológico é um espaço que está no coração dos voltarredondenses e de toda região Sul Flu-minense. Vamos modernizar ainda mais esse espaço, que recebe seis mil pessoas por final de semana. Sobre o ônibus elétrico, serão mais dois veículos que vão integrar o Tarifa Comercial Zero. Esse projeto leva as pessoas de graça aos centros comerciais. E agora, com o início de outras obras, sobrará mais recurso para a cidade, para ser investido em saúde e educação.

aQui: Que obras são essas do Smart Cites (não tinha um nome brasileiro, não?) que vai receber R$ 40 milhões dos R$ 80 milhões?
Samuca: Acredito ser o maior legado deste convênio. Volta Redonda será a cidade da luz. Vamos substituir a antiga e ultrapassada iluminação pública dos mais de 36 mil postes da cidade por lâmpadas de Led. Isso é o que temos de mais moderno no mundo em iluminação pública. O Ministério do Desenvolvimento Regional já aprovou nosso projeto e agora vamos encaminhá-lo à Caixa Econômica Federal. Somente três cidades do Brasil estão com projetos deste porte. Para se ter ideia do que isso representa, hoje a prefeitura paga cerca de 4 milhões de reais por mês para Light pela iluminação pública e dos prédios públicos. Com LED, vamos economizar mais de R$ 1 milhão por mês com conta de energia.

aQui: Com R$ 300 mil previstos para o Santa Margarida, o senhor vai conseguir abrir as portas do hospital? Quando? E o que será feito da unidade?
Samuca: Já fizemos várias obras no interior do hospital. Fizemos um chamamento público para serviços como laboratório, por exemplo. Estamos bastante adiantados e faltava uma pintura interna e externa. O Hospital Santa Margarida será para atender apenas o cidadão de Volta Redonda e não será portas abertas, como ocorre hoje no São João Batista que recebe moradores de Barra Mansa, Barra do Piraí, Pinheiral e quem paga a conta no final é a população de Volta Redonda. Esses R$ 300 mil são para pintura e pequenos reparos.

aQui: O senhor prevê gastar um milhão dos R$ 80 milhões no HSJB. Mas a ideia não é terceirizar a unidade? Não teme ser acusado de investir dinheiro público para, em tese, aumentar o lucro de quem vencer a concorrência da unidade?
Samuca: De forma alguma. Precisamos de melhorias na unidade imediatamente, mesmo antes da mudança de gestão que pode demorar. Por isso esse investimento. A verdade é que, em nosso governo, o Hospital São João Batista é praticamente um novo hospital. Aplicamos gestão e humanizamos o atendimento. Diariamente fazemos pesquisas sobre a qualidade do atendimento e dos serviços e ficamos impressionados com os resultados. Lembro que o São João Batista recebe pacientes de várias cidades da região e vítimas de acidentes nas rodovias da região, como Via Dutra e a BR-393. Quem paga essa conta é a população de Volta Redonda com recursos dos impostos pagos pelo cidadão. O fato de o município investir em suas unidades hospitalares para melhor atender o cidadão, não tem ligação nenhuma com a mudança de gestão.

aQui: Como será o pagamento dos R$ 80 milhões? Está dentro dos cálculos do senhor pagar o empréstimo como prefeito, caso seja reeleito, ou, como dizem seus adversários, armou dire-tinho para deixar o abacaxi para o próximo prefeito?
Samuca: Abacaxi foi o que deixaram para mim. Peguei uma cidade com 1,7 bilhão de reais em dívidas consolidadas. Pago anualmente R$ 75 milhões do montante dessa dívida, isso inclui parcelamento da Light, precatórios que não eram pagos há anos e muitos prestadores de serviços que estavam sem receber. No entanto, com eficiência tributária e sem aumentar um imposto, elevamos a arrecadação da cidade de R$ 812 milhões para R$ 940 milhões, mas isso não é suficiente para fazer os investimentos necessários para a cidade avançar e solucionar problemas históricos. O pagamento está planilhado e dentro da avaliação de capacidade de crédito, inclusive, feito pela própria Caixa Econômica Federal, com juros baixos e dois anos de carência.

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