Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Publicado em 26/11/18, às 10:27

‘Raio X da violência’

Por Roberto Marinho

À noite o perigo é muito maior

O ISP (Instituto de Segurança Pública) – órgão ligado à secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio – acaba de lançar uma nova ferramenta de visualização dos dados sobre a violência e criminalidade em todas as regiões fluminenses. Ela permite uma consulta interativa dos dados, separando as estatísticas por tipo de crime, região, município e até mesmo horário e dias da semana em que mais ocorrem determinados tipos de delitos. As informações podem ser acessadas em www.ispvisualizacao.rj.gov.br.

 

E o que a ferramenta mostra, entre outras, é que Volta Redonda é a cidade mais violenta do Médio Paraíba (divisão política), liderando as estatísticas em 2018 em quase todos os tipos de crime. É claro que, sendo a cidade mais populosa da região, com quase 263 mil habitantes, tem tudo para registrar o maior número de ocorrências. Mas os dados – colhidos entre 1o de janeiro e 31 de outubro – não deixam de ser alarmantes, e permitem traçar um raio X da violência, o que pode ajudar as autoridades de segurança pública a planejar estratégias de combate ao crime.

 

Não saia de casa na segunda, entre 10 e 11 horas; nem aos domingos, entre 20 e 21 horas

A ferramenta do ISP mostra que Volta Redonda concentra 26,78% das ocorrências (3.951 registros), de modo geral. Barra Mansa aparece em segundo lugar, com 15,77% dos registros (2.327, no total). O crime com maior número de registros, a ameaça, contabiliza 2.896 ocorrências, sendo 692 (23,9%) em Volta Redonda, e 416 (14,36%) em Barra Mansa.

 

E qual o dia e horário com maior risco para sofrer ameaças? Baseado nas estatísticas, é bom que o leitor evite sair de casa entre 10 e 11 horas da manhã às segundas-feiras. Esse dia e horário concentram 1,38% das ameaças. Sabe como é: segunda de manhã, ressaca braba, mau humor, tudo faz sentido. Mas se você quer realmente ficar longe de confusão, não saia à rua também aos domingos, entre 20 e 21 horas. É a hora campeã das ameaças, com 1,42% dos registros.

 

Como a ameaça pode se concretizar, logo aparece a lesão corporal dolosa (agressão física), que passa a ser o segundo crime mais registrado na região. Também com dia e horário para acontecer. O crime – que teve 717 registros (26,17%) este ano em Volta Redonda, e outros 419 (15,29%) em Barra Mansa – acontece mais aos domingos, a partir das 17 horas, com pico entre 19 e 21 horas.

 

A apreensão de drogas – terceiro crime mais registrado na região – é uma das poucas estatísticas que Volta Redonda não lidera. E por uma razão muito simples: a cidade campeã neste delito é Itatiaia, porque é na delegacia deste município que são feitos os registros das apreensões de drogas no posto da Polícia Rodoviária Federal na Via Dutra (posto Inhangapi). O destacamento é um dos campeões na apreensão de drogas no país. Só este ano a delegacia de Itatiaia já registrou 643 ocorrências do tipo, concentrando 24,14% dos registros. Para se ter uma ideia, Volta Redonda teve 455 (17,08%) ocorrências no mesmo período.  

 

 

Volta Redonda é a cidade dos caloteiros’

 

Mas se tem um título que a maior cidade da região não deveria mesmo se orgulhar é a de “cidade dos caloteiros”: dos 923 casos de estelionato registrados na região, nada menos que 372, ou 40,3%, ocorreram em Volta Redonda. É o quarto crime com maior incidência na região. E qual o dia mais perigoso para cair no conto do vigário? É às quintas-feiras, entre 10 e 11 horas. O período concentra 3,25% das ocorrências registradas.

 

Ao contrário de outros crimes, o estelionato não tem uma distribuição mais ou menos regular ao longo do dia e da semana. De madrugada, por exemplo, praticamente não há registro, já que os estelionatários (ainda) não inventaram uma forma de enganar alguém dormindo. Por outro lado, o período entre 8 e 12 horas, de segunda a sábado, é frenético, concentrando boa parte dos casos. Meia noite também é um horário de pico, em especial na segunda, com 2,8% das ocorrências. Mas este mesmo horário, no sábado, é meio morto, porque até mesmo ‘quem vive de enganar os outros – mas não é político – tem hora pra descansar. 

 

Assassinatos ocorrem aos sábados, entre 20 e 21 horas 

 

Entre os crimes contra a vida e o patrimônio, Volta Redonda também lidera as estatísticas na maioria deles. No caso dos homicídios, por exemplo, a cidade do aço teve o registro de 56 das 187 ocorrências ocorridas até agora em 2018, um percentual de 29,95% do total. Resende fica em segundo lugar, com 47 casos (25,13%), seguida de Barra Mansa, com 32 registros (17,11%). Independente da cidade, o dia e horário em que mais se mata na região é sábado à noite, principalmente entre 20 e 21 horas, quando acontecem 3,21% dos assassinatos. Os dias de semana são relativamente calmos em relação a este crime.

 

O roubo de veículos também é maior em Volta Redonda. A cidade concentra 35,4% das ocorrências, com 40 dos 113 casos registrados de janeiro até o fim de outubro. Novamente, Resende supera Barra Mansa, com 24 (21,24%) e 21 (18,58%) das ocorrências, respectivamente.

 

Infelizmente, a violência contra a mulher tem a distribuição mais igualitária entre os maiores municípios da região. O estupro tem praticamente o mesmo percentual de ocorrências em Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e Barra do Piraí. Entre janeiro e outubro de 2018, foram registrados 225 casos na região. A cidade campeã na violência contra a mulher é Resende, que registrou 45 casos, 20% do total. Volta Redonda somou 41 registros (18,22%), enquanto Barra do Piraí teve 32 (14,22%) e Barra Mansa, 29 casos (12,89%). O período da semana mais perigoso para as mulheres é o início da madrugada de domingo, entre meia noite e 1 hora, com 4,41% dos casos. A sexta, entre 10 e 11 horas (3,43% dos casos) e a quinta de madrugada, também entre meia noite e 1 hora (2,94% dos casos), também são horários de grande incidência deste tipo de crime.

 

Que as autoridades façam bom uso desta nova ferramenta tecnológica e melhorem a segurança na região. Nós, pobres mortais, vamos agradecer!

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