Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018
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Publicado em 08/01/18, às 09:41

Sem medo

Vinícius de Oliveira

29-06-17- Lançamento da XIX Flumisul- Paulo Dimas (63) rodrigo

Aos amigos, o jovem Rodrigo Drable (PMDB) não esconde que, se pudesse voltar no tempo, não seria candidato a prefeito. Hoje, quase um ano depois de sua posse, ele é obrigado a conviver com problemas que nunca imaginou ter que enfrentar. Todos, é claro, relacionados à falta de recursos da PMBM. “Não sei como vai ser em 2018”, disse, em recente reunião com um grupo de políticos.

Pessoalmente, por exemplo, Rodrigo descobriu que tomar conta do seu próprio negócio – uma agência de automóveis, que está inativa desde que assumiu o cargo de prefeito de Barra Mansa – lhe dava mais retorno e liberdade do que ser o chefe do Executivo barramansense. “Vendendo dois carros por mês eu ganhava mais do que prefeito”, conta a poucas testemunhas o drama que vive.

Apesar de tudo – e da falta de tempo para curtir sua família –, Rodrigo conseguiu algumas façanhas. A principal foi pagar os salários, férias e gratificações, entre outras, que o governo Jonas Marins (PCdoB) lhe deixou de herança. “Herança maldita” dispara.   
Veja abaixo como foi o primeiro ano do governo Rodrigo Drable:

aQui: Em seu plano de governo, o senhor abordou questões delicadas, como a educação em tempo integral e a contratação de mais profissionais. O que ainda falta para resolver essas situações?
Rodrigo Drable: Nossas propostas para a educação estão em execução. Reabrimos escolas que haviam sido fechadas e conseguimos realizar reformas de outras, como a Escola Cajueiro, que havia sido fechada, e que tinha orçamento de construção de uma nova no valor de R$ 5 milhões. Fizemos esta obra e várias outras com nossos recursos e mão-de-obra própria. Iniciaremos 2018 com nove escolas em período integral, com cerca de 4.500 alunos recebendo ensino de matérias regulares e mais: espanhol, robótica, cursos das oficinas profissionalizantes, corte e costura, e vários outros.

aQui: Ainda sobre a Educação, o PCCS acabou sofrendo alterações e os pagamentos não foram realizados como o esperado. Que projeções para o ano que vem o senhor pode fazer a esse respeito?
Rodrigo: Apesar de termos diminuído o quadro funcional, e terem voltado às salas de aulas muitos professores que estavam afastados, a despesa aumentou em mais de R$ 30 milhões apenas com a folha. Um aumento de 27% nos pagamentos de salários demonstra o respeito que temos pela categoria. Após vários anos, as férias foram pagas em janeiro, e não houve nenhum atraso de pagamentos de salários, inclusive dos inativos. Entretanto, o PCCS como foi proposto pelo governo passado geraria um impacto na folha da Educação de mais de 100%, e por paridade, faria com que a prefeitura, em todos os setores, pagasse mais de R$ 450 milhões de salários por ano. Seria quase a totalidade do orçamento apenas para salários.

aQui: O senhor dizia que no governo anterior faltavam estratégias de gestão e programas que visassem à integração das secretarias. O senhor já conseguiu avançar neste ponto?
Rodrigo: Finalizamos inúmeros aluguéis e centralizamos vários serviços. A Susesp, por exemplo, tinha duas sedes, e fizemos economia de cerca de R$ 300 mil. Secretarias que funcionavam em prédios alugados agora estão instaladas na prefeitura e, ainda este ano, a secretaria de Saúde será instalada no quarto andar. Programas de fomento de emprego e renda estão sendo feitos através da harmonia de secretarias como a de Cultura e Desenvolvimento Econômico, e daí saem grandes projetos, como o de apoio ao Artesanato, onde nossas artesãs já têm até loja no Shopping Figorelle.

aQui: O senhor prometeu a criação de uma farmácia popular de manipulação, ampliação dos serviços do Hospital da Mulher e ainda dos serviços médicos de média e alta complexidade. Fale sobre o que fez e os desafios para a saúde em 2018.
Rodrigo: Reinauguramos a UTI Neonatal do Hospital da Mulher e tivemos os melhores índices dos últimos 10 anos, com redução de 60% do valor contratual. Nossa cardio-logia é a maior do estado, e nosso Hospital do Câncer está atendendo mais do que o SUS remunera. Além disso, a Santa Casa é credenciada como Hospital de Transplantes. A UPA do Centro reduziu o custo mensal de R$1.600.000,00 para R$850 mil e registrou aumento dos atendimentos de 150/dia para mais de 500/dia. Os postinhos de saúde voltaram a ter médicos e medicamentos. Vamos alcançar nosso objetivo de dar uma saúde de qualidade à população de Barra Mansa. Só estamos avançando porque agora se tem respeito ao dinheiro do povo. A meta para 2018 é inaugurarmos a Farmácia Popular de Manipulação e reabrirmos a UPA da Região Leste.

