Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017
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Publicado em 27/03/17, às 10:03

‘Sem mimimi’

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Hoje, sábado, 25, às 10 horas, o prefeito Rodrigo Drable (PMDB) vai reinaugurar a UPA do Centro. Com capacidade para realizar 13,5 mil atendimentos por mês – 350 por dia, a unidade deve desafogar a superlotação da Santa Casa de Misericórdia, entidade que ficará encarregada de administrar a Unidade de Pronto Atendimento, em substituição à OS Geração de Saúde, contratada a peso de ouro pelo governo Jonas Marins.  Ontem, sexta, 24, (ver box) Rodrigo já tinha reinaugurado a UTI Neonatal do Hospital da Mulher, que reabriu suas portas com seis leitos neonatais.

 

Apesar das duas boas notícias, algo anda tirando o sono de Rodrigo Drable. E tem tudo a ver com a primeira manifestação de peso contra o seu governo, que chegou a ser marcada para a manhã de segunda, 20, quando a Câmara de Barra Mansa deveria votar, em regime de urgência e preferência, a criação de uma taxa de iluminação pública. O boato agitou os internautas. O ‘VemPraRuaBM’ chegou a dizer que os vereadores estariam prestes a aprovar “na surdina a cobrança da taxa de iluminação pública”. Chegou até a publicar os percentuais: “Tal taxa será cobrada direto na conta de luz, aumentando entre 5% E 7%”, frisou em sua página do Facebook, aproveitando  para convocar a população para pressionar os parlamentares. “Para que essa nova taxa não seja aprovada”, justificou o porta-voz do grupo.

 

O VemPraRuaBM foi além. Garantiu que os vereadores teriam sido “orientados a sair de Barra Mansa” no final de semana (dias 18 e 19) “para não sofrerem pressão”, sem revelar de quem. E para encerrar, sugeriu que todos fizessem um protesto. “Vamos entrar na página, whatsapp e Twitter dos vereadores e vamos cobrar que estejam ao lado do povo! Se essa for aprovada, logo logo teremos muitas outras. COMPARTILHE E COMPAREÇA NA CÂMARA”.

 

Curiosamente, Rodrigo Drable demorou a responder às críticas. Isso só ocorreu na quarta, 22, quando postou um vídeo desmentindo que fosse o pai da criança. “A prefeitura e a Câmara de Barra Mansa foram notificadas pelo Tribunal de Contas (TCE) a instituir esta taxa de iluminação pública”, disparou, referindo-se à Cosip (Contribuição para o Custeio dos Serviços de Iluminação Pública).

 

E lembrou que recebeu uma dívida milionária do governo Jonas, o que estaria impedindo até a inauguração de uma creche.  “Nós herdamos uma dívida de mais de R$ 10 milhões com a Light, e a empresa se recusa a ligar a luz da Creche da Água Comprida para que a unidade possa ser inaugurada”, reclamou. “Tem gentinha querendo fazer política em cima de problemas da cidade. Isso não pode acontecer. Enquanto eles estão fazendo fofoca, eu estou trabalhando, correndo atrás para resolver os problemas de Barra Mansa”, disse, para alfinetar os adversários, que não identificou no vídeo. “‘Mimimi’ na política é coisa que bota Barra Mansa no atraso”, sentenciou. 

 

Mas, na manhã de ontem, sexta, 24, o prefeito, em entrevista ao Programa Dário de Paula, acabou revelando a sua estratégia. E ela passa por propor a criação da Taxa de Iluminação Pública. Deu até os números. Seriam de R$ 1 para quem consome pouca energia; e de R$ 5 para quem utiliza mais a energia da Light. “Na minha casa eu pago cerca de R$ 300 de energia; com a taxa, passarei a pagar R$ 305”, teorizou.

 

Ele foi além. Garantiu a Dário de Paula que teria recebido – ele e os vereadores de Barra Mansa – uma notificação do Tribunal de Contas para criar a taxa, que já é combatida nas redes sociais. Deu a entender – ou está entendendo – que isso seria uma determinação feita pelo TCE. “Nós recebemos na prefeitura, e os vereadores também receberam, uma notificação do TCE de um processo que começou em 2014, no governo passado, e agora eu fui notificado pelo novo presidente do TCE, para a criação da contribuição de luz”, disse.

 

Na entrevista ao Programa Dário de Paula, Rodrigo foi além. “No Estado do Rio são 92 municípios e só quatro não têm contribuição de luz, um deles é Barra Mansa. E as pessoas falam assim: poxa, e nós vamos pagar pela roubalheira que aconteceu, pelos absurdos. Gente, infelizmente eu estou administrando o que me entregaram, eu não tenho muito como fugir. Existe uma dívida e eu tenho que pagar a conta do mês. A gente não está conseguindo pagar a conta do mês, como eu vou pagar as duas? Sem contar que ainda tem que trocar lâmpadas, a cidade está escura”, justificou.

 

Logo a seguir, provocado por Dário, o prefeito desabafou: “Sabe o que a gente discutiu até agora? Discutimos sim, mas não mandamos nada para a Câmara: criar uma tarifa social de 1 real, para quem consome até 80 quilowatts. Isso são mais de 10 mil unidades, 10 mil casas, a 1 real. E 5 reais para quem gasta mais de 80 quilowatts. Com esses recursos, a gente vai conseguir R$ 300 mil por mês, se todos pagarem. Vai ter uma inadimplência em torno de 10%, então vamos colocar R$ 250 ou 270 mil, isso não paga a conta. Mas se eu usar esse recurso para pagar a conta e tiver a economia do valor correspondente, eu passo a botar LED na cidade toda”, pontuou.

 

“A cidade está escura, o que a gente quer é que esse recurso seja utilizado para iluminar os pontos de ônibus, as portas dos hospitais, as portas das escolas, as vias principais do comércio da cidade, e dar segurança para o morador”, justificou. “Poxa, estamos discutindo 1 real e 5 reais para botar LED na cidade, sabe? As pessoas querem gritar contra, elas vão gritar de qualquer jeito. Se botar 50 centavos, eles vão gritar. Agora, eu quero resolver o problema, eu não vou tapar o sol com a peneira e vou resolver o problema”, prometeu.

 

Não é bem assim. 

Procurado pelo aQui para confirmar ou não a informação de que o TCE/RJ teria notificado a prefeitura e a Câmara de Barra Mansa a instituírem uma taxa de iluminação pública, a assessoria de imprensa do Tribunal de Contas do Estado esclareceu a situação, encaminhando o voto apresentado pelo conselheiro José Mauricio de Lima Nolasco na sessão plenária de 16 de fevereiro, onde ele recomenda ao prefeito de Barra Mansa, entre outras ações: “Elaborar e encaminhar projeto de lei à Câmara Municipal para instituição da Contribuição para Custeio de Serviços de Iluminação Pública no Município”. Ou seja, o TCE recomendou que a taxa fosse criada. Cabe a Rodrigo acatar ou não a sugestão. E se enviar uma Mensagem à Câmara, o pepino estará nas mãos dos parlamentares de Barra Mansa. Detalhe: Nolasco, ao proferir seu voto, deixou claro que a taxa sugerida só não teria sido estabelecida em nove municípios fluminenses.

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