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Sábado, 23 de Setembro de 2017
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Publicado em 16/01/17, às 08:45

Risco zero?

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Apesar da ‘bomba’ que caiu sobre Roraima e Manaus, com a morte e fuga de dezenas de presos, como se fosse um filme de mafiosos, bem ao estilo de Hollywood, ainda há quem mantenha uma visão otimista sobre o problema. Pelo menos em Volta Redonda, onde as autoridades da área de segurança garantem não existir clima para a eclosão de uma rebelião, sangrenta ou não, na antiga Casa de Custódia, hoje batizada de Cadeia Pública Franz de Castro Holzwarth de Volta Redonda.

 

Com exclusividade ao aQui, elas vão além. Garantem que a unidade prisional da cidade do aço conta atualmente com 282 internos, mesmo tendo capacidade para abrigar 302 internos. Ou seja, não haveria nem superlotação, problema maior enfrentado em outras cadeias públicas. Em nota enviada à redação, a secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) dá conta que tudo está calmo na antiga Casa de Custódia e ainda em outras cadeias. “A Seap informa que o clima é de normalidade nas unidades prisionais do Estado”, disparou a assessoria de imprensa da Seap. A secretaria estadual, entretanto, fugiu de outras questões levantadas pelo aQui, como, por exemplo, a que facções os atuais detentos pertenceriam. “As demais informações não são divulgadas por medidas de segurança”, justificaram os jornalistas da Seap.

 

O otimismo não deveria ser tão grande assim. Afinal, em 2006, a unidade de Volta Redonda ganhou as páginas policiais de todos os jornais quando enfrentou a sua primeira rebelião. Nela, um policial militar foi morto com um tiro no peito e dois detentos foram assassinados de forma cruel: queimados. Outras 14 pessoas saíram feridas. Detalhe: a rebelião teria sido comandada por presos ligados ao Terceiro Comando, segundo informações da Polícia Militar, divulgadas na época. O motim durou 12 horas e começou com uma tentativa frustrada de fuga em massa, assim como aconteceu em Roraima.

 

Uma fonte do aQui, também otimista, descarta a possibilidade de uma rebelião. Pedindo que seu nome não seja revelado, ela garante que para a Casa de Custódia de Volta Redonda só são encaminhados presos sem antecedentes criminais ou aqueles que ainda não foram julgados. “A divisão dos presos é feita por crime ou por município de origem. Há, inclusive, uma ala só para os acusados de estupro, a fim de se evitar maiores problemas no local”, disse, ressaltando ainda que os presos que se dizem da facção Comando Vermelho são encaminhados para o Rio de Janeiro. “Se ele (preso) falar que é do CV, ele desce para o Rio. Aqui só ficam os presos de menor periculosidade”, destacou.

 

Quem também não acredita em uma rebelião na Casa de Custódia é a professora de Direito e socióloga Lucia Studart, que coordena um projeto comunitário dentro da cadeia. “Não acredito que ocorra rebelião em Volta Redonda, pois a cadeia tem melhores condições do que outras cadeias e presídios”, destacou, ressaltando os fatores que são propulsores para uma rebelião: “São as condições péssimas dos presídios, tais como: superlotação, falta de higiene, falta de médicos, tratamentos inadequados aos doentes, ou seja, de uma forma geral os presídios estão desrespeitando a Constituição, assim como a Lei de Execução Penal, condições mínimas para sobreviver em uma cadeia ou presídio”, destacou Lucia.

 

Ela é coordenadora do projeto ‘O Direito Promovendo a Transformação Social’, que acontece em parceria com a Casa de Custódia. “O projeto tem como suporte o Cinema, que tem como objetivo a reeducação e a readaptação social através de uma ação educativa, ou seja, com base nos filmes, fomentar discussões da vida cotidiana proporcionando uma reflexão crítica dos detentos. Assim como levar o aluno a conhecer a realidade da penitenciária brasileira como forma de mostrar o caráter humanístico e social do curso de Direito do UGB”, destacou, detalhando como funciona o projeto. “Escolhemos um filme e passamos este filme em cada galeria da cadeia (são sete galerias). A cada sexta-feira o filme e passado para uma galeria e depois abrimos para o debate, a reflexão sobre a temática do filme. O filme deve sempre trazer temas de reflexão sobre as questões do cotidiano e ao mesmo tempo distrair os presos, como forma de lazer”, explicou.

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