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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 04/12/17, às 13:28

‘Palavra de prefeito’

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Paolla Gilson

Parecia filme de suspense, de tirar o fôlego. Assim pode ser resumido o script do leilão do prédio onde, durante décadas, centenas de vidas foram salvas nas mãos dos médicos que trabalhavam na Clínica São Camilo, na Vila. E o final seria feliz com o imóvel passando para o controle da prefeitura de Volta Redonda, que o transformaria em um Hospital do Idoso ainda em 2017.  Até o martelo chegou a ser batido pelo lance mínimo de R$ 3 milhões. Uma pechincha, se comparado à avaliação original de R$ 6 milhões. Mas, na hora dos parabéns, como um ‘estraga prazer’, um oficial de Justiça mudou o rumo da trama. É que ele portava uma ordem assinada pelo juiz Rafael de Souza Pereira Pinto para que o leilão fosse suspenso, pois os proprietários teriam quitado todas as dívidas que levavam à falência a unidade.

 

Após a intervenção do oficial de Justiça, o secretário de Administração, Carlos Baía, e o procurador geral, Augusto Nogueira, trataram de se reunir com o leiloeiro. Discute daqui, discute dali – com direito a várias ligações ao Palácio 17 de Julho –, os dois representantes do prefeito Samuca Silva saíram apressados pelos corredores da Associação Comercial, onde o leilão seria realizado. Baía, agitado, confirmou ao aQui apenas que o leilão havia sido ‘anulado’ por ordem judicial.

 

Em nota, a prefeitura de Volta Redonda explicou o cancelamento do leilão. “A entrega dos documentos pela prefeitura foi efetuada, mas cinco minutos depois os representantes do Grupo ADM Empreendimento e Participações em Saúde Ltda, proprietário do prédio, apresentaram liminar em que a justiça determinava a suspensão do leilão”, resumiu.

 

Em compensação, duas moças, elegantes, por sinal, que se identificaram como integrantes da família proprietária do São Camilo – saíram da sala sorrindo, com postura triunfante. “Chegou bem na hora! Que alívio!”, disseram, se abraçando, comemorando a entrada triunfal do oficial de Justiça. Não era para menos. Com o cancelamento do leilão, elas voltaram a ser donas do, imóvel que iria parar nas mãos da prefeitura de Volta Redonda. O resultado para elas, foi altamente positivo: mantiveram o imóvel e vão poder alugá-lo, como combinado, por R$ 70 mil mensais.

 

Na verdade, Samuca já esperava pelo pior. Ele chegou a insinuar, inúmeras vezes, que guardava algumas cartas na manga para garantir, de um jeito ou de outro, a viabilização do nascimento do Hospital do Idoso.  “Tenho o plano A, B e C para caso o leilão não dê certo. Tínhamos garantia dos particulares (donos do São Camilo) de que seria tudo resolvido. Desde maio e junho negociávamos a transformação do São Camilo no Hospital do Idoso. Preparamos o fluxo financeiro, o impacto e planejamento estratégico. O leilão não saiu, mas o Hospital do Idoso vai sair”, reafirmou, em entrevista ao aQui.

 

“Numa análise a longo prazo, adquirir o prédio do São Camilo seria vantajoso, pois significaria uma aquisição patrimonial sem precedentes. As instalações seriam do município. Mas, visando a curto prazo, um aluguel sai mais barato, é claro”, analisou Samuca, em entrevista ao radialista Betinho Albertassi. “Estamos fazendo nossa parte, preparando o fluxo financeiro. Administrativamente tudo foi efetuado”, completou. “O dinheiro que deixamos de aplicar (quitar o leilão) será usado na compra de mais equipamentos para a unidade”, avaliou para o aQui.

 

Samuca vai além. Está disposto a participar do leilão do Hospital Santa Margarida e já teria desistido de comprar o Hospital São José, no Retiro. “Estamos discutindo desde janeiro para tornar o Santa Margarida um hospital de especialidades. O projeto do Hospital do Idoso também não é novo. Técnicos do Ministério da Saúde estiveram em Volta Redonda analisando o planejamento e nós fomos a Curitiba, onde existe o único hospital do tipo, para trocarmos experiência”, argumentou. “É uma decisão estratégica que visa o bem estar da população, porque 40% dos atendimentos feitos nos hospitais de Volta Redonda são a maiores de 60 anos. Então abriremos espaço para outras idades. Tudo está correndo normalmente, dentro do planejado”, calcula.

Nada muda

Em relação à futura estrutura, o Hospital do Idoso vai usar todos os 60 leitos, seis UTIs e dois centros cirúrgicos. Porém, a unidade abrirá as portas usando apenas 40 do total de leitos disponíveis (60), devendo atingir a capacidade máxima até o meio do próximo ano, conforme revelou o secretário de Saúde, Alfredo Peixoto, em entrevista exclusiva ao aQui (edição no 1073). Dos 60 leitos, metade será para mulheres e a outra metade para homens. Os 40 leitos iniciais em funcionamento serão divididos em: 30 para clínicas médicas e 10 para procedimentos cirúrgicos.

 

As especialidades médicas oferecidas no hospital serão das áreas de urologia, geriatria, cardiologia e oftalmologia. Também serão disponibilizados programas de estímulo ao desenvolvimento cognitivo e social. A pretensão é atender 40 idosos mensalmente, com prioridade para os moradores de Volta Redonda, segundo Alfredo. Caso necessite de internação, o paciente deverá ser referenciado pelas unidades da rede, ou seja, os outros hospitais que possuem atendimento emergencial: Hospital do Retiro, São João Batista, Cais Aterrado, Cais Conforto e UPA.

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