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Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019
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Publicado em 21/06/19, às 08:27

Obras na rodovia

Por Roberto Marinho

A Associação de Moradores do Jardim Belvedere convocou uma reunião para a noite de ontem, sexta, 14, que será tema de uma reportagem na edição de sábado, 22. Na pauta, a famigerada obra de terraplanagem na Rodovia dos Metalúrgicos que está infernizando a vida dos moradores da região. A obra, na entrada do bairro e que está sendo feita pelo Grupo Campos Pereira, foi parcialmente embargada pelo Inea (Instituto Estadual do Meio Ambiente), após a constatação de que estaria provocando o aterro de uma lagoa, o desvio de um rio e o confinamento de uma nascente.

 

Só que o ‘meio embargo’, acompanhado com exclusividade pelo aQui (ver edição passada), só afetou a parte onde estão a lagoa, a nascente e o rio. Na área não em-bargada, o grupo CP, conforme acordo com a prefeitura de Volta Redonda, tem que construir uma rotatória de acesso ao Portal da Saudade e aos bairros da região do Jardim Belvedere, além de ter que instalar um sistema de drenagem na rodovia. Tudo por módicos R$ 2 milhões.

 

A questão é que, desde que o meio embargo entrou em vigor, na semana passada, a obra está a passos de cágado. E os moradores, que convivem há mais de cinco meses com engarrafamentos, poeira e buracos, sem contar a falta de sinalização, não aguentam mais passar pela rodovia sem saber quando tudo ficará pronto.

 

Por isso, de acordo com o presidente interino da Associação de Moradores do Mata Atlântica (um dos loteamentos que integram a região do Belvedere), Nilson Bispo, a reunião pública de ontem, sexta, deveria contar com a presença do engenheiro responsável pela obra do grupo CP, de um representante do grupo empresarial, e ainda do secretário de Meio Ambiente, Maurício Ruiz – que em ocasiões anteriores negou a existência da lagoa, do rio e da nascente encontrados pelos fiscais do Inea.

 

“A ideia é saber, dos responsáveis pela obra, a previsão do término dos trabalhos e a liberação do acesso ao bairro. A associação está focada no transtorno que está sendo causado aos moradores. A outra parte (da lagoa aterrada) não é o nosso foco agora”, afirmou Bispo, que foi direto sobre a convocação dos responsáveis pela bagunça generalizada: “Não temos mais paciência, há perdas materiais, acidentes, muito transtorno. Eles dão um prazo e nunca cumprem. Queremos que deem um prazo na frente da comunidade”, destacou.

 

Bispo afirmou que a última notícia é que o acesso ao bairro seria liberado em 15 dias. “Difícil, muito difícil”, definiu uma fonte do aQui. Apesar disso, ela esteve ontem nas proximidades da garagem da Viação Agulhas Negras, vizinha da área terraplenada dos Campos Pereira. “Eles começaram a demolir um barzinho que existia bem na esquina do acesso. Talvez acabem neste final de semana e aí poderão começar a asfaltar tudo. Mas, como é tudo enrolado, acho difícil que o prazo seja cumprido”, destacou.   

Jogo político

A série de reportagens do aQui sobre a obra no Jardim Belvedere, como não poderia deixar de ser, agitou alguns vereadores de oposição, como Jari e Paulinho do Raio-X. E não se sabe qual deles – ou se os dois ao mesmo tempo -, além de postar vídeos e mais vídeos nas redes sociais decidiu encabeçar um ato em defesa da lagoa aterrada.

 

O evento estava programado para a manhã deste sábado, 15. Carros de som, pagos não se sabe por quem, andaram circulando pelos bairros convocando os moradores para que todos de braços dados dessem um ‘abraço na lagoa’. Só que na noite de quinta para sexta, o evento mudou de data. Passou, sem explicações, para o próximo dia 29.

 

O presidente interino da Associação de Moradores do Residencial Mata Atlântica, no entanto, nega qualquer ligação da assembleia com o ato político. “Claro que somos prejudicados com o fim da lagoa, mas o próprio Residencial Mata Atlântica foi totalmente desmatado para ser construído. A prioridade, no entanto, é a segurança e os transtornos trazidos aos moradores da região do Belvedere com essa obra. Depois que conseguirmos um prazo oficial para a liberação da entrada para o nosso bairro, partimos para as outras causas: a lagoa, os crimes ambientais”, pontuou Bispo.

 

Nota da redação: Na terça, 11, a prefeitura de Volta Redonda foi procurada pelo aQui para falar sobre a obra do grupo CP na Rodovia dos Metalúrgicos, que, teoricamente, está sendo feita em forma de PPP (Parceria Público Privada). O prazo para as respostas era a tarde de quarta, 12, mas as perguntas foram solenemente ignoradas. Uma pena.

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