O barato sair caro
Jornal aQui - O barato sairá caro
Hoje é Terça-Feira, 02 de Setembro de 2014
Publicado em 10/09/2012, às 07:41 - Postado por Jornal aQui

O barato sairá caro

Passagem a R$ 1,00, no fim, sairá caro para população

Candidato a prefeito, o deputado federal Zoinho de Oliveira (PR) não é bom com as palavras. Mas, ninguém pode negar, sabe fazer promessas. A última, como numa tentativa de alavancar sua campanha, de instituir a passagem a R$ 1. Por ele, a passagem das linhas municipais seria reduzida, caso seja eleito, dos atuais R$ 2,40 para um realzinho apenas. A notícia, obviamente, adoçou a boca dos cerca de trezentos mil passageiros/eleitores voltarredondenses.

A promessa foi bombardeada. A começar pelo prefeito Neto (PMDB), candidato à reeleição. Em evento na Associação Comercial, na quarta, 5, o chefe do executivo voltarredondense falou grosso. Disse que não seria irresponsável. “Só posso prometer para a minha cidade aquilo que poderei cumprir. É muito bonito falar em aumentar todos os salários, abaixar todos os impostos e até a passagem, porém o Poder Público não tem essa condição, levando em conta o orçamento mensal da nossa cidade. Reduzindo a passagem para R$ 1,00 a cidade de uma maneira em geral tem de arcar com a diferença de, pelo menos, R$ 50 milhões por ano, o que é impossível na atualidade. Vivemos um período de crise na economia mundial e não me permito ser irresponsável, independente do período eleitoral”, pontuou Neto.

Outro a bombardear a proposta de passagem a R$ 1 foi o deputado estadual Edson Albertassi, antigo aliado de Zoinho. Autor de um projeto de lei para instituir o Bilhete Único (ver página 18), o parlamentar criticou o uso de uma imagem antiga em que ele aparece ao lado do candidato adversário, dando a entender que os dois estariam trabalhando pela redução da passagem de ônibus nas linhas municipais. “Bilhete Único não é passagem a R$1,00. São propostas diferentes. A proposta do Zoinho é para as linhas municipais, que atendem os bairros de Volta Redonda. Com um custo de aproximadamente 30 milhões por ano para os cofres da Prefeitura, a promessa de passagem a um real é impossível de realizar sem que haja aumento de impostos”, analisou.

Neto e Albertassi estão cobertos de razão. Pelo menos é o que diz Paulo Afonso de Paiva Arantes, presidente do Sindpass (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros). Embora diga que a implantação da passagem a R$ 1 poderia ser feita, o empresário confirma que a conta seria pra lá de salgada. “É possível implantar a passagem a um real, porque o sistema de gestão do transporte de Volta Redonda é dotado de equipamentos mais modernos do país”, analisa. Mas, continua, o município teria que reembolsar as empresas na diferença do custo da passagem menos o valor de R$ 1,00. “O passageiro pagaria R$ 1,00 e o município R$ 1,40. E para praticar tal benefício ao passageiro de Volta Redonda, o município teria que dispor ou subsidiar aproximadamente R$ 4.200.000 todo mês”, calculou. Ou seja, R$ 48 milhões/ano, ao preço de hoje.

Um detalhe que Paulo Afonso se esqueceu de mencionar é que a conta estratosférica – (que será paga pelo contribuinte se Zoinho for eleito, grifo nosso) causará um rombo nos cofres da cidade do aço. Os R$ 50 milhões ao ano, por exemplo, dariam para construir e equipar dois Hospitais Regionais a cada ano, reformar seis vezes a Avenida Amaral Peixoto, construir 50 escolas do tamanho do Colégio Getúlio Vargas e ainda um incontável número de creches. Sobraria uma graninha para equipá-las com brinquedoteca, biblioteca e salas de recreação de qualidade 

 

 Veja a entrevista de Paulo Afonso, presidente do Sindpass: 
 
aQui: Na opinião do senhor seria possível implantar o sistema de passagem a R$ 1 em Volta Redonda? Por quê?
Paulo Afonso
: Sim, porque o sistema de gestão do transporte de Volta Redonda é dotado de equipamentos mais modernos do país.
 
aQui: O Sindpass é a favor da proposta? Explique os motivos?
Paulo Afonso
: Sim, pois tudo que venha a contribuir para que o passageiro pague menos para viajar de ônibus será melhor para as empresas, nossas filiadas.
 
