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Terça-Feira, 23 de Abril de 2019
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Publicado em 25/03/19, às 11:17

O ‘x’ da questão 

Os trabalhadores da CSN rejeitaram no voto a proposta da empresa para o pagamento da PPR 2018. A empresa ofereceu 1,525 salário-base, a ser paga no dia 9 de abril – aniversário da CSN – e cerca de 3500 trabalhadores disseram não. Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos, mais de seis mil trabalhadores participaram do pleito, na quarta, 20, na Praça Juarez Antunes e o resultado surpreendeu: 3.550 operários recusaram a proposta, enquanto que 3.014 foram favoráveis. Um total de 6.585 votos foram apurados, somando 14 brancos e 7 nulos. A surpresa ficou por conta da pouca diferença entre o sim e o não, informou a assessoria de Comunicação do órgão.

 

O resultado oficial já foi encaminhado à CSN. “O Sindicato espera que a proposta de PPR-2018 seja revista para um valor maior”, disse a assessoria, acrescentando que  a última PPR da CSN foi paga em cima de um lucro 50 vezes menor do que o apresentado pela CSN em 2018. “(…) em 2017, quando o lucro foi 50 vezes menor que o de 2018, a CSN pagou uma PPR melhor. O valor oferecido por ela agora não corresponde ao lucro divulgado através do balanço recente da empresa”, comentou. A CSN e o Sindicato devem voltar à mesa de negociação já na próxima semana. A data ainda não foi divulgada.

 

As negociações para o pagamento da PPR começaram no final de fevereiro. A princípio, a CSN ofereceu 0,75 do salário e o Sindicato recusou ainda na mesa. A segunda oferta da CSN foi de um salário a ser pago em duas parcelas. Novamente, a proposta foi rejeitada pelo Sindicato, até que a Siderúrgica chegou ao valor de 1,525 salário. Esta proposta foi levada à apreciação pelo Sindicato, na última quarta, 20, e os trabalhadores a rejeitaram. O Sindicato aguarda uma nova proposta por parte da CSN, mas ainda não tem agenda aberta para uma nova reunião.

 

Estrondo

Fumaças alaranjadas e ruídos fortes têm sido observados e ouvidos com frequência na CSN. No sábado, 16, dois dias depois de uma fumaça alaranjada ter tomado conta do céu da UPV, um forte estrondo, seguido da emissão de uma nuvem de fumaça, foi ouvido vindo da usina. O barulho pôde ser ouvido até por moradores de bairros mais distantes. Segundo o aQui apurou, teria ocorrido uma reação da passagem do ferro gusa para a escória, provocando o ruído. Uma fonte do jornal, ligada à CSN, explicou que o incidente não é usual, e apesar do susto, ninguém se feriu.

 

A passagem de ferro gusa para a escória é uma parte no processo de fabricação do aço. Este processo se dá no Alto Forno e acontece durante o vazamento do aço para a panela. Durante o vazamento são adicionados ferro ligas, que ajuda a conferir ao aço certas características desejadas e o tempo de vazamento deve ser controlado, para minimizar justamente a passagem da escória para a panela. Quando isto não ocorre, é possível que ocorra oxidação excessiva do metal pelo ar, desperdício pela elevada temperatura e ruídos altos, como o que foi ouvido no início da tarde de sábado, 16.

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