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Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019
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Publicado em 05/08/19, às 09:27

Se sentindo

  

 

O deputado federal Antônio FurTado (PSL) gosta de se gabar. Faz isso desde quando comandava a 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda. Usava cada prisão que fazia a seu favor, criando, assim, uma imagem impecável de homem do bem, acima de qualquer suspeita. Chegou a ser carregado pelo povo durante manifestação que pedia sua permanência na cidade do aço. Não adiantou. Sabe-se lá porque (dizem até que foi por castigo), Furtado foi transferido, em fevereiro de 2015, para Cachoeira de Ma-cacu, uma cidadezinha de 58 mil mil habitantes.
Obstinado a dar a volta por cima, Furtado passou a pegar a estrada, fazendo questão de curtir as folgas e os finais de semana em Volta Redonda. Estava decidido a ‘ser político’. Para tanto, foi candidato a vice-prefeito na chapa de América Tereza, do PMDB de Neto, Cabral e Pezão. O grupo perdeu a eleição, mas Furtado não perdeu o rumo. Aproveitou a onde bolsonariana das eleições de 2018 e foi eleito deputado federal com mais de 100 mil votos, sendo que uns 40 mil só em Volta Redonda.
Desde que virou político, o policial continua utilizando as redes sociais para se promover. Constantemente rasga seda para si próprio. Graças à estratégia, é apontado como provável candidato a prefeito nas eleições do ano que vem. Quando faz sol, ele concorda. Quando chove, nega. Em dias de frio, dá a entender que pode lançar alguém (como o vereador Dinho, a quem já teria feito convite) ou apoiar Samuca, atual prefeito, ou o ex-prefeito Neto.
A estratégia, de gerar boatos, vem dando certo. Sua última jogada foi publicar em seu perfil oficial no Facebook, onde ele se descreve como “Delegado do povo”, uma pesquisa que o aponta como o parlamentar mais bem avaliado no Sul Fluminense. Chegou a colocar, ao lado de sua foto, em cor dourada, um gigantesco número 1 dando a entender que ocupa o lugar mais alto no ranking dos melhores parlamentares do Brasil.
A pesquisa até que é verdadeira. Corresponde ao Ranking dos Políticos e foi realizada por um grupo de profissionais interdisciplinar, estando disponível no site http://www.politicos.org.br. Quem quiser pode conferir e ver que a página é séria; que foi criada com o intuito de comparar a atuação de políticos de todo o Brasil, classificando senadores e deputados federais do melhor para o pior. E os pesquisadores realmente consideram Furtado o melhor do Sul Fluminense, já que a região conseguiu eleger apenas três representantes: ele (Furtado), Luiz Antônio (de Valença) e Serfiotis (de Porto Real).
Mas, em termos de Brasil, Furtado aparece na 89ª posição. Está atrás de muita gente conhecida, como Kim Kataguiri. E também atrás de novatos como ele. Luiz Lima, por exemplo, eleito com 115.119 votos, sendo 882 em Volta Redonda, está bem à frente de Antônio Furtado, ocupando a 13ª posição geral. Para chegar a ser o ‘1’ do Sul Flumi-nense, Antônio Frutado contou com a ajuda dos outros dois deputados federais, que andam pecando em alguns pontos, que acabaram ajudando a levantar o moral do ex-delegado.
Para o leitor ter uma ideia, Luiz Antônio, eleito com 50 mil votos, ocupa o 220º lugar no ranking dos políticos. Isso porque, das 59 sessões realizadas até o levantamento, o valenciano já tinha faltado a 8 delas. Sempre apresentando justificativa, vale frisar, o que lhe garantiu 13 pontos nos cálculos dos pesquisadores. Ele abriu mão da aposentadoria especial a que tinha direito e, segundo a pesquisa, ganha pontos muito importantes na avaliação “não está envolvido em nenhum escândalo”.
O doutor Serfiotis também contribuiu e muito com Furtado. Não tem nada nem para se gabar, ao contrário do colega delegado, pois sua pontuação está literalmente no vermelho (cor usada pelo site para identificar os piores políticos avaliados, grifo nosso). O parlamentar de Porto Real, além de ser classificado como o pior do Sul Fluminense, também figura entre os menos votados da região. Foi eleito com 37 mil votos. E no ranking dos políticos, está na vergonhosa posição número 437. Conseguiu a façanha acumulando hábitos pouco louváveis. Serfiotis, por exemplo, é o mais faltoso dos três. Das 59 sessões ordinárias, ele faltou a 19 delas e justificou apenas 13. Tantas faltas lhe arrancaram 13 pontos na equação dos pesquisadores.
