Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
0
Publicado em 10/09/18, às 08:57

Números tristes

Por Roberto Marinho

A seguradora Líder, que faz o pagamento do seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) em todo o Brasil, acaba de divulgar um levantamento mostrando que no estado do Rio já foram pagas este ano, até julho, mais de 6,6 mil indenizações para vítimas de acidentes de trânsito. A maior parte delas – mais de 4,3 mil pessoas – por invalidez permanente, com uma queda da ordem de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. Outras 1.547 indenizações foram pagas para famílias de vítimas fatais, um aumento de 3,83% em comparação ao mesmo período de 2017. As indenizações por despesas médicas (DA-MS) também sofreram aumento, de mais de 14%, chegando a 1.579 pagamentos. 

 

Os números frios mostram uma realidade triste: 221 pessoas morreram e outras 614 ficaram inválidas ao longo de 2018. Além da tristeza das famílias, o impacto social é enorme. Apesar do levantamento não mostrar o perfil das vítimas por estado, no Brasil, a maior parte das vítimas de acidentes de trânsito – 68% do total – tem entre 18 e 44 anos, ou seja, em plena idade produtiva. A maior parte dos acidentados (26%) tem entre 18 e 24 anos e é  do sexo masculino (75%). O que mostra que a velha piada machista “mulher ao volante, perigo constante” não se sustenta com a realidade dos números.       

Motocicletas

Os números do DPVAT também revelam outro drama: apesar de representarem apenas 27% da frota nacional de veículos, as motocicletas estão envolvidas na maior parte dos acidentes, principalmente aqueles que provocam a invalidez permanente. No total, os motociclistas representam 76% das indenizações no Brasil. O horário de maior incidência de acidentes é o início da noite (das 17 às 19h59min), com 23% das ocorrências. Portanto, é melhor ficar atento quando for dirigir neste horário.   

 

Pena que os números do DPVAT não mostram a situação real dos municípios do Sul Fluminense. Cidade por cidade. E descobrir o que acontece é uma tarefa bem ingrata. O aQui tentou, ao longo da última semana, conseguir os números de acidentes de trânsito com vítimas na cidade do aço. E a prefeitura de Volta Redonda limitou-se a informar que a Guarda Municipal só faz registro de acidentes sem vítimas. Procurada, a Polícia Militar, mesmo após inúmeras tentativas, simplesmente ignorou os pedidos da reportagem. No site do Detran/RJ os dados não existem, e no site do DER/RJ, os números mais recentes são de 2014. Isso serve para mostrar como é difícil entender a postura das autoridades quando planejam (se é que planejam) suas ações de trânsito.   

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.