aQui: Na área social, uma de suas promessas que se destacou foi a criação de uma “Casa de Passagem” para abrigar tem-porariamente pessoas em situação de rua ou migrantes. Esse projeto saiu do papel?
Rodrigo: Sim. Reformula-mos a secretaria de Promoção Social, foram restabelecidos os serviços do Centro POP e, ao longo do ano, conseguimos devolver aos lares algumas dezenas de moradores em situação de rua. Tivemos dificuldades em encontrar um imóvel para fazer a Casa de Passagem, mas ultrapassamos essa barreira e em breve será inaugurada.

aQui: Com relação aos incentivos fiscais, o senhor já conseguiu viabilizar alguma lei para facilitar a vinda e permanência de empresas em Barra Mansa?
Rodrigo: O sonho de termos um Parque Industrial está cada vez mais próximo de se concretizar. Negociamos as dívidas deixadas para a aquisição da área da antiga Edimetal, estamos finalizando o RGI do imóvel e algumas empresas já estão em negociação para instalação. Além disso, tem sido uma prioridade o relacionamento entre a prefeitura e entidades sociais da cidade. Tenho me dedicado a estar pessoalmente nas reuniões nas entidades buscando a construção e caminhos em parceria.

aQui: Nesse ano no Brasil aconteceram diversos embates entre a classe conservadora da população e as comunidades progressistas representadas pelos movimentos sociais. Em Barra Mansa não foi diferente. Quais são seus planos para LGBTs, movimento negro, mulheres e deficientes?
Rodrigo: As políticas de inclusão estão avançando. Barra Mansa foi a segunda cidade do Estado a se credenciar no Sinapir (Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial). Com isso, o município passa a ser prioridade na liberação de recursos para desenvolver políticas públicas direcionadas à igualdade racial. O Cemae (Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado) elevou a qualificação de seus profissionais e isso provocou aumento no número de atendimentos aos deficientes. No caso das mulheres, o mais importante foi estruturar a área da saúde, porque a mulher ficou desassistida nos últimos anos sem ter direito a fazer seus exames preventivos, atendimento clínico e obstétrico de qualidade. O governo está a cada dia buscando soluções para empoderar a mulher para trabalhar, dando a ela oportunidade de crescimento e desenvolvimento, já que boa parte delas é responsável por cuidar integralmente da casa e da família. Na Fundação Cultura e na secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos existem movimentos ligados à diversidade cultural e de combate à homofobia. Ainda apoiamos o Fórum de Saúde e Cidadania LGBT, realizado em setembro. Este ano estruturamos cada setor para que em 2018 possamos implementar ações concretas para melhorar as políticas públicas e os resultados para a população.   

aQui: Quais foram as suas realizações em 2017 e o que pretende promover em 2018?
Rodrigo: Pagamos mais de R$ 50 milhões em dívidas e salários dos servidores atrasados. Voltamos a funcionar a UPA, UTI Neonatal do Hospital da Mulher, reduzimos custos em vários serviços e setores, estamos com pagamentos dos salários em dia e negociamos dívidas importantes. Em 2017, concluímos e inauguramos várias obras, como as duas creches e em breve serão mais duas. Reabrimos escolas, inauguramos ginásios, praças, fizemos a maior feira de moda do interior do estado do Rio, em parceria com a Fecomércio, estamos recuperando a credibilidade da administração pública e, principalmente, a autoestima do nosso povo, que tanto sofreu nos últimos anos. Em 2018, vamos entregar importantes obras para a população, como a reforma do Palácio Barão de Guapy e integrá-lo ao Parque Centenário, a Praça da Matriz e inúmeros investimentos que o governo Federal está fazendo com a ajuda dos nossos deputados. Estamos avançando na retomada das obras do Pátio de Manobras e em uma nova perspectiva para a região central de Barra Mansa. A população deve esperar um governo ainda comprometido e buscando soluções econômicas para trazer Barra Mansa de volta à rota do desenvolvimento econômico e social.

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