Morte na Primavera
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Hoje é Terça-Feira, 30 de Setembro de 2014
Publicado em 01/07/2013, às 10:22 - Postado por Jornal aQui

Morte na Primavera

Adolescentes acusados de matar engenheiro de Volta Redonda podem ter cometido o crime por homofobia

Vinícius de Oliveira

Na noite de 4 de março, o engenheiro voltarredondense Romeu de Freitas, 47, foi encontrado estirado na cozinha da casa onde morava, no bairro Nova Primavera. A cena, segundo relato do irmão da vítima à Polícia na época, era estarrecedora. Parecia ter sido tirada de um filme de terror. Acontece que os assassinos de Romeu, até então desconhecidos, armados com uma faca, o mataram com 32 estocadas em diferentes partes do corpo. Os golpes foram tão violentos que desfiguraram o rosto do engenheiro e impregnaram de sangue o chão e as paredes do local do crime. Para despistar, os criminosos pegaram dois celulares e sumiram.

Sem muitas pistas, a Polícia Civil de Volta Redonda direcionou as investigações para a internet. De acordo com o delegado titular da 93ª DP, Antônio Furtado, foi vasculhando os e-mails e os perfis que Romeu mantinha nas redes sociais que chegaram até dois adolescentes: um resendense de 15 anos e um voltarredondense, de 17. “A família de Romeu colaborou muito para que o caso fosse desvendado. Eles cederam as senhas do e-mail e do Facebook da vítima. Vasculhando as postagens de Romeu, descobrimos que ele havia programado para o dia de sua morte uma festa, convidando os adolescentes. Então começamos a investigar os dois”, explicou Furtado.

Segundo a linha de raciocínio da Polícia, a festa de Romeu na verdade era um ardil. “Aparentemente Romeu teria se interessado pelo voltarredondense e o convidou para a festa. O resendense acabou indo junto. O que aconteceu lá dentro ainda não está muito claro. Parece que apenas os três estavam lá. O rapaz de Volta Redonda disse que tinha mais cinco mulheres e que transou com elas, mas o amigo, de Resende, desmentiu a história. A verdade é que Romeu, em algum momento da noite, teria tentado manter relações sexuais com eles”, contou o delegado, salientando que os adolescentes assumiram ser garotos de programa.

Segundo informações colhidas junto ao setor de homicídios da Polícia Civil, Romeu e os dois adolescentes estariam deitados no quarto quando a vítima teria se insinuado para o jovem voltarredondense. “O garoto não gostou das investidas, se levantou, foi até a cozinha, pegou a faca e deu as primeiras facadas. Só que a vítima conseguiu reagir e jogou a faca para longe. Parece que entraram em luta corporal até próximo a cozinha. Foi quando o voltarredondense lhe deu uma chave de braço e esperou que o colega de Resende desferisse os outros golpes”, contou um investigador, lembrando que os acusados nem se deram o trabalho de limpar a cena do crime. “Eles fugiram com os dois celulares, configurando o latrocínio (roubo seguido de morte)”.

Mas dois celulares seriam motivos suficientes para assassinar um homem com 32 estocadas? Para a psicóloga Cláudia Lígia Couto, o detonador do crime, sem sombra de dúvidas, é a homofobia. “Num esforço de raciocínio, vamos pensar com a cabeça de um homicida comum. Se, por qualquer razão, o voltarredondense quisesse apenas roubar o engenheiro ou mesmo matá-lo, ele poderia ter desfechado alguns poucos golpes nos locais em que o perfurou. Seu amigo de Resende também não precisaria ter auxiliado. Mas, como eles mesmos confessaram, foram 32 facadas. O que eles estavam fazendo era descarregando todo o seu ódio. Os dois não queriam apenas matar, queriam estraçalhar, queriam que a vítima sofresse muito”, analisou.

Ainda de acordo com a psicóloga, outra prova de que o voltarredondense tinha aversão a gays é a história das supostas cinco mulheres que contou à Polícia. “Em seu depoimento, ele fez questão de dizer que tinham cinco mulheres e que fez sexo com elas. Essa confissão, mesmo que verdadeira, não muda em nada sua condição de assassino. Ele seria preso do mesmo jeito tendo transado ou não com as mulheres. Aliás, ele não precisaria justificar o sexo com outro homem já que assumiu ser garoto de programa, pois essa profissão o sujeita a se envolver com pessoas de qualquer sexo. Contudo, ele quer mostrar, mesmo detido, que não é gay. Essas evidências comprovam que esse não foi um homicídio comum, igual a tantos outros que, infelizmente, ocorrem todos os dias em nossa cidade”, disse Cláudia.

De acordo com o delegado Antônio Furtado, a hipótese de homofobia não foi descartada. “Ainda não está claro o motivo do crime, mas tudo indica que a suposta homossexualidade da vítima foi fator decisivo”, disse, salientando que a única forma de escapar desse tipo de crime é tomando cuidado, sobretudo os homossexuais, com as pessoas que levam para dentro de casa. “As pessoas devem ter muito cuidado com quem se relacionam e com quem levam para casa. É impossível saber do que um desconhecido é capaz. Não se pode confiar dessa maneira”, alertou.

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