Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 22 de Abril de 2019
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Publicado em 04/02/19, às 08:50

Natureza morta

Alguns frequentadores do Parque do Ingá, localizado no Santa Cruz – ficaram surpresos quando a prefeitura de Volta Redonda anunciou sua intenção de criar um Jardim Botânico, na Ilha São João, usando parte de uma verba de R$ 6 milhões recebida de uma multa ambiental. Isso porque, em passeios recentes pelo por uma das mais antigas unidades de conservação natural de Volta Redonda, com mais de 50 anos de existência, os visitantes encontraram sinais visíveis de que o parque estaria meio que abandonado.
O Parque Municipal Fazenda Santa Cecília do Ingá tem 211 hectares e é a maior área verde do município. O local foi adquirido pela prefeitura em 1955, para fazer parte do sistema de abastecimento de água da cidade do aço, já que o recurso é abundante no parque. Em 1993, com o objetivo de produzir mudas para reflorestamento, arborização urbana, contenção de encostas e também para serem distribuídas à população, o Horto Municipal (que funcionava no atual Zoológico Municipal) foi integrado ao Parque do Ingá.
Desde então, no viveiro do horto são produzidas mudas de plantas nativas da Mata Atlântica, como aroeira, hibisco, ipê roxo, pau d’alho, ingá mirim, munguba, paineira, triplaris oiti, urucum, figueira, entre outras, que são distribuídas para quem quiser. O parque e o viveiro serviam ainda para receber estudantes de diversas séries para aulas de educação ambiental.
Apesar da importância, o quadro atual parece ser de abandono. Segundo o relato de um dos visitantes, que esteve recentemente no local, para começar, a guarita de entrada do parque estava vazia. “Na guarita, não tinha ninguém. Nenhuma informação podia ser obtida, a não ser de uma velha placa existente. Um rádio estava ligado, talvez para dar a ideia que tinha alguém lá. É um lugar pouco explorado pela população e pelo poder público, podia ser uma linda atração turística”, disse o voltarredondenses que pediu para não ser identificado.
Outro visitante afirmou que o mudário onde chegaram a ser produzidas oito mil mudas por mês também está abandonado, e que um açude estaria assoreado. “A barragem que formava o açude está quebrada”, pontuou. Ainda assim, segundo ele, há peixes no local. Os dois reclamaram da quantidade de lixo espalhada pelo chão.
A sugestão de ambos – que são moradores de Volta Redonda e frequentam o parque há anos – é que a prefeitura invista em limpeza e no desassoreamento dos corpos d’água, além de disponibilizar água para beber e um local para venda de lanches, e até mesmo artesanato local. “O potencial é imenso”, argumenta um deles.

‘Não procede’

Em nota, a secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda argumentou que a informação dos visitantes “não é verdadeira”. Garantiu ainda que todas as estruturas estariam pinta-das; que o viveiro passou por uma reforma geral recentemente e que o mato é roçado constantemente. Por último, a secretaria justificou que fazer o desassoreamento do açude causaria impacto ambiental, já que lá vivem várias espécies de anuros (sapos, rãs e pererecas, grifo nosso), que não podem, garantem os especialistas, ser retirados.
Trilha jovem?
O jornal também perguntou à atual administração sobre a existência de uma verba da ordem de R$ 1 milhão que o Parque do Ingá teria recebido em 2013 para realizar um projeto chamado ‘Trilha Jovem de educação ambiental’ mas não obteve nenhuma informação.
Na época (governo do ex-prefeito Neto), a responsável pelo projeto era a então coordenadora da Juventude, Kika Monteiro. Houve anúncios de que a verba chegou a ser liberada, ainda em 2013, mas nada foi feito no parque. Pelo visto, até hoje. Sobre o dinheiro, ninguém sabe, ninguém viu.

Secretário nega abandono do Ingá e anuncia verbas para melhorar o meio ambiente

Balanço verde

Em release divulgado no final de 2018, a secretaria de Meio Ambiente anunciou que estaria pensando em ampliar suas ações para 2019. Entre elas, a doação e plantio de mudas de árvores para a população. Duas mil mudas de Ingá e Aroeira Salva já teriam sido doadas e serviriam para arborizar praças e sete quilômetros de vias públicas da cidade. As plantas, conforme a nota, seriam usadas para a arborização de bairros como Belvedere, Rodovia dos Metalúrgicos e Rodovia do Contorno.
Outra ação da pasta seria a retomada das atividades da Guarda Ambiental, que estava sob a direção da GM. De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Maurício Ruiz, até um treinamento teria sido realizado com a equipe de GMs ambientais.  “Temos seis guardas ambientais que atuam diretamente nas ações de fiscalização, maus tratos a animais e na segurança e gestão do Parque do Ingá. Como eles estavam na Guarda Municipal, foi encomendado novo uniforme (que seria camuflado, grifo nosso)”, explicou.
Ele foi além. Disse que a GA (guarda ambiental) conta com duas motocicletas, que permitem mais rapidez e mobilidade para atendimento às denúncias e ocorrências. E que, em casos de crimes ambientais e maus tratos a animais, por exemplo, os GMs teriam a “atribuição de encaminhar o praticante do delito para a delegacia”, anunciou.
Maurício, que não explicou a verba do projeto ‘Trilha Jovem’, revelou que outro recurso – de mais uma multa ambiental aplicada – será revertido em benefícios para a cidade do aço. “O valor da multa é de R$6.667.565,63 e será destinado para programas de conservação da natureza do município, resultando na ampliação da área verde por habitante. Esse valor será aplicado, principalmente, em duas atividades: implantação de um Jardim Botânico, localizado na Ilha São João e a arborização das vias urbanas da cidade”, enumerou.
Para 2019, segundo ele, que assumiu a pasta recentemente, existe um programa que envolve a criação de unidades de conservação, reflorestamento de nascentes e beiradas de rios e mais de 400 km de arborização urbana. “A secretaria de Meio Ambiente já está estudando e montando projetos ambientais para serem executados por meio de parcerias. Já mapeamos todas as nascentes da cidade e pelo menos 200 delas precisam ser protegidas”, disse Maurício, lembrando que a SMMA já plantou mais de 200 árvores nativas pela cidade.
De acordo com o secretário, também existem programas que estão sendo desenvolvidos em escolas, projetos para criação de novas unidades de conservação, e projetos de educação ambiental para o Parque do Ingá, além da ampliação de novas tecnologias para geração de energia limpa, entre outros em fase de estudos. Tudo com aval de Samuca. “Desde o início do Governo estamos investindo na questão ambiental. A secretaria nos ajuda a controlar e fiscalizar esta grande mudança que ocorre na cidade. Cabe ainda à secretaria exercer o controle, o monitoramento e a avaliação dos recursos naturais do município, continuando a promover a educação ambiental”, justificou o prefeito de Volta Redonda.

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