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Sexta-Feira, 20 de Outubro de 2017
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Publicado em 25/09/17, às 09:14

Sem cultura

O imóvel ocupado pelo Clube Foto Filatélico Numismático, na Vila, vizinho ao Colégio Batista Americano, foi reintegrado, teoricamente, ao patrimônio da CSN. A notícia foi publicada com exclusividade pelo aQui, na edição N.º 1060, e mostrou a decisão da juíza da 2ª Vara Cível, Raquel de Andrade Teixeira Cardoso, que determinou a posse do imóvel em favor da CSN. De imediato, a decisão parece não ter incomodado a diretoria do Clube Foto, que manteve a programação cultural da instituição e não se manifestou nem na imprensa, muito menos nas redes sociais.

 

Essa semana, porém, tudo mudou. A diretoria do Clube Foto divulgou um boletim convocando a população a se manifestar contra a CSN exigindo a reintegração do imóvel. Fez mais. Segundo fontes, a jornalista Kika Monteiro teria percorrido as salas do curso de Direito da Ferp (onde estudou), para convencer os alunos a engrossar o manifesto contra a Siderúrgica. “A Ferp teria prometido considerar atividade extracurricular de quem fosse às manifestações”, contou um dos alunos, que pediu anonimato.

 

Em boletim, o Clube Foto Filatélico se posiciona “em defesa da memória e do patrimônio de Volta Redonda”, e mostra um “posicionamento de resistência à injustiça que se esboça com a ação movida pela CSN, visando a retomada do imóvel cedido ao clube em forma de comodato há quase 50 anos”. Para os dirigentes, o ato configura-se como “desrespeito ao patrimônio histórico material e imaterial da cidade”.

 

A publicação lembra alguns fatos, como a cessão do terreno em regime de comodato, há pelo menos 50 anos, e diz que o local onde foi erguido o Clube Foto pertencia, sim, à CSN, mas que jamais deveria constar no edital de privatização da CSN. Menciona ainda o fato de o prédio erguido no terreno ser fruto de uma conquista dos moradores de Volta Redonda, dos produtores de cultura do município e ainda “dos trabalhadores pioneiros” da CSN, que construíram a usina e a cidade com seu “labor”.

 

O boletim diz que o Clube, em seis décadas, recebeu vários certificados de utilidade pública, comprovando a importância cultural da entidade. E finaliza dizendo que a atitude da CSN de reintegrar o clube seria uma ofensa contra a cultura. “A sociedade de Volta Redonda vem manifestar sua indignação, lamento e resistência diante dessa decisão da CSN que, por sua natureza, investe contra nosso patrimônio cultural e histórico. Que o respeito e o diálogo se restabeleçam com a nossa sociedade. E que nosso patrimônio seja mantido”, concluiu. 

Entenda

No dia 24 de agosto, a juíza da 2ª Vara Cível, Raquel de Andrade Teixeira Cardoso, reintegrou ao patrimônio da CSN o imóvel onde funciona o Clube Foto Filatélico Numismático. O terreno onde foi erguido o clube foi cedido pela CSN, em comodato, em 1969. Em 2005, a empresa avisou que não tinha mais interesse em manter o comodato e deu um prazo para que o clube saísse do imóvel.

 

Em 2014 a CSN acionou o clube na Justiça e teria apresentado documentos de compra e venda – datado de 1° de setembro de 1941 – que comprovam a propriedade do terreno onde foi construído o clube. No processo, a CSN pede não apenas a reintegração, como também o pagamento de um aluguel mensal de R$ 13.291,43 a partir do esbulho. A juíza considerou legítimo o pedido da CSN e condenou o clube a pagar os aluguéis atrasados.

Chaves

 Acatando sentença da Justiça Federal, a CSN procedeu a entrega, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da chave dos cadeados das porteiras da Fazenda Santa Cecília, imóvel de propriedade privada, para os acessos 2 e 3 à ARIE – Floresta da Cicuta.

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