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Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019
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Publicado em 01/07/19, às 11:08

Números oficiais

Roberto Marinho

O governo do Estado do Rio acaba de divulgar  que os índices de crimes contra a vida – homicídio doloso, roubo seguido de morte, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção de agente do Estado – sofreram uma queda significativa nos cinco primeiros meses de 2019, em relação a igaul período de 2018. De acordo com os números do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro), a redução de homicídios dolosos foi de 18%.

 

No release enviado à imprensa, o governo do Estado também comemora a queda de homicídios em Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis; a redução de roubos de cargas em Belford Roxo; a diminuição de roubo de veículos em São Gonçalo; e uma queda acentuada  de roubos de rua, em Niterói e Maricá.

Mas, em Volta Redonda, os números vão na direção contrária. Todos os indicadores estratégicos de violência – números que afetariam mais a percepção de segurança da população, segundo as autoridades – tiveram aumento. A letalidade violenta (que inclui homicídio; auto de resistência – ou morte provocada por agente do Estado; latrocínio – ou roubo seguido de morte; e lesão seguida de morte), os roubos de rua (roubo a transeunte, roubo de celular e roubo em coletivo) e roubo de veículo aumentaram entre janeiro e maio de 2019, se comparados com o mesmo período do ano passado.

 

Os homicídios dolosos, por exemplo, chegaram a 48 entre janeiro e maio de 2019, contra 33 no mesmo período em 2018. Foram 15 assassinatos a mais, um crescimento de quase 50%. Maio, com 12 assassinatos, entretanto, não foi o mês mais violento de 2019: em fevereiro, a cidade registrou 15 homicídios. Na série histórica, 2019 caminha a passos rápidos para se tornar o mais violento dos últimos cinco anos em Volta Redonda. A média mensal de assassinatos na cidade do aço chegou a 10 mortes por mês, bem acima da média de seis homicídios mensais em 2018, e o dobro dos anos anteriores, com exceção de 2015, cuja média foi de três assassinatos por mês.

 

Segundo informações de policiais militares – que preferem não se identificar, por medo de retaliações -, o alto número de homicídios seria por causa de uma guerra do tráfico,  que acontece desde o início do ano em Volta Redonda. Mesmo com as operações feitas pela Polícia Militar, segundo os agentes, a tensão entre as quadrilhas que disputam a venda de drogas na cidade ainda não cedeu. Muito pelo contrário. 

 

Em relação aos indicadores estratégicos de violência como um todo, a situação é bem parecida, infelizmente. Os crimes de letalidade violenta – homicídio; auto de resistência, latrocínio, e lesão seguida de morte – passaram de 41, nos cinco primeiros meses de 2018, para 50 no mesmo período de 2019, um crescimento de praticamente 30%.

 

Entre este ano e o ano passado, os roubos de veículos quase dobraram: foram 27 até maio de 2019, contra 14 no mesmo período de 2018. A média mensal de cinco ocorrências por mês é a maior desde 2014. Em 2018, a média mensal também foi de cinco roubos de veículos por mês, mas considerando todos os meses do ano. Ou seja, em 2019, a média pode ultrapassar a do ano passado, se a tendência de aumento de veículos continuar. Um detalhe: os furtos de veículos (quando não há a presença do proprietário) simplesmente dispararam, com um aumento de mais de 155%: foram 156 ocorrências nos cinco primeiros meses de 2019, contra 61 no mesmo período do ano anterior. 

 

Ainda sobre os indicadores estratégicos de violência, os números do ISP-RJ informam que os roubos de rua – que incluem roubo a transeunte, roubo de celular e roubo em coletivo – chegaram a 194 entre janeiro e maio de 2019. O número é 16,7% maior se comparado com o mesmo período de 2018, que teve 167 ocorrências. A média mensal de 39 ocorrências deste tipo de crime também é a maior da série histórica, e chega a ser quase 500% maior que a de 2015, quando se registrou uma média de oito roubos de rua por mês.             

Outros crimes

 Mas não são apenas os indicadores de violência que ‘assustam’ a população. Outros crimes também estão em trajetória crescente, como, por exemplo, o roubo a estabelecimentos comerciais, que chegou a 29 ocorrências nos cinco primeiros meses de 2019. Isso é quase quatro vezes o índice de 2018, que teve sete registros no mesmo período. Os roubos a residência triplicaram, passando de três entre janeiro e maio de  2018, para nove, no mesmo período de 2019.

 

 Os malandros se aproveitam da insegurança de qualquer jeito, e o número de casos de estelionato também seguiu a tendência geral: foram 214 casos até maio de 2019, contra 198 casos no mesmo período de 2018. Um aumento de “apenas” 8%. Dentro do quadro geral, até que é pouco. Até crimes de menor potencial ofensivo tiveram aumento, como o furto de celulares – quando o aparelho é levado sem que o dono perceba: foram 93 ocorrências até maio de 2019, mais que o dobro dos 46 casos registrados no mesmo período de 2018.   

 

Todos os números relatados nesta matéria são oficiais, e estão disponíveis no site do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ) para consulta.

 

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