Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Publicado em 22/10/18, às 12:07

Nem para o café

Por Vinicius de Oliveira

A cada eleição, muito se fala dos eleitos. Além dos próprios candidatos que se regozijam da vitória, os eleitores buscam saber se serão, de fato, representados. No Sul Fluminense, o resultado foi frustrante. Das centenas de candidatos que se lançaram no pleito em busca de uma cadeira – seja na Alerj ou Câmara –, apenas oito se deram bem. Para estadual foi o caso de Marcelo Cabeleireiro (Barra Mansa); André Corrêa (Valença); Gustavo Tutuca (Piraí) e André Ceciliano (Paracambi). Já federal, os eleitos foram Antônio Furtado (embora não seja de Volta Redonda, se identifica como candidato local); Vinícius Farah (Três Rios); Luiz Antônio (Valença) e Alexandre Serfiotis (Porto Real).

 

A questão salta à vista porque há muitos anos Volta Redonda não fica sem representação nas duas esferas de poder. Já aconteceu com Barra Mansa, que vive ‘sem deputados’ desde os tempos de Feres Nader, Inês Pandeló (Câmara) e Ademir Melo para a Alerj.  Quando isso acontece, as atenções costumam se voltar para os suplentes, que geralmente ficam esquecidos no ostracismo, à espera da famosa dança das cadeiras, que são realizadas pelos governadores eleitos. A questão é que a maioria esmagadora dos políticos que poderiam representar a região sequer tem chance de assumir uma vaga como suplente.

 

Nomes de peso como Paulo Baltazar, Munir Francisco e Deley de Oliveira, embora bem votados e que figuram na lista de suplentes, não só ficaram de fora como têm chances mínimas de assumir uma vaga de deputado federal ou estadual, temporariamente ou não. E as hipóteses que explicam o fenômeno frustrante são variadas. Vão desde a onda bolsonarista que inundou o país, passando pelas coligações e até pelo próprio comportamento do eleitor. Munir Neto, da coligação Trabalhar para Mudar (PTB e Solidariedade), que conseguiu 18.719 votos, figura como quarto suplente. “Primeiro foi a quantidade de candidatos de Volta Redonda que acabou dividindo os votos. Eram muitos e eles tiveram votação expressiva”, comentou o irmão do ex-prefeito Neto referindo-se, entre outros, a Paulo Baltazar. “Essa divisão de votos acabou atrapalhando a minha vitória”, avalia.

 

Questionado se a força política do irmão, o ex-prefeito Neto, havia minado e, por isso, não se elegeu, Munir negou. Foi taxativo ao dizer que considera exatamente o contrário. Para ele, inclusive, o problema foi que outros candidatos também usaram o nome de Neto. “Quatro candidatos usaram o nome do Neto. Dinho foi um deles. Isso acabou dividindo ainda mais os votos”, comparou, alegando que teve pouco tempo para se preparar. “Os outros candidatos já sabiam que concorreriam e no ano anterior já se prepararam. Eu não. Minha candidatura foi decidida só em abril deste ano. Ou seja, bem em cima da hora. Então tive menos tempo para me organizar e estabelecer estratégias”, analisou.

 

Outro erro, segundo uma fonte, foi o fato de Neto ter prometido apoio a muitos até então pré-candidatos à Alerj, inclusive de cidades vizinhas, como Barra Mansa e Angra dos Reis. Tudo para alavancar a reeleição de Deley. “Sem a máquina do Palácio 17 de Julho, o Neto saiu compondo com os prefeitos vizinhos, pedindo apoio para o Deley. Tudo ia bem. Só que ao lançar o Munir, o Rodrigo Drable e o Fernando Jordão, que já tinham seus candidatos, deixaram de apoiar Deley”, frisou, pedindo para não ser identificada.

 

Ela pode estar certa. É que nenhum dos políticos que caminharam com Neto (direta ou indiretamente) conseguiu uma boa colocação no ranking eleitoral. O próprio Deley só conseguiu ser o 9º suplente na lista da coligação para deputado federal que reunia o DEM, MDB, PP e PTB. Quem se deu bem no lugar dele foi Antônio Furtado (PSL), que só em Volta Redonda conseguiu cerca de 50 mil votos. “No caso do Deley foram três agravantes. Já esperávamos que o Furtado fosse ser bem votado e, assim, tiraria votos do Deley. Outro problema para Deley foi a onda Bolsonaro. E isso acabou levando ainda mais votos para o delegado, prejudicando Deley”, opinou Munir, indo além. “Também precisamos lembrar que o Deley termina seu quarto mandato e isso já causa um desgaste natural”, pontua.

 

Assim como Munir e Deley, outros nomes conhecidos amargaram posições frustrantes. É o caso de Márcia Cury. Embora tenha tido uma boa votação – 17.785 votos – ficou na 5ª suplência, atrás de Munir. E também do vereador Jari, que teria usado o nome de Neto e, principalmente de Paiva, vice-prefeito. Segundo Munir, também não se saiu tão bem. Mas não foi dos piores. Levando em consideração o resultado final, Jari pode comemorar. Seus 19.974 votos o colocaram em 2º  lugar na suplência do PSB para a Alerj.

