Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019
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Publicado em 03/06/19, às 09:40

‘Pobres moços’

A letra da música ‘Esses Moços’, de Lupicínio Rodrigues, bem que poderia ser usada para alguma campanha junto aos jovens, especialmente os motociclistas, para que não morram ou fiquem inválidos para o resto da vida, por conta do modo como dirigem na maioria das cidades brasileiras. Não é para menos. Recente relatório do Seguro DPVAT, produzido pela Seguradora Líder, mostra que, somente em 2018, mais de 320 mil indenizações foram pagas em casos de morte, invalidez permanente e reembolso de despesas com assistências médicas e suplementares. Do total das indenizações pagas, 70% foram devidas a acidentes de trânsito com vítimas que adquiriram algum tipo de invalidez permanente. Foram 228 mil ocorrências.
Em relação às motocicletas, que representam 27% da frota nacional, elas foram responsáveis por 75% das indenizações pagas em 2018, correspondendo a 246 mil pagamentos no total. Detalhe: no estado do Rio, os números de mortes indenizadas chegaram a 2.547, e, os de invalidez, foram de impressionantes 7.345 casos.
Os números tendem a piorar. “A loucura dos motociclistas das capitais chegou às cidades com mais de 100 mil habitantes, como é o caso de Volta Redonda e Barra Mansa, entre outras. O sistema de entregas (conhecido como ‘delivery’) feitas na maioria dos casos por motociclistas é responsável pelo aumento do número de acidentes. Os motoboys estão sempre correndo contra o tempo, e dirigem como loucos. A maioria não respeita as regras de trânsito. Dirigem de forma atabalhoada, e não dão valor à própria vida”, dispara José Américo, um ‘motoqueiro’ que nunca sofreu um acidente, como gosta de se apresentar. “Eu sei dirigir”, dispara, preferindo não revelar onde trabalha fazendo entregas de refeições. .
Ele está certo. O mapa das indenizações mostra que os acidentes envolvendo motocicletas são bastante expressivos, representando 75% das ocorrências em todo o Brasil. A maior incidência ocorreu no período do anoitecer, entre 17 e 19h59min (23% das indenizações), horário do crepúsculo ou lusco-fusco como são definidos os instantes em que o céu próximo ao horizonte no poente ou nascente toma uma cor gradiente, entre o azul do dia e o escuro da noite, seguido pela tarde (21%).
Tem mais. 88% das indenizações por morte em acidentes com motocicletas foram de vítimas do sexo masculino, bem como 79% das indenizações com vítimas com sequelas permanentes envolvem os homens, que, em sua maioria, são jovens em idade economicamente ativa, entre 18 e 34 anos, concentrando 49% dos acidentes fatais e 53% dos com sequela permanente.
Leis de trânsito
A realidade destacada no relatório do DPVAT mostra que ainda há muito o que fazer para se obter um trânsito mais seguro, inclusive em pequenas e médias cidades. O primeiro passo é conhecer e respeitar as leis de trânsito, entre elas: utilizar os equipamentos de segurança dos veículos, como cinto e capacete, respeitar a sinalização, não realizar conversões proibidas, e obedecer os limites de velocidade. “Menos de 5% dos motoristas são infratores contumazes. A imensa maioria respeita a vida, as leis e os demais usuários da via, e entende que a fiscalização eletrônica é um importante instrumento de segurança e cidadania”, explica Luiz Gustavo Campos, especialista em trânsito. “Lamentavelmente, a minoria que não respeita causa um número cada vez maior de sinistros e óbitos no trânsito”, comenta.
Mulheres são mais
cuidadosas  
Os dados do Relatório Anual da Seguradora Líder revelam que as mulheres são mais cuidadosas quando o assunto é trânsito. Das mais de 328 mil indenizações pagas pelo Seguro DPVAT no ano passado, apenas 25% foram para vítimas do sexo feminino. Além disso, entre os motoristas indenizados em 2018, 15% eram mulheres. Ao analisar somente os pagamentos destinados às mulheres, os números também mostram que elas são mais atingidas quando estão na condição de passageiro e pedestre – as duas categorias concentraram mais da metade das ocorrências indenizadas com vítimas do sexo feminino. Já entre os homens, mais de 78% dos beneficiários eram motoristas. Os dados reforçam, portanto, o maior índice de imprudência entre os homens no comando da direção.
