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Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017
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Publicado em 17/04/17, às 09:01

Perigo constante

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“Podem apurar, Volta Redonda está com epidemia de Leishmaniose”. A denúncia foi feita por um leitor na manhã de quinta, 13. Morador do Laranjal, ele terá que sacrificar um dos seus cachorros por ter contraído a doença. Ele não é o único. Em contato com o Centro de Controle Zoonoses de Volta Redonda, outro voltarredondense, assustado com os boatos, ligou para a unidade em busca de informações. Queria saber se a boataria teria fundamento. E que os primeiros casos teriam surgido logo após o reflorestamento de uma área no bairro Eucaliptal.

 

Uma das funcionárias do Centro de Zoonoses não deixou por menos: “Está tendo sim”, respondeu, de forma bem simples, como se nada mais a assustasse. “Isso é preocupante”, retrucou, na conversa com a reportagem. “No meu bairro, muitos têm cachorros. Sem falar que a doença pode atingir os seres humanos”, completou, adiantando que os veterinários da cidade do aço estão alertando a todos do aumento no número de casos da doença. “Fui informado que a doença não tem cura. Quem não quiser sacrificar o animal tem que ficar dando vacina para ele o tempo todo, e a vacina é muito cara e a prefeitura não fornece”, completou, sem saber que decisão tomará. “Ele (o cachorro doente) é como se fosse da família”, pontuou. 

 

A Leishmaniose Canina é uma doença crônica, cujos sinais clínicos são muito variáveis. Geralmente começam com uma apatia progressiva do animal. Logo depois surgem as primeiras lesões na pele do cachorro, com perda de pêlo. Alguns chegam a perder peso, ter atrofia muscular e desenvolvem insuficiência renal. Tem mais. Cerca de 40% dos cães com Leishmaniose Canina desenvolvem lesões oculares.

Endemia

Em entrevista ao aQui, a médica-veterinária Janaína Soledad, coordenadora de Vigilância Ambiental do Centro de Zoonoses, negou que a cidade do aço esteja enfrentando uma epidemia de Leishmaniose. “A gente registra casos de Leishmaniose desde 2011, inclusive com a existência do vetor (o mosquito que transmite a doença). Já identificamos algumas áreas que têm o vetor e maior incidência da doença, mas não é toda a cidade”, comparou, ressaltando que Volta Redonda teria, sim, uma endemia da doença. “Epidemia é quando temos um aumento de caso que não é esperado, e não é isso que estamos vendo”, completou.

 

Segundo Janaína, a preocupação é com a proliferação do mosquito. “É que não adianta, por exemplo, usar o carro ‘fumacê’ para matar o mosquito. Ele se prolifera em matas, restos de frutas e folhas. Por isso a gente tem que conscientizar os moradores para não deixarem isso em suas casas, não montar canil perto de matas, deixar galinheiros próximos ao cachorro”, destacou, salientando que há no mercado uma coleira para cachorros que repele o mosquito de chegar perto do animal. “Também há uma vacina que pode prevenir a doença no animal”, alerta.

 

Os casos confirmados de Leishmaniose, com presença do mosquito transmissor, seriam: São João; Belmonte; Jardim Belmonte; Ponte Alta; Eucaliptal; São Carlos; São Lucas; Minerlândia; Siderlândia; Jardim Suíça; Jardim Europa; Padre Josimo; Rústico e Conforto. “Os moradores desses bairros, se tiverem suspeita de que seus animais possam estar com Leishmaniose, podem entrar em contato com o Centro de Zoonoses, que nós vamos fazer uma visita para avaliar o caso. Já para moradores de outros bairros, a gente indica procurar um médico-veterinário. Se houver um laudo atestando a suspeita, nós também vamos ao local avaliar”, destacou Janaína.

 

Ela vai além. Lembra que há alguns anos, em casos de Leishmaniose, era indicado fazer a eutanásia (matar) o animal. “Hoje existe tratamento para isso, vacinas e remédios que mantêm vivo o animal. O tratamento é para a vida inteira”, comentou. “É bom lembrar que o cachorro não transmite a Leishmaniose, ele é um reservatório da doença. O mosquito pode picar o animal, se infectar e transmitir para outro animal ou pessoa”, pontuou. “Não é uma doença muito comum em seres humanos, mas pode ser letal. Temos alguns casos na cidade e apenas um, em 2015, evoluiu para o óbito”, comentou 0*/

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