 

Paulo Baltazar, ex-prefeito e ex-deputado federal por dois mandatos, decidiu alçar voos menores e se candidatou à Alerj depois de ostentar o título de vereador mais votado de Volta Redonda na legislatura passada. Nestas eleições, ele teve mais votos do que Marcelo Cabeleireiro e outros 19 políticos eleitos para a Alerj. Resta a Baltazar torcer para que dois políticos na sua frente abram mão do mandato ou sejam nomeados para algum cargo de secretário estadual para poder ocupar a vaga no Parlamento Fluminense. Com 27.559 votos, Baltazar é o 3º suplente. 

 

 Da mesma forma que Baltazar, a professora Clarice (PT-BM) também ocupa a 3ª suplência. Detalhe: mesmo tendo conseguido apenas 7.492 votos. O empresário Bruno Marini também ficou como 3ª suplente, do PSD, com seus 11.716 votos, o que credencia a pensar na sucessão de Rodrigo Drable.

Quem tem chances

Apenas dois candidatos a deputado estadual têm boas chances de assumir um mandato. Um deles é Noel de Carvalho, ex-prefeito de Resende. O político, da coligação ‘O Rio Sem Crise’ composta por PSDB e PPS, conseguiu 24.614 votos e, desta forma, é o 1º suplente. O dono da vaga que pode ser dele é ninguém menos que Luiz Paulo, do PSDB, bastante influente na política carioca e que pode, sim, ser convidado para o governo do Estado. Vai depender, obviamente, da vitória de Eduardo Paes.

 

Outro sortudo é, na verdade, um azarão. É o vereador Sidney Dinho, que costuma dizer que sua campanha foi “o quinhão contra o milhão”, tendo superado as expectativas. É o 1º suplente do Patriotas, com pouco mais de 12.700 votos. “Sou muito grato à população do Sul Fluminense e aos que me deram voto de confiança. Sou o 1º suplente e único de Volta Redonda. Correr a região sem apoio de peso foi um desafio pessoal para mim e para a equipe, para cada um daqueles que se juntaram comigo, que foi a luta do quinhão contra o milhão”, agradeceu, frisando que o resultado se deu por falar a verdade. “Fiz uma campanha falando a verdade. Cheguei a fazer um folder onde coloquei tudo o que achei de interessante de conquistas enquanto vereador ao invés de fazer um prospecto de promessas, que poderiam não se tornar realidade”, avaliou.

 

Com relação à declaração de Munir de que ele teria pedido votos usando o nome de Neto, com quem brigou, Dinho diz que Munir mente. “Eu já disse para você que fiz um acordo político com o Neto para que eu fosse o candidato dele. Antes do fechamento da janela para se filiar, o Neto filiou o irmão dele e colocou nos jornais essa decisão. E quando fizeram isso, eu procurei o Neto e disse a ele que, por causa dessa postura, nesse ano não caminharíamos juntos. Fiz minha campanha sozinho e Deus, além das pessoas que me ajudaram no dia a dia. O Neto não participou de nenhuma reunião e nem fez nenhuma reunião para mim. Não fiz caminhada com ele. Também não apoiei o Deley. Eu acho que a fala do Munir foi infeliz, equivocada e mentirosa”, disparou Dinho, frisando: “Não precisei usar o nome do Neto na campanha, e estou muito tranquilo para afirmar isso. Sinceramente não entendi por que o Munir fez essa afirmação de que eu possa ter atrapalhado. Isso é uma mentira”.

 

Satisfeito com o resultado, Dinho acredita na possibilidade de assumir uma cadeira na Alerj pelo Patriotas. “Eu acho que todo 1º suplente está na iminência de assumir a qualquer momento. Isso depende das composições políticas que venham a ser feitas entre o futuro governador e os deputados eleitos. Acredito que eles têm interesses em áreas específicas e o futuro governador pode dar chances”, disse.

Nem para o cheiro

Outros candidatos da região vão continuar bem longe da Alerj e da Câmara. É o caso do delegado Marcello Russo, do empresário Rogério Loureiro, dos ex-vereadores Sukinho (VR) e Vicentinho (BM), além do seu Bené do Laranjão, que precisariam de uma catástrofe para tirar dezenas de políticos que estão à frente para conseguirem um mandato. Marcelo Russo, com apenas 2.493 votos, é o 16º suplente. Loureiro, com 3.418 votos, é o 9º.  Sukinho e Vicentinho foram piores. O primeiro, com 3.544 votos, é o 13º suplente, enquanto o segundo é o 11º, com pouco mais de 2.400 votos.

 

Chama atenção ainda os casos de Zoinho e de América Tereza. Ambos tiveram votação inexpressiva. O eterno adversário de Neto teve 7.105 votos e a ex-catadora de tomates, que já foi uma das mulheres mais influentes da cidade do aço, conseguiu apenas 6.496 votos, ficando atrás até do iniciante Laydson, com 9.165 votos.

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