Isso não é tudo. Serfiotis é acusado, pelo Ministério Público, de improbidade administrativa com dano ao erário (0002668-95.2015.8.19.
0071 – TJ-RJ – Comarca de Porto Real). O escândalo foi fatal para a imagem do parlamentar na avaliação dos profissionais que compõem o Ranking Político. Ele ficou com 20 pontos negativos. Além disso, também perdeu pontos por não abrir mão dos privilégios financeiros que tem direito pelo cargo que ocupa, como a aposentadoria especial. Por fim, Serfiotis ficou no prejuízo de mais dez pontos por ter trocado de partido antes do fim do mandato. Em 2018, ele deixou o MDB, ficou um tempo sem partido e atualmente está filiado ao PSD.
Os detalhes acima jogaram Luiz Antônio e Serfiotis para o final da lista dos bons parlamentares, fazendo com que Furtado ganhasse espaço para ficar entre os 100 melhores por ser considerado pelos pesquisadores como um político razoavelmente econômico, e não estar envolvido em escândalos, nem sendo acusado de corrupção até o momento. Além disso, o delegado filiado ao PSL de Bolsonaro tem formação universitária. É por essas que ele é tido como o melhor dos três parlamentares do Sul Fluminense.
Os deputados (e senadores) são avaliados também pelos projetos de lei que encaminham e conseguem aprovar no Congresso. Os PLs mais bem vistos e avaliados pelo Ranking são os que têm a iniciativa de combater a corrupção. Nenhum dos três, no entanto, tem leis de autoria própria avaliadas pelos pesquisadores, mas o posicionamento político de cada um ao votar em projetos de terceiros foi levado em consideração. Também nesse quesito, Furtado saiu na frente dos outros dois de acordo com a análise dos profissionais envolvidos na pesquisa.
A pesquisa
A qualidade legislativa dos políticos é avaliada de acordo com a maneira que o parlamentar se posiciona nas principais votações do Congresso. A pontuação de cada lei pode variar entre –30 e +30 pontos, e é definida pelo Conselho de Avaliação de Leis. Leis boas recebem pontuação positiva; leis ruins, pontuação negativa. O valor da lei é somado à pontuação do parlamentar, de acordo com a maneira com que ele votou.
O Ranking dos Políticos explica que o Conselho de Avaliação de Leis é totalmente independente. É composto por profissionais com reconhecida capacidade analítica e boa reputação no mercado, com formação em áreas como Economia, Engenharia e Administração. Os Conselheiros procuram avaliar as leis de acordo com sua relevância, principalmente para combater a corrupção, os privilégios e o desperdício de recursos públicos.
O Ranking é uma iniciativa particular dos fundadores, que são também os principais financiadores do projeto e recebem doações voluntárias de pessoas físicas. “Entendemos que esse site é uma contribuição para melhorar a cidadania no Brasil e queremos permanecer sempre independentes. Além disso, se alguém quiser contribuir com nosso trabalho, basta nos enviar informações sobre os políticos e ajudar na divulgação de nosso site e redes sociais”, explicam os fundadores.
Como saber se esse site é realmente confiável?
O Ranking dos Políticos garante que todos os dados apresentados no projeto são de origem oficial pública, sendo a maioria deles vinda diretamente do site do Congresso. Cada ponto ganho ou tirado está documentado, com a origem da informação e a fonte, de modo que qualquer um possa conferir. “Nosso trabalho não é criar informações e sim apenas buscá-las nas fontes oficiais (veículos da grande mídia, fichas criminais no judiciário, dados do Congresso etc), organizando as informações para facilitar a leitura. Somos auditados diariamente por milhares de visitantes que acompanham o ranking, conferem, criticam e corrigem, quando necessário”, explicam os profissionais responsáveis.
Além da pontuação referente às informações públicas, são pontuados os políticos de acordo com sua qualidade legislativa. O valor de cada lei votada é definido pelo Conselho de Avaliação de Leis, levando em conta critérios como o combate à corrupção, aos privilégios e ao desperdício.
Como é calculado o ranking?
A pontuação dos políticos é definida de acordo com os dados obtidos sobre gastos, assiduidade, fidelidade partidária e processos judiciais. Considera-se válidas as informações vindas de fontes oficiais, como sites governamentais e de veículos de mídia considerados pelo site como “de primeira linha”. Além disso, os pesquisadores acompanham as votações mais importantes, e pontuam os políticos de acordo com sua qualidade legislativa.

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