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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Publicado em 06/08/18, às 08:52

Sem pai, nem mãe

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A novela do despejo do Hospital Vita – cujos imóvel e instalações passaram para as mãos do Hospital das Clínicas de Volta Redonda, incluindo ‘o passe’ dos mais de 700 funcionários que trabalhavam na unidade – continua rendendo. Pior. A trama tem tudo para ir parar nas barras da Justiça, com contornos cada vez mais dramáticos, já que ninguém até ontem, sexta, 3, conseguiu receber seus direitos trabalhistas.

 

E tudo isso por uma única razão: as rescisões dos contratos de trabalho, que deveriam ser feitas pelo Vita, não foram assinadas. Com isso, os trabalhadores não conseguem receber seus direitos, como FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), multa rescisória, férias, 13o  proporcional, além da papelada necessária para reivindicar o Seguro Desemprego, caso dos que foram dispensados ou que pediram para sair.      

E não foi por falta de aviso. É que o empresário Ruy Muniz, que hoje controla o grupo Vita, que deveria liquidar as rescisões, quando indagado em entrevista exclusiva ao  aQui (edição nº1.107), já teria deixado claro que todos os casos só seriam resolvidos na Justiça. Ou seja, os funcionários do Vita ficariam sem pai, nem mãe.

Outro ponto importante da história é que, por não terem as rescisões assinadas, os funcionários que foram aproveitados pelo Hospital das Clínicas estão trabalhando “de boca”, sem contratos assinados. Alguns deles, ouvidos pelo aQui, afirmam que a situação está gerando uma insegurança muito grande para todos. “Estamos vindo trabalhar desanimados, e com medo. A situação é desesperadora”, disse uma funcionária, pedindo para não ser identificada.

Ontem, sexta, 3, os funcionários pretendiam promover uma manifestação na porta do hospital para protestar contra a omissão das autoridades e dar maior visibilidade à situação. Mas a mobilização não se concretizou, já que apenas um grupo de 30 pessoas apareceu. Uma das razões, segundo uma fonte ouvida pelo aQui, é que no dia anterior (quinta, 2) o sindicato teria feito uma assembleia com mais de 200 trabalhadores do Vita. E a advogada do sindicato teria dito que a manifestação “não iria dar em nada”.

 

“Eles (sindicato) conseguiram desmobilizar os funcionários. Parece que está havendo uma forma de coação, e toda essa questão do boato de que a ação estaria sob sigilo da Justiça é péssima. Estamos sem informações. Para ter acesso ao processo, temos que contatar outros advogados”, afirma, garantindo que 48 colaboradores teriam sido demitidos e alguns estariam “em situação muito difícil, passando fome”.

O sindicato rebate a acusação. Diz que a ação não está sob sigilo Judicial e garante que estaria atendendo a todos os funcionários que os procuram. O órgão também afirma que na assembleia realizada na quinta, 2, os colaboradores do antigo Vita puderam tirar suas dúvidas. Teriam sido informados, inclusive, que o jurídico do órgão já teria entrado com uma ação trabalhista pedindo o pagamento da rescisão de todos os envolvidos. E que haverá uma audiência em setembro. 

 

Em nota enviada à imprensa ontem, sexta, 3, a direção do Hospital das Clínicas lembrou que é responsável apenas pelo pagamento dos salários e encargos dos trabalhadores que continuam na unidade. E que não tem responsabilidade pelo passivo trabalhista. O comunicado rebate a tese de que teria demitido dezenas de colaboradores e garante que chegou a contratar 66 novos funcionários. 

Veja a nota, na íntegra: 

“O Hospital das Clínicas de Volta Redonda – HCVR vem a público esclarecer que suas atividades tiveram início, por determinação judicial proferida nos autos do processo de despejo por falta de pagamento do Hospital Vita de Volta Redonda, a partir de 01 de julho de 2018.

 A grande maioria, mais de 90%, dos ex-funcionários do Hospital Vita foi convidada para trabalhar no novo Hospital das Clínicas logo após o despejo do Hospital Vita. Todavia, por divergência de entendimento quanto às novas rotinas determinadas pela nova administração do Hospital das Clínicas, alguns poucos ex-funcionários do Hospital Vita não tiveram interesse no novo emprego e alguns manifestando a preferência em se aposentar.

 

Ressalte-se, que o HCVR é submetido à administração judicial e presta contas ao juízo do despejo mensalmente, sem prejuízo de pagar integralmente os salários e benefícios dos seus 496 funcionários diretos até o dia 03 de agosto de 2018, bem como o aluguel à CSN. É bom esclarecer que na época do Hospital Vita só haviam 433 funcionários fichados.

 

Um dado muito importante a ser exaltado é que o Hospital das Clínicas, com sua administração mais humanizada, admitiu 66 funcionários a mais que o Hospital Vita.

O Sindicato dos Trabalhadores locais promoveu no dia 29 de julho de 2018, junto à 2ª Vara do Trabalho de Volta Redonda, uma reclamação trabalhista coletiva sob o nº 0100544-58.2018.5.01
.0342, onde pede a digníssima Juíza a baixa das carteiras de trabalho dos ex-funcionários do Hospital Vita para o dia 30/06/2018 e o respectivo pagamento das verbas rescisórias e indenizatórias, vez que o Hospital Vita despejado os abandonou a própria sorte, o que nunca poderá ser imputado ao novo Hospital das Clínicas ou a qualquer descumprimento da decisão judicial que lhe atribuiu à obrigação de manter os atendimentos a população local e na medida do possível aproveitar os ex-funcionários do Hospital Vita, frise-se, sem qualquer auxílio financeiro do Hospital Vita ou da CSN.

 

Os recursos necessários ao início das atividades do novo Hospital para cumprir as suas responsabilidades outorgadas por determinação judicial estão sendo obtidos mediante empréstimos e cotização dos próprios médicos do corpo clínico do novo Hospital das Clínicas, afinal o HCVR vem atendendo com plenitude a população local e dando oportunidade de trabalho a centenas de colaboradores diretos e indiretos, os quais, repita-se, estão com seus salários em dia.

 

É bom ponderar que se os médicos que compõem o corpo clínico do Hospital das Clínicas de Volta Redonda não houvessem tido o desprendimento de retirar dos seus bolsos os milhares de reais necessários a dar cabo do funcionamento do novo Hospital, que muitas demissões teriam ocorrido e não haveria o maciço aproveitamento dos ex-funcionários e dos demais colaboradores locais.

 

Como visto, é importante que a imprensa busque elucidar os fatos em questão, tal como bem informar a população e evitar boatos eventualmente difamatórios contra o novo Hospital das Clínicas de Volta Redonda, o qual vem fazendo de tudo para bem atender a população e dar pleno emprego as pessoas dispostas a lá trabalhar diretamente e aos demais colaboradores locais indiretos, o que concorre para o prestígio da Cidade de Volta Redonda.

HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE VOLTA REDONDA”

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