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Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019
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Publicado em 03/06/19, às 10:19

Portaria do aço

Por Roberto Marinho

Na semana das comemorações da Mata Atlântica, e logo após entregar o Parque do Ingá totalmente revitalizado, o prefeito Samuca Silva e o secretário municipal de Meio Ambiente de Volta Redonda, Maurício Ruiz, anunciaram a criação de um espaço ecológico na cidade do aço. Batizado de Parque Natural Municipal, ele fica bem próximo da Rodovia dos Metalúrgicos, ao lado de grandes empresas, co-mo a antiga Abreu, de beneficiamento de aço, e pertinho da Via Dutra.
A área é imensa: conta com cerca de um milhão de metros quadrados, inabitada, formada por mata virgem, que, legalmente, não poderia ser usada para fins comerciais. Tem mais. Foi doada por uma empresa do ramo imobiliário que está construindo um condomínio residencial em Pinheiral. ‘Por que doou tanta terra para Volta Redonda?’, indagariam os incrédulos. A resposta é simples: “Para valorizar o empreendimento, o condomínio teria que ter uma entrada (portaria) por Volta Redonda e não por Pinheiral”, disse um dos voltarredondenses que chegou a comprar um dos lotes oferecidos.
Ele pode ter razão. É que a doação da área faz parte, segundo o Palácio 17 de Julho, da compensação ambiental pela instalação do condomínio com endereço de Volta Redonda. “O acesso ao condomínio será pela Rodovia dos Metalúrgicos. É de Volta Redonda”, brincou, garantindo que os melhores lotes estariam em área de Pinheiral. “Pra ter CEP de Volta Redonda, eles (empreendedores) doaram uma área onde nada poderiam construir, disse. “Foi uma jogada de mestre. A prefeitura terá que investir no parque, contratar guardas ambientais para tomar conta do espaço e o mesmo será usado, de graça, pelos condôminos do Reserva do Vale”, pontuou, referindo-se ao nome comercial do empreendimento.
A doação
A cerimônia de assinatura do termo de doação da área foi realizada na noite de quarta, 29. O detalhe curioso é que foi no estande de vendas do empreendimento, na Rodovia dos Metalúrgicos, e contou com a presença, além de Samuca e Ruiz, dos representantes da empresa, de diversos secretários municipais, e demais convidados. Samuca explicou que a ideia do parque surgiu quando os responsáveis pelo empreendimento, em 2017, o procuraram pedindo para construir uma saída do condomínio para a Rodovia dos Metalúrgicos.
“Foi uma contra-partida para a cidade”, disparou Samuca, garantindo que, além do benefício da infra-estrutura (saneamento) que será criada na região, os empresários terão que implantar uma rotatória (como a do Portal da Saudade, grifo nosso) para facilitar o acesso dos moradores. “Por assinar o termo de compromisso para colocar essa área dentro dos limites de Volta Redonda, vamos ganhar um parque municipal natural”, explicou o prefeito, afirmando ainda que seu governo vai deixar um “legado verde” para a cidade do aço. “Para uma cidade que é considerada ‘cinza’ e que sempre é notícia pelos danos ambientais que provoca, é muito importante preservar. Vamos deixar esse legado, com um remanescente da Mata Atlântica, e Volta Redonda simboliza que é possível preservar com desenvolvimento econômico”, crê.
Samuca disse ainda que a implantação do parque não vai gerar nenhum custo para o município – a não ser as despesas cartorárias por causa da doação do terreno. Mas confirmou ao aQui que a manutenção ficará a cargo da prefeitura. “Assim como o Zoológico Municipal, que é mantido pela prefeitura, faremos com este parque. Ele sempre será gratuito e aberto à população”, destacou Samuca, anunciando que o parque terá pistas de caminhada, lagos, equipamentos para ginástica (academias ao ar livre) e anfiteatro. “Tudo isso será instalado pela empresa responsável pelo empreendimento imobiliário”, frisou.
Ao seu lado, o secretário de Meio Ambiente, Maurício Ruiz, explicou que o parque será implantado em fases, e estará totalmente pronto em 2022. “Daqui a seis meses (em dezembro, se não for uma fake de Ruiz), a empresa irá apresentar o projeto executivo – com o detalhamento do que será feito – e logo em seguida começará a implantar o parque, que estará totalmente pronto em dezembro de 2022”, afirmou.
Um dos representantes da empresa responsável pelo empreendimento, Walter Fares, estava feliz da vida e garantiu que um dos focos será a preservação ambiental. “Nós somos voltados para a ecologia e isso agrega muito ao nosso empreendimento. A pessoa vai morar dentro de um loteamento que não é comum (pela existência do parque, grifo nosso), isso não existe no Brasil. Não há nenhum loteamento com um parque natural ao lado, doado para a cidade. Normalmente são feitos parques pequenos e voltados para dentro do empreendimento. Resolvemos doar (a área), e com todos os equipamentos, porque temos interesse que ele comece a ser visitado quando entregarmos a primeira fase do nosso empreendimento”, afirmou. Provou que não existe almoço grátis.

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