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Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Publicado em 04/02/19, às 08:38

‘Sem arrastão’

Por Roberto Marinho

As novas autoridades de segurança em Volta Redonda – o delegado titular da 93a Delegacia de Polícia, Franquis Nepomuceno, e a comandante do 28o Batalhão da PM, tenente coronel Luciana Rodrigues, estão tendo um trabalhão do cão, e debaixo de forte calor. Além de enfrentar os problemas da falta de efetivo e estrutura (a DP nem tem ar condicionado em bom estado) e, óbvio, as ocorrências diárias de crimes, os dois estão cortando um dobrado para tentar desmentir que estejam acontecendo arrastões na cidade do aço, como o que o aQui noticiou na semana passada que teria ocorrido na  Água Limpa.

 

A onda de violência que atingiu o bairro – segundo relato de moradores teve tiroteios intensos, até com metralhadoras – culminou com a morte de Caio Cezar, 23, assassinado em plena luz do dia, na quarta, 23, quando saía de casa em sua moto, com o pai na garupa. Na versão dos moradores, Caio seria  ‘gerente’ do tráfico e teria sido morto por traficantes rivais ou milicianos, ambos os grupos querendo “tomar posse do território”.  

 

O fato é que os moradores da Água Limpa estão vivendo desde o início do ano neste clima de tensão, o que levou a Associação de Moradores a pedir uma reunião com a nova comandante do 28o BPM, para discutir os problemas de segurança do bairro. Só esqueceram de convidar também o novo delegado. O encontro foi na segunda, 28, e Luciana teria garantido que não houve arrastões no bairro, já que não nenhum grupo de bandidos teria sido visto andando pelo bairro, o que caracterizaria este tipo de crime. Para ela, tudo não passou de ‘fatos isolados’.

 

Em entrevista ao Programa Dário de Paula, o delegado Franquis Nepomuceno concordou com a versão da comandante do 28o BPM. “Na verdade, a gente não teve aqui (em Volta Redonda), conceitualmente, a ocorrência de um arrastão. A gente percebeu a ocorrência de alguns roubos, que foram praticados em sequência, pelas mesmas pessoas, mas que não teve a estrutura de arrastão, que são roubos organizados em multidão”, avaliou.

 

O delegado afirmou ainda que algumas pessoas que participaram das ocorrências na Água Limpa já teriam sido identificadas e que mandados de prisão já teriam sido expedidos contra eles. Seria uma ‘questão de tempo’ para encontrá-los e identificar todos os integrantes da quadrilha, que Franquis acredita ser formada por poucas pessoas.    

 

Apesar da negativa das autoridades policiais  talvez tentando evitar um pânico maior, os moradores da Água Limpa continuam a viver um clima de tensão. Segundo pessoas que moram no bairro ouvidas pelo aQui, um grupo de bandidos armados andaram sim pelo bairro mandando que o comércio fechasse as portas. Tem mais. Os criminosos estariam à procura de Caio Cezar, e aproveitaram para fazer a limpa em vários dos estabelecimentos que entraram.

 

Tanto o delegado quanto a comandante do 28o BPM aproveitaram para salientar que é muito importante que a população denuncie os crimes, principalmente usando o Disque Denúncia – 0800-0260 667, que pode receber as denúncias de forma anônima. A ligação é gratuita.  

Carro velho

Se o delegado e a comandante recém empossados pegaram um rabo de foguete com a questão da Água Limpa, agora têm outro problema para se preocupar: a nova onda dos criminosos é roubar carros velhos para desmanche. Segundo informações obtidas pelo aQui, os ladrões estão preferindo os modelos da década de 90, carros que geralmente não têm seguro. Na lista de carros roubados enviada ao jornal aparecem um Corsa 95, uma Parati 90, um Uno 93, e um Gol 90. Tem mais. Os bandidos não fazem distinção de lugar. Já houve roubos na Vila (perto da agência dos Correios); no Centro (próximo ao Clube Náutico); na Avenida Paulo de Frontin (em frente à agência dos Correios), na Casa de Pedra e ainda no Jardim Normândia.

 

Algumas pessoas desconfiam que ferros velhos da região possam estar envolvidos com este novo tipo de roubo, já que os veículos serviriam apenas para a retirada de peças de reposição. Fica a dica para as autoridades.

 

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