Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Domingo, 16 de Dezembro de 2018
0
Publicado em 30/04/18, às 09:12

Sem dinheiro, sem água

WhatsApp Image 2018-04-26 at 15.40.48_cor1

Os moradores de alguns bairros próximos à Avenida Almirante Adalberto de Barros Nunes, a Beira Rio, já estão quase se acostumando. Semana sim, outra também, há um rompimento na adutora que abastece boa parte de Volta Redonda, levando a água da ETA (Estação de Tratamento de Água) do Belmonte para o resto da cidade do aço. Como resultado, quem reside em outros bairros, como Niterói, Vila Mury, Retiro, etc, tem que conviver com a constante falta d’água. Ou com receio dela ocorrer.

Mas não é por falta de vontade ou de trabalho que as equipes e a direção do Saae-VR evitam o problema. A história é outra, envolvendo escolhas feitas há mais de 15 anos, e que agora tem consequências. Isso é o que explica o diretor executivo da autarquia, José Geraldo Santos, o Zeca, em entrevista exclusiva ao aQui.

Zeca diz, por exemplo, como a opção por um material novo, mais barato, o PVC, na época em que a adutora foi construída, agora está dando pano pra manga. E que a empresa tentou até mesmo a substituição junto ao fabricante, sem sucesso. Mas o diretor do Saae-VR afirma também que a empresa pública está tomando várias medidas para tentar amenizar ao máximo a complicada situação. A solução definitiva custaria R$ 7 milhões, dinheiro que os cofres do órgão não têm agora. Mas que ele pretende arrumar.

zeca arquivo pessoal

aQui: Na avaliação do Saae-VR, a tubulação da Avenida Beira Rio estaria toda condenada?
José Geraldo, o Zeca: Às vezes se paga o preço por ser vanguarda. Na ocasião de implantação da adutora de água potável da Avenida Almirante Adalberto de Barros Nunes, houve o lançamento nacional do tubo de PVC Deforo para diâmetros acima de 400mm com valor de mercado mais atrativo, cerca de 50% a menos que o tubo de ferro dúctil.
Essa economia possibilitava a execução de outras obras, atingindo uma população maior, daí optou-se pela aquisição desse material plástico. Porém, tempos depois, detectou-se que um componente de fabricação do tubo de PVC era muito rígido, propício a rompimentos. Como nossa tubulação já estava toda assentada e em operação, passamos a sofrer com os vazamentos. Não tivemos êxito no pleito de substituição do material.

aQui: Por que estariam ocorrendo tantos e seguidos rompimentos?
Zeca: As variações bruscas de pressões e velocidades no interior da tubulação, denominados transientes hidráulicos, auxiliados pela baixa resistência do material em utilização, são os responsáveis pelos rompimentos.

aQui: Qual seria a melhor solução?
Zeca: Algumas intervenções são possíveis para mitigar os problemas causados pelo rompimento da adu-tora. Neste último final de semana, promovemos a substituição das ventosas existentes por outras de maior capacidade de absorção e expulsão do ar da tubulação. Até o final do semestre estaremos instalando válvulas de alívio e válvulas reguladoras de pressão, no trecho compreendido entre a Avenida Jaraguá e Rua São Vicente de Paula, no bairro Niterói, com o objetivo de minimizar os transientes hidráulicos, responsáveis pelos rompimentos da tubulação.
Estamos programando também a inversão de funcionalidade das duas linhas adutoras paralelas de diâmetro de 500 mm existentes na Avenida Almirante Adalberto de Barros Nunes, significando que tudo que é abastecido pela linha de PVC passará a ser atendido pela linha de ferro dúctil e vice-versa. Essa modificação minimizará os impactos da pressão na rede de PVC, que é a mais problemática, evitando os rompimentos em série.

aQui:  O Saae-VR tem dificuldades para fazer obras ao longo da Beira Rio por causa do Inea?
Zeca: Qualquer obra de expansão de rede deve ser submetida ao licen-ciamento am-biental. Não há dificuldades, desde que a documentação esteja correta.

aQui: Qual seria o custo de uma obra de substituição total da tubulação da Beira-Rio? O Saae/VR possui esse dinheiro? O que fazer?
Zeca: Estimamos em cerca de R$ 7 milhões a substituição da adutora DN 500, passando para ferro dúctil. Neste momento, o Saae/VR não dispõe de recurso financeiro para executar obra de tal monta, e há de se pleitear verbas externas para este fim.

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.