aQui: Como, na opinião do Sindpass, a prefeitura conseguiria pagar a diferença no preço das passagens sem causar prejuízos às empresas de ônibus? Isso é viável para o município?
Paulo Afonso
: Para não causar prejuízo às empresas que operam o sistema de ônibus em Volta Redonda, o município terá sempre que reembolsar as empresas na diferença do custo da passagem menos o valor de R$ 1,00. Exemplo, o passageiro paga R$ 1,00 e o Município paga R$ 1,40. Se é viável para o município pagar não podemos dizer, pois cabe ao executivo municipal elencar as prioridades do município. Acreditamos que para praticar tal benefício ao passageiro de Volta Redonda o município teria que dispor ou subsidiar cerca de R$ 4.200.000,00 mensalmente.
 
aQui: Caso a proposta seja aceita, em quanto tempo a passagem por R$ 1,00 poderia ser aplicada em Volta Redonda?
Paulo Afonso
: Tendo em vista os investimentos feitos pelas empresas em bilhetagem eletrônica, que é o modelo mais moderno do país, permitiria de imediato não só a adoção da tarifa de R$ 1,00 com subsídio, mas vários procedimentos modernos em transporte.
 
aQui: Por que a passagem em Volta Redonda custa R$2,40?
Paulo Afonso: No nosso entender este valor está muito defasado. Temos demonstrado tecnicamente que deveria ser de R$ 2,70. Gostaria de observar também que o subsídio nas tarifas adotando a prática de R$ 1,00 por si só não resolve o problema do transporte urbano no município de Volta Redonda. Muitas outras práticas se fazem necessárias, tais como: racionalizar o transporte, investir em vias exclusivas a fim de dar maior rapidez aos ônibus e ao tarifar mais tecnicamente, permitiria uma melhora significativa nos equipamentos, atraindo assim o usuário do automóvel, dando a Volta Redonda uma qualidade de vida melhor aos munícipes, pois o trânsito hoje, sabemos ser um dos principais problemas de nossa cidade.
 
Quando afirmamos acima de que a prática de R$ 1,00 por si só não é solução para o transporte, basta conhecermos o transporte urbano da cidade de Campos (RJ), que vem praticando o subsídio nas passagens ao longo de alguns anos e que deixa muito a desejar, pois se compararmos um importante componente que é a idade média da frota, veremos que o transporte coletivo em Campos tem a idade média da frota com mais de 8 anos, o que não permite boa qualidade no serviço.
 
Entendemos que se os valores investidos ao longo desses anos no subsídio da Tarifa de R$ 1,00, em Campos, fossem revertidos a investimentos como, por exemplo, abertura de novas vias e criação de vias exclusivas para o transporte coletivo, com certeza melhoraria muito a qualidade dos serviços prestados a população que utiliza o transporte coletivo. 
 
Versão de Zoinho
Para justificar sua promessa, Zoinho, em campanha, lembra a toda hora que duas cidades fluminenses adotaram o esquema da passagem a R$ 1: Campos dos Goytacazes (reduto do seu guru, Garotinho) e Angra dos Reis. De acordo com o deputado, se os municípios citados conseguem arcar com o valor, Volta Redonda também conseguiria. Tem mais. Em e-mail enviado à redação, a equipe de Zoinho confirmou ter ciência de que a prefeitura teria que arcar com a diferença de preço nas passagens de ônibus – hoje de R$ 2,40 para R$ 1,00. “O morador de Volta Redonda vai se cadastrar na prefeitura e com isso vai adquirir um cartão que vai lhe permitir pagar apenas R$ 1. A diferença entre o valor pago pelo usuário será complementada pela prefeitura. O sistema de bilhete eletrônico que já existe em Volta Redonda permitirá a prefeitura ter um controle efetivo sobre o valor a ser repassado para as empresas de ônibus”, analisa. 
 
 “O mais importante, no entanto, é que acreditamos que não devemos encarar os valores como custo, mas sim como um investimento social, num grande projeto de transferência de renda. Os valores que o morador economizar com a passagem serão revertidos para o comércio e para diversos setores da economia. Os valores que os empresários vão economizar com o vale-transporte poderão ser convertidos em investimentos que vão gerar novos empregos”, acreditam os assessores de Zoinho.  
 
“Temos que entender que a passagem a 1 real faz parte de uma nova forma de se pensar o transporte público de Volta Redonda. O novo Sistema de Transporte Coletivo que propomos inclui corredores expressos de ônibus nos centros urbanos, a passagem a 1 Real e a tarifa única. Reiteramos que o retorno social compensa todo e qualquer investimento para levar esse projeto adiante”, pontuam, para finalizar disparando criticas ao prefeito Neto. “Se a passagem a 1 Real é boa pra todo mundo, por que somente para o Neto não é?”, indagam. As respostas foram dadas por Neto, Albertassi e Paiva Afonso. É só reler o inicio da matéria. 
 
Compartilhe com Seus Amigos! |

:: Mais Destaques

:: Notícias Relacionadas

:: Edições

© Jornal aQui.
Todos os direitos reservados.
Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.