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Terça-Feira, 23 de Abril de 2019
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Publicado em 18/03/19, às 09:17

Nuvens negras e laranjas

Uma nuvem densa, de cor alaranjada, voltou a pairar sobre a Usina Presidente Vargas no início da tarde de quarta, 13. Ela podia ser vista por quem passava pelas imediações da CSN e ainda nos pontos mais altos da cidade do aço. Coincidentemente, foi registrada durante uma ventania que antecedeu o temporal que caiu sobre a Vila Santa Cecília. Procurada, a CSN não comentou o fenômeno, mas fontes ligadas à empresa disseram que o vento forte registrado antes das chuvas fez com que a poeira que estava acumulada no teto da usina levantasse, se dissipando no ar. “As emissões são fugitivas, e os filtros não conseguiram contê-las”, argumentou a fonte.

 

No domingo, 10, outra nuvem, também alaranjada, foi vista encobrindo por completo a Usina Presidente Vargas. Encobriu até mesmo os altos fornos da UPV, que têm cerca de 100 metros de altura. O detalhe é que o fenômeno não é novo.

 

Em outubro de 2018, por exemplo, outra fumaça, alaranjada como a de hoje, foi vista no céu da CSN. Na época, a empresa informou que houve uma emissão fugitiva pontual e de curta duração no setor da aciaria. Em nota, a CSN disse que, apesar do impacto visual, nenhuma alteração teria sido registrada na qualidade do ar da cidade do aço.

 

De acordo com a fonte do jornal, a solução para o problema das emissões fugitivas passa pela instalação dos precipitadores eletrostáticos nos fornos da CSN. Na prática, isto significa a substituição de todos os filtros dos fornos da usina. A fonte explicou ainda que estes equipamentos estão sendo comprados pela CSN e, à medida em que vão chegando, são instalados e testados. “A instalação destes precipitadores está prevista no novo TAC da empresa. Ela vai trocar os filtros, mas não é algo que é feito da noite para o dia. O período das chuvas e a ocorrência de ventos fortes também não ajudam”, explicou a fonte.

 

Em novembro, o aQui fez uma reportagem especial sobre as áreas mais poluentes da CSN e mostrou que a fumaça preta e alaranjada é proveniente das chaminés das baterias de fornos de coque (coqueria). Estas emissões geralmente vêm acompanhadas de gases de combustão e provocam contaminação do ar atmosférico. O ruim é que estes fenômenos ocorrem com frequência em épocas de ventos e chuvas fortes, como a que caiu na quarta na cidade do aço.

Notificação

Os vídeos, tanto de domingo, 10, quanto de quarta, 13, postados nas redes sociais (veja no Facebook do aQui) despertaram a atenção do atual secretário de Meio Ambiente de Volta Redonda, Maurício Ruiz, que está há poucos meses no cargo.  E, ao aQui, ele anunciou que notificou o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e a própria CSN por conta da nuvem de poeira que tomou conta do céu de Volta Redonda. 

 

“Não foi um evento normal, notificamos a CSN e o Inea para termos as informações sobre o que aconteceu. Mesmo com a fiscalização sendo feita pelo Inea e não pela prefeitura, sempre que há um descarte anormal (de poluentes, grifo nosso), a CSN nos avisa. Neste caso, não houve nenhuma comunicação da empresa”, garantiu Ruiz, referindo-se ao evento de domingo, 10.

 

O secretário disse ainda que, em um encontro que teve, no final de fevereiro (dia 25), com o prefeito Samuca Silva, com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Ana Lúcia Santoro, ele teria pedido a criação de um grupo de trabalho para debater a questão da poluição em Volta Redonda. E isso passa, segundo ele, por ter acesso aos dados das estações medidoras de qualidade do ar, que são operadas pela CSN, em convênio com o Inea. O órgão estadual – que fiscaliza a UPV – recebe os dados das estações em tempo real. “A prefeitura quer ter acesso a estas informações, mesmo que a fiscalização só possa ser feita pelo Inea”, pontuou.

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