Mas, apesar da baixa participação das mulheres em acidentes de trânsito, as jovens de 18 a 34 anos são as mais atingidas quando as colisões acontecem. A faixa etária, considerada a população economicamente ativa, concentrou 47% dos pagamentos destinados às vítimas mulheres.  O segundo grupo de idade mais afetado é o de 45 a 64 anos (22%).
Em relação ao período do dia, o anoitecer (17 às 19h59min) foi responsável por cerca de 24% das ocorrências que tiveram benefícios pagos às vítimas do sexo feminino. Já a madrugada (0 horas às 5h59min) concentrou o menor número de sinistros, com apenas 9% dos pagamentos.
O superintendente de Operações da Seguradora Líder, Arthur Froes, lembra que, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, a falta de atenção do condutor foi a principal causa das ocorrências. Para ele, o cenário comprova a maior imprudência do homem ao volante. “As mulheres recebem, em média, apenas ¼ das indenizações. Assim, proporcionalmente, se envolvem menos em acidentes de trânsito. Isso acontece porque costumam estar mais atentas às normas, como o uso do cinto de segurança e da cadeira infantil quando há crianças no veículo. Além disso, também são mais prudentes quanto à legislação, respeitando o limite máximo de velocidade das vias”, ressalta Arthur.
Homens são os que mais morrem
Acidentes de trânsito provocaram a morte de 35,3 mil pessoas, em 2017. É o que mostram os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Os números são preocupantes, e um detalhe chama a atenção: a maior parte das vítimas fatais é do sexo masculino – jovens em idade produtiva, entre 20 e 39 anos (36,75%). São milhares de mortes prematuras, ocorridas todos os anos, com forte impacto social e econômico, no setor saúde e para as famílias.
Segunda maior causa de mortes externas no país, os acidentes de trânsito geram uma grande sobrecarga nos serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) com números crescentes de internações. Em 2017, foram 182.838, gerando gastos de aproximadamente R$ 260,7 milhões. Deste total de internação, 78,2% ocorreram com o sexo masculino.
As principais vítimas fatais foram: os motociclistas (12.199), seguidos de ocupantes de automóveis   e caminhonetes (8.511); pedestres (6.469); e ciclistas (1.306). Em mulheres, os óbitos por acidente de trânsito foram de 6.336, correspondendo a 18% dos casos em 2017. A maior parte delas também eram jovens, em idade entre 20 e 39 anos (35,7%).
A gravidade do impacto dos  Acidentes de Trânsito Terrestres (ATTs) na saúde pública inclui também o tratamento das sequelas emocionais e físicas. Segundo estudo baseado em 1,7 milhões de internações por ATT entre 2000 e 2013, foi evidenciado que 23,5% dos pacientes apresentaram diagnóstico sugestivo de sequela física, sendo que amputação e traumatismo crânio-encefálico são as principais causas, sobretudo entre homens de 20 a 29 anos, pedestres e motociclistas (Araújo & Mello, 2016).
Fatores
Há fatores que impactam profundamente na ocorrência e gravidade dos acidentes de trânsito. Esses fatores estão relacionados à qualidade da infraestrutura viária, às condições do veículo e ao comportamento dos usuários de veículos.
Entre os fatores de risco relacionados aos usuários destacam-se a associação de álcool e direção e velocidade excessiva ou inadequada. Já aqueles que contribuem para a gravidade dos acidentes destacam-se o não uso de equipamentos de proteção (capacete; cinto de segurança; dispositivo de retenção para crianças, etc).
Vale lembrar que o uso rotineiro do capacete para motociclistas é comprovadamente capaz de reduzir em até 40% a mortalidade e em até 70% os acidentes graves. Nos ciclistas, o uso do capacete também pode reduzir traumatismos cranianos em cerca de 60% dos casos.
A velocidade também é um fator de risco que aumenta a probabilidade de colisões. Há evidências que indicam que o excesso de velocidade entre 10 km/h ou 15 km/h acima do limite fixado contribui para a ocorrência dos acidentes, principalmente quando envolve grupos vulneráveis como ciclistas e pedestres.
Sobre o Seguro DPVAT
O DPVAT é um seguro obrigatório de caráter social que protege os mais de 209 milhões de brasileiros em casos de acidentes de trânsito, sem apuração da culpa. Ele pode ser destinado a qualquer cidadão acidentado em território nacional, seja motorista, passageiro ou pedestre, e oferece três tipos de coberturas: morte (R$ 13.500), invalidez permanente (até R$ 13.500) e reembolso de despesas médicas e hospitalares da rede privada de saúde (até R$ 2.700). A proteção é assegurada por um período de até 3 anos.

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