Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quarta-Feira, 15 de Agosto de 2018
0
Publicado em 17/07/18, às 08:53

São outros 500

foto rodrigo drable2

Por Vinicius de Oliveira

Uma coisa os barramansenses não podem negar: tirando os apoiadores e os que receberam favores da família Marins, desde que o comunista Jonas Marins deixou o poder, em 2016, o alívio foi unânime. A maioria, inclusive, acreditava que finalmente Barra Mansa sairia do buraco. Mas, para frustração geral, a população ainda não pode dizer que Rodrigo Drable seja a salvação da lavoura. Muito pelo contrário. Nos seus primeiros 500 dias de governo, o atual prefeito tem muitos ‘nós’ para desatar e poucas conquistas para comemorar.

Enfrentando considerável índice de rejeição dos munícipes, Rodrigo Drable fez mais pelos seus subordinados do primeiro escalão e para vereadores do que propriamente para o povo. Prova disso é o fato de ter maioria absoluta na Câmara, o que facilita a aprovação de seus projetos, que oneram o trabalhador. Resultado: tem recebido pouquíssimos elogios e apoio nas redes sociais.

 

No limite dos gastos com o funcionalismo e sem margem para investimentos com recursos próprios, o governo Drable enfrenta o desafio de deslanchar as principais promessas eleitorais, entre elas a ousada façanha de “reconstruir Barra Mansa”. Mas, de acordo com o publicitário Elias Raffide, o Peça, pré-candidato a deputado estadual, o prefeito, pela quantidade de erros políticos, ainda está longe de atingir o objetivo.

 

Segundo Peça, a principal falha de Drable foi ter repetido, à exaustão, que seu antecessor deixou Barra Mansa à míngua. “[Drable] Errou ao usar a desculpa de que “pegou a cidade falida”, já que, como vereador, ele deveria ter fiscalizado a administração anterior… Errou ao desabrigar quiosques e feirantes do Corredor Cultural, por conta de uma obra que nunca saiu do papel… Errou no aumento absurdo do IPTU, da Taxa de Alvará e do ISS, que sacrificou os mais pobres, os microempreendedores e os profissionais liberais… E está errando novamente ao apoiar candidatos a deputado da capital, enquanto sofremos por não termos representantes na Alerj e no Congresso Nacional”, enumerou o publicitário.

 

Ainda de acordo com Peça, Rodrigo demonstrou pouca humildade e passou mais tempo no Facebook do que nas ruas. Ao ser questionado como o prefeito poderia mudar os índices de rejeição, o publicitário foi taxativo: “Reconhecer e corrigir os erros… Ser mais humilde e menos beligerante… Sair do Facebook e ir pra rua, ouvir de perto o que a população acha do seu governo…”, pontua.

 

Quem também avalia o governo Drable é o empresário Jackson Emerick, suplente de deputado federal. Para ele, o prefeito só acertou em uma coisa. “Salário em dia do funcionalismo”, disse, esquecendo-se que Rodrigo chegou a se recusar a pagar o salário do mês de dezembro de 2016, já atrasado pela má administração dos Marins. Na época, o atual prefeito alegou que pagar essa dívida não seria sua responsabilidade. Era. O caso foi parar na Justiça e Drable se viu obrigado a quitar a dívida com os servidores.

 

Em contrapartida, Jackson acredita que o emedebista errou muito até agora. “Na falta de diálogo com a sociedade. Barra Mansa tem que ser reconstruída e isso exige que se ouça toda a sociedade, inclusive a oposição. O prefeito precisa compreender que ele governa para todos, inclusive para aqueles que não votaram nele. Em resumo, precisa aprender a ouvir, desde a mais simples à mais complexa sugestão, todos possuem algo de bom para contribuir”, opinou.

 

Jackson tem razão. Sob o ponto de vista político, os primeiros 500 dias foram marcados por vitórias políticas na Câmara, mas Drable tem dificuldade de dialogar e, por isso, mantém um relacionamento difícil com os servidores e é implacável com a oposição. “Persegue os que não dizem amém”, diz uma fonte do aQui. Por conta disso, opina, seu governo, desde o começo, teve de lidar com importantes polêmicas. A começar na Educação.

