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Publicado em 03/12/2012, às 08:01 - Postado por Jornal aQui

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Palestra em homenagem a militares foi cancelada por conta de manifestação barulhenta

Bruno Reis

Simpatizantes de partidos de esquerda e integrantes de movimentos sociais provocaram um verdadeiro fuzuê ao protestar na noite de quarta, 29 de novembro, na Câmara de Volta Redonda contra uma palestra que seria feita pelo coronel reformado do Exército, Dílson dos Santos, irmão do ex-prefeito nomeado Benevenunto Santos Neto. A ideia do militar era homenagear 28 militares mortos na Intentona Comunista de 1935, quando a cidade do aço ainda nem existia. A Intentona tinha por objetivo depor o presidente Getúlio Vargas e contou com a participação de militares de baixa patente, adeptos do sistema comunista e que podiam ser encontrados em batalhões de vários estados brasileiros. A revolta foi contida e nem passou por perto da região Sul Fluminense.

Apesar da palestra/homenagem não ter sido organizada pela Câmara, os barulhentos manifestantes portavam megafones e espalharam faixas ofensivas contra o ato, que seria, segundo eles, uma afronta à liberdade e a democracia. Pior. Por estar sendo realizado em um local conhecido como a “Casa do Povo”. Por conta do barulhaço, a palestra foi cancelada.

O jovem Adelson Vidal, do movimento de oposição à homenagem, anunciou que a ideia é promover novas manifestações contra eventos semelhantes. “Vamos continuar lutando para seja instalada na Câmara de Volta Redonda a comissão da verdade contando com a participação de membros do governo e da sociedade civil e nós queremos que os generais e militares que torturaram e assassinaram os nossos companheiros de luta democrática no país sejam punidos, porque hoje eles estão todos livres recebendo condecorações à vontade”, afirmou, mostrando ser pelo menos estudioso sobre o tema, já que na época da Intentona ou da Ditadura ainda era um garoto. 

O ato e o protesto, marcado pelo facebook, atrairam a presença de Policiais Militares para caso houvesse incidentes. Não houve, entretanto, nenhuma agressão física. Só bate boca de ambas as partes. O conselheiro tutelar Richard Nunes, esquecendo sua função pública, estava bem exaltado. “Estão homenageando um monte (sic) de ‘bandidos fardados’ que assassinaram muitos trabalhadores. A Intentona Comunista nada mais é do que repudiar o que o Brasil era junto com essa ‘cambada’ que assassinaram, em um passado recente, trabalhadores aqui em Volta Redonda”, contou Richard. “Nós não podemos aceitar que a Câmara comungue com isso, que é incentivar que estes ‘vermes’, que tentaram acabar com a democracia no Brasil, a realizarem este evento dentro da Casa do Povo e da democracia”, desabafou, misturando as épocas. Para quem não sabe, a Intentona teve seu ponto alto em 1935 e a morte dos operários da CSN ocorreu em 1988. Ou seja, com 53 anos de defasagem. 

Já o coronel Dylson se mostrou surpreso com o protesto. “A nossa ideia era homenagear os heróis militares mortos na Intentona. Ontem (terça, 28) foi feita uma homenagem semelhante na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e nós pensamos que poderíamos fazer um evento semelhante em Volta Redonda. Não pensávamos que haveria uma perturbação como a que houve aqui.”, afirmou. Ele foi além. Disse que os manifestantes é que não colaboram com a democracia. “Eu estou satisfeito com esta perturbação deles, pois acho que os comunistas que fizeram esta agitação mostraram que o que nós íamos falar não é necessário, porque estes que vieram aqui estão agindo contra a ordem e a democracia, não permitindo que as pessoas se manifestem publicamente. Eles querem ser os donos da verdade”, desabafou. 

O coronel Dylson, para quem não sabe, exerceu um papel importante na vida da cidade do aço. Como militar de alta patente, coube a ele indicar aos ministros militares o nome de quem comandaria os destinos do Palácio 17 de Julho no período de 1982 a 1985. Foi o quarto da lista dos prefeitos interventores. O primeiro foi Georges Leonardos, seguido do Coronel Aluízio de Campos Costa. O ex-vereador William de Freitas também chegou a ser nomeado, mas seu mandato durou apenas algumas horas, tempo suficiente para que o coronel Dílson indicasse o nome do irmão Benevenuto dos Santos Neto, já falecido, para subir as rampas do Palácio 17 de Julho. William perdeu a ‘eleição indireta’ e a viagem que estava fazendo para Brasília, onde pretendia tomar posse.    

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