Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 9 de Dezembro de 2019
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Publicado em 26/08/19, às 09:51

Open Doors

Uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) prendeu, na quinta, 22, no estado do Maranhão, um dos suspeitos de integrar uma quadrilha de hackers, que seria sediada em Barra Mansa. Trata-se de Paulo Heitor Campos Pinheiro, preso na quarta fase da operação Open Doors, que investiga, desde 2017, a quadrilha de Barra Mansa, acusada de diversos crimes, principalmente fraude bancária. Além de Paulo, preso por fraude bancária, Richard Lucas da Silva Miranda, acusado do mesmo crime, é considerado foragido. A estimativa do MP-RJ é que a quadrilha de hackers tenha desviado cerca de R$ 30 milhões.
Na terceira fase da Open Doors, realizada na semana passada, foi preso o empresário Laci Mendonça, dono de uma rede de joalherias da região. Ele é acusado de lavar dinheiro e ocultar bens dos integrantes da quadrilha. De acordo com as informações do MP-RJ, a operação realizada no Nordeste é um desdobramento da segunda fase da operação Open Doors, e envolve a ocultação de patrimônio de Richard. O acusado estaria usando uma conta bancária em nome da empresa PHC Pinheiro, sediada no Maranhão, e que tem como dono Paulo Heitor, preso na quinta.
Ainda segundo o MP, na segunda fase da Open Doors foi apreendido com Richard, que seria um dos líderes da quadrilha de hackers, um cartão bancário em nome da PHC Pinheiro. A partir daí, com a quebra do sigilo bancário, as investigações mostraram que Paulo Heitor e Richard usavam a conta da empresa para lavar o dinheiro obtido com as fraudes bancárias. A conta tinha uma intensa movimentação, aponta o MP, e era usada pela quadrilha para movimentar e ocultar os valores desviados.
As investigações apontaram que entre maio de 2017 e setembro de 2018, por 252 vezes e em diferentes locais, Richard e Paulo movimentaram pela conta da PHC Pinheiro cerca de R$ 1,5 milhão, provenientes, direta ou indiretamente, de ações criminosas.

Open Doors
A operação Open Doors começou em agosto de 2017 após investigações apurarem que a quadrilha de hackers burlava a segurança bancária e conseguia acesso às contas de diversos bancos em todo o Brasil, obtendo senhas, CPF, número de agência e conta e nome completo dos titulares. Com as informações, a quadrilha arrumava pessoas conhecidas como ‘cabeças’, que, através de ‘aliciadores’, conseguiam contas de ‘laranjas’ para direcionar o dinheiro desviado das contas invadidas.
O grupo tinha uma janela de poucas horas para sacar o dinheiro na conta dos ‘laranjas’, antes que as transações fraudulentas fossem detectadas. O dinheiro era dividido por toda a quadrilha: o hacker ficava com 50%, o ‘cabeça’ com 25%, o ‘aliciador’ com 15% e o ‘laranja’ com 10%. Desde 2017, em suas diversas fases, a investigação do MP-RJ já identificou e indiciou mais de 320 pessoas, em estados como Rio, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Bahia.

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