 

Outra fonte, ligada ao Sepe de Barra Mansa, lembra que Rodrigo Drable cometeu algumas incoerências no que diz respeito à Educação, indo na contramão, inclusive, do que pregava quando era vereador. “Foi um descalabro o que ele fez com o Plano de Carreira dos professores. O plano foi aprovado em agosto de 2015, por unanimidade pela Câmara Municipal. O atual prefeito, na época vereador, votou a favor, mas, dois dias depois de tomar posse, anunciou que precisaria reavaliar o plano. Isso gerou atrasos na implementação do PCCS. Foi firmado até um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Estadual e a prefeitura, dando prazos para que os benefícios fossem cumpridos. Mas está tudo parado até hoje”, reclamou.

 

Depois disso, Drable voltou a chamar a atenção da população e do professorado quando autorizou, no ano passado, que o secretário de Educação, maestro Vantoil Souza, emitisse uma ordem de serviço obrigando todas as escolas a entoarem o Pai Nosso e hinos cívicos. Obviamente os vereadores aplaudiram, na época, a iniciativa, mas profissionais da educação e até alguns pais criticaram a ideia. O departamento Jurídico do Sepe não perdeu tempo e entrou com uma ação na Justiça para revogar a ordem, alegando que o governo feria a liberdade religiosa de cada um e ainda ex-punha ao ridículo os alunos que se recusavam a seguir a determinação, pois eram obrigados a se retirarem do local da oração, em fila separada.

 

Por ordem da Justiça, Vantoil foi obrigado a voltar atrás, mas o governo recorreu. “O Estado não pode obrigar que crianças permaneçam em ambientes religiosos com os quais  não se identificam ou compactuam. Por ÓBVIO (grifo do juiz), tal ordem de serviço tem cunho separatista, fomentador de discriminação e conflito, não encontrando qualquer respaldo nos princípios de tolerância e liberdade religiosa que respaldaram a decisão da Corte Superior (STF)”, disse o juiz Antônio Augusto Gonçalves Balieiro Diniz em sua decisão.

Mais tarde, as ‘porradas’ surgiram por conta da implementação das escolas em tempo integral. Na intenção de seguir uma determinação do MEC, Drable fez verdadeiros malabarismos e garantiu que duas unidades atendessem os alunos o dia inteiro, mas, segundo os responsáveis, a qualidade ficou a desejar. Preocupados, os pais foram às ruas protestar contra a forma escolhida pelo prefeito que, segundo eles, “veio de cima para baixo, sem diálogo”.

 

Drable passou por maus bocados também no segmento ambiental. Ainda no ano passado, o prefeito encrencou com a empresa Foxx Haztec, que pretendia construir um novo tipo de aterro no terreno onde funciona o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Barra Mansa. Graças às investidas da prefeitura, com apoio incondicional dos vereadores, empresas como a CSN, Peugeot, Saint Gobain e outras, produtoras de lixos tóxicos, precisam transportar para outros municípios tais resíduos, o que pode ser um risco por conta do longo trajeto.

 

Recentemente, o governo se envolveu em outra polêmica do ramo ambiental. Depois de exaustivas negociações, a secretaria de Meio Ambiente, cujo trabalho de mais destaque é apreender pássaros silvestres que vivem em cativeiro ou frutos de contrabando, e recolher entulhos nas margens do Rio Paraíba, está em vias de conseguir, através do vereador Wellington Pires, que propôs uma emenda de alteração à lei orgânica do município, o comando do Funcam (Fundo Municipal de Conservação Ambiental) e passa a gerir, a seu bel prazer, uma verba de quase R$ 2 milhões do fundo, ao contrário do que acontecia desde 1998. A polêmica, apoiada pelo Executivo, passou em primeira votação na Câmara em tempo recorde.

 

Diante de tantas polêmicas e arbitrariedades, será difícil manter a prefeitura em ritmo crescente e longe dos turbilhões que atravancam o crescimento do município e, como sugeriu Jackson Emerick, a receita para Drable sair vitorioso no final de sua gestão é a criatividade. “Ele precisa planejar e ser muito criativo. O país atravessa um momento econômico muito difícil, é preciso muita articulação, planejamento e criatividade para Barra Mansa avançar. Caso contrário, o prefeito terá muitas dificuldades para gerar empregos e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da nossa população”, avaliou o empresário